sábado, 15 de agosto de 2020

 

                                      Aventuras de Leninha

 

 

 

Cirilo estava sentado no degrau da porta do quarto que dava para a cozinha.

Leninha comia um milho verde cozido que sua avó acabava de cozinhar.

      ----Porque vocês estão tão calados. —Perguntou dona Ruth incomodada com o silencio dos netos.

      ---I... Vovó aposto que Cirilo ta com minhoca na cabeça. ---Brincou Leninha.

      ---Que nada, respondeu Cirilo. ---Eu to e aqui pensando em como vou fazer para vender ingresso para esse povo vir ver meus filminhos.

        -----Ra!Ra!Ra! ---Riu Leninha. ---Não falei que ele tava com minhoca na cabeça.

        ---Porque você não pede palitinhos de fósforo. ---Disse dona Ruth.

        --- Fósforo vovó, o que vale fósforo. ---Perguntou Leninha com a boca cheia de milho.

        ---Você não sabe de nada mesmo em Leninha, os fósforos da cidade estão desaparecendo, ninguém tem um palito sequer,ta valendo ouro.

         ---Então se não tem como alguém vai vir no seu cinema.

         ---È mesmo vovó, como vou fazer?

          Dona Ruth resmungou alguma coisa sem resposta.

           ---Vou dar um jeito de descobrir. ---Disse Leninha levantando e saindo da cozinha, dando um jeito de lavar as mãos e a boca toda suja de sal.

           ___vou fazer um cartaz e colar na farmácia do Sr Juvenal, anunciando meu filme.

           ----E ele vai deixar?—Perguntou dona Ruth.

           ---Eu dou ingresso de graça pra ele.

 

             Cirilo era um menino muito esperto, vira e mexe e dava um jeito de ganhar algum dinheiro, se conseguisse os palitinhos de fósforo venderia e dava pra comprar o pão, ele era o responsável pela compra de pão da casa. Naquela época tinha pouca verdura na horta de dona Ruth, o tempo estava muito seco, fazia calor e quase dois meses não chovia.

             Ele pegou papel celofane fez alguns desenhos da historia de Moises, colocou na frente de uma caixinha de papelão com uma lâmpada de lanterna dentro e com isso conseguia projetar as imagens usando um lençol branco de sua mãe na parede do quarto onde ela usava pra dar a aulas para os adultos à noite.              Leninha foi procurar por Zinha. Zinha era uma nova coleguinha que ela tinha arrumado aqueles dias, Lili, Sonia e Eliza já estavam ate com ciúmes da nova amiga.

               Mas Zinha era uma menina muito legal, já tava dando um jeito de enturmar com as amigas de Leniha era muito inteligente e esperto, também tinha cinco irmão e a mãe esperava mais um, assim sabia lidar com muita gente.

          Foi chegando correndo a casa de Zinha, a casa dela ficava um pouco acima da casa de Sonia na mesma rua de Leninha, eles tinham mudado fazia mais ou menos uns quinze dias, Leninha já conhecia Zinha da escola, mas nunca tinham conversado ate que eles mudaram pra lá.

         Dona Tânia mãe de Zinha já conhecia Leninha da igreja, afinal numa cidade tão pequena quem não se conhece, ate porque Leninha era filha de uma das professoras mais conhecidas do lugar.

         ___oi dona Tânia, Zinha ta ai. ___chegou correndo leninha.

         ---Ta sim minha filha, ali no quartinho brincando com as meninas.

          Tinha um cômodo que ficava agarrado na porta da cozinha. Ele era usado como dispensa, e as meninas usavam uma parte para brincarem de cazinha, tinha ate um fogão de lenha de verdade.

          ---Hei Leninha, vem brincar com a gente.

          A casinha tava toda arrumadinha.

          ---Vocês estão brincando de que?---Perguntou leninha.

          ---De comadre.---Cuidou logo de responder Luiz um dos irmãos de Zinha.

           ---É, e você vai ser a comadre Leninha.---Disse Zinha.

           Leninha riu e concordou.

           Eles brincaram tanto que Leninha ate esqueceu dos palitinhos de fósforo.

           Combinaram de fazer um pic-nic no domingo logo cedo.

            ---Assim que o dia clarear.---Disse Leninha.

            ---E a missa de domingo?---Perguntou dona Tânia ouvindo a conversa das meninas.

            ---Não vai ter missa neste domingo, mamãe, esqueceu que Marcelo avisou, que o Padre só vai poder celebrar no sábado e que ele vai fazer um casamento longe.

            ---Ah! É mesmo, mas tem o catecismo.

            ---A gente pede pro Marcelo e ele ensina o catecismo lá na pedreira, ele vai ate gostar, e ele gosta de ir no pic-nic com a gente.

            ----Essa menina da um jeito em tudo, meu Deus do céu.----Ria dona Tânia com a vassoura na mão, varrendo o terreiro.

            Na verdade Leninha só queria aproveitar o Maximo possível de seus últimos dias de férias, Sonia estava bem já havia quase dois meses que não tinha nenhuma crise da doença, porisso dona Neném achou ate bom ela ir ao Pic-Nic, iria fazer bolo para a meninada levar.

         Cirino concordou, mas Leninha prometeu ajudar na venda dos ingressos, passaria o filme às 18hs daquele domingo.

         O cartaz foi pregado.

 

          1--    ___O homem da vara

             

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                

 

       Tinha um homem na cidade que todo mundo, principalmente as crianças, morriam de medo dele, era só o Sr varão atravessar a rua que todo mundo corria para um lugar seguro, o apelido dele era varão, ninguém sabia seu nome de verdade, ele tava sempre com uma vara parecendo uma bengala na mão, gostava de correr atrás dos outros com aquilo na mão, mas ele sabia com quem mexia, sabia quem tinha medo dele.

          Por isso ele mexia mais com crianças, era só ele aparecer que elas saiam correndo, e ele ria, nunca chegou a machucar ninguém, mas ninguém se arriscava. Ele era muito sujo os dentes podres, quando ria aquele riso maldoso, dava pra ver os dentes pretos e cariados.

         Seu Juvenal o dono da farmácia sempre explicava.

          ---Quando vocês virem o varão aproximando andem devagar e deixe-no passar ele vai ver que ninguém tem medo e não vai ter coragem de mexer com ninguém.

          Leninha fez isso uma vez ele foi andando pro seu lado. ---Ela pensou. ---Não vou correr, se ele fizer alguma coisa eu corro, ele não consegue me alcançar. Ele vendo que ela não tinha medo dele só disse.

         ---Menininha bonitinha. ---E nunca mais ela correu dele.

          Mas mesmo assim a historia daquele homem era um mistério na cidade. Ninguém sabia de onde ele vinha e porque tinha vindo parar ali, ele tinha dinheiro, apesar de não andar limpo, nunca pedia esmola sempre comprava as coisas pra comer e alugou um cômodo perto do grupo escolar que ficava na parte de baixo da cidade logo na entrada.

       Marcelo e dona Elza, mãe de Leninha fizeram uma visita cristâ a ele, só que ele não falava coisa com coisa, eles decidiram deixar ele pra lá, era doido, mas não tava prejudicando ninguém, se isso acontecesse, eles pediriam auxilio a policia e o tirariam da cidade.

       ---Dona Neném, a sra tem fósforo?---Perguntou Leninha quando foi chamar Sonia para irem ao pic-nic.

        ----Não Leninha. Seu Pedro ate fez uma encomenda grande de caixas de fósforo, mas disse que não chegou.

        ---Estranho, nunca vi falar que fósforo acabava assim, como a sra ta ascendendo o fogo. ---Perguntou Sonia.

      ---Com isqueiro, igual todo mundo da cidade ta fazendo, isqueiro ta chegando, mas fósforo não. ----Respondeu dona neném.

        ---Esquisito!---Comentou Sonia.

         Leninha tava com a pulga atraz da orelha, nunca tinha ouvido falar naquilo. Será que Cirilo teria descoberto alguma coisa, como ele venderia os ingressos?

          

     Sr. Juvenal não era muito de preocupar com a vida dos outros, mas já era a terceira vez naquele dia que via o homem da vara descer da rua da pedreira, estava com a curiosidade à flor da pele, mas não quis comentar com ninguém, se preocupava, pois sabia que os meninos gostavam de ir naquela direção, mas coitado do homem não tava mexendo com ninguém, deixa pra lá—Pensou—E continuou a manipular seus medicamentos.    

 

           2---Dona Ruth conta historia

 

                 Os meninos estavam inquietos, não conseguiam pegar no sono.

                  Dona Elza estava no cômodo dando aulas, era férias escolares e ela aproveitava para tirar o atraso dos alunos que estavam interessados em adiantar a matéria, era bom que ele ganhava um extra, afinal precisava.

              ----O que você tem Leninha?

          ----Não sei vovó, acho que mais é esse calor.

---É esse ano ta diferente, calor em pleno inverno.

---Pois é eu sei que em julho costuma fazer é frio.

---Acho que o mundo esta mudando. ---Disse dona Ruth. ---Esta na época dos caboclinhos dàgua saírem.

      Cirilo não resistiu à conversa das duas e correu para deitar no quarto da mãe onde dona Ruth conversava com Leninha. Dona Ruth gostava de fazer companhia pros netos ate dona Elza vir deitar.

      ----Chi!!! Lá vem o curioso. ---Disse Leninha.

      ---Eu gosto de ouvir dos caboclinhos d`gua.

      ---Conta vovó. Eu já vi um deles. ---Disse Leninha.

      ---Você já viu de tudo, ate papai-noel. ---Riu Cirilo.

      ----Se não acredita como quer saber. ---Disse dona Ruth.

      ---Eu acho legal, da uma historia.

      ----Pois bem eles vivem perto de cachoeira, lá tem um atalho que chegam mais rápido onde eles moram.

       ----Mas, vovó, ali onde eles ficam não tem cachoeira nenhuma. ---Disse Leninha com um pouco de sono.

        ---É que às vezes eles sentem muito calor e vem procurar algum lugar mais fresco.

        ---Quer um lugar mais fresco que perto de uma cachoeira? –Perguntou Cirilo.

        ---Eu não sei não, cada um conta uma historia, uns dizem que eles moram é nos rios e gostam de fumar e de cachaça. ---Disse Leninha.

         ----O que eu sei e muito mais antigo, do que esses livros. ----Disse dona Ruth.---Meus avós eram donos de escravos e eles contavam que os cabloquinhos dágua viam brincar com seus filhos perto das cachoeiras em noites muito quentes.

          ---Que bonitinho, o Cirilo pode não acreditar, mas eu já vi um no buraco daquele córrego que passa no meio da rua. Eu tava passando na ponte e ouvi um barulhinho parecendo dois menininhos conversando, parei e olhei pra baixo, vi um, ele me olhou e correu.

        ---Já ouvi você contar essa historia um monte de vez só não acredito. Afinal vovó eles são bons ou ruins. ---Perguntou Cirilo abrindo a boca de sono.

        Leninha já tinha fechado os olhos acreditava realmente ter visto um caboclinho e não sentia medo algum, achou ele ate bonitinho.

       ---Acho Cirilo que eles não fazem mal a ninguém, nunca ouvi nesta minha vida toda contar malvadeza deles.

       ---No meu próximo filminho vou colocar um desenho deles.

        ---Faz isso meu neto, faz isso, agora vai deitar, Leninha já ate dormiu.

       ---Vem comigo ate a porta do meu quarto.

        ---Medroso.---Leninha disse com a voz cheia de sono.

       ---- Vamos Cirilo, vamos.

        Leninha sonhou com o caboclinho, ele tinha o formato de um menininho só que mais peludinho, ele levou ela ate sua casa, no sonho eles não moravam dentro do rio, moravam por baixo da cachoeira, não eram muitos, mas pareciam muito felizes.

 

 

 

         3 ---a cidade

 

 

 

                Era um lugar tão pequeno todos se conheciam, não deveria nem ter mistério, mas tinha. A pedreira, ta pra nascer uma pedra tão bonita, ela ocupa a visão de qualquer um que chegue a cidade. Leninha sentava na porta da igreja e não conseguia tirar os olhos dela. Olhava, olhava de todos os ângulos e não cansava.

               ---Acho que essa pedra meche com sua cabeça, ne Leninha.---Dizia Lili quando via os olhos fascinados de Leninha.

             ---Ce acha que algum dia alguém vai pensar em explodir essa pedra, ou vai acontecer algum fenômeno e ela cair?---Perguntou Leninha a amiga.

               ----Nossa Leninha, nunca se Deus quiser e cuidou logo de fazer o em nome do pai.

               ---Não quero nunca ir embora daqui.

                ---Porque você iria?

                ---Todo mundo não acaba indo, buscar a civilização, como dizem, para os filhos estudarem?

                ---Isso é normal aqui não tem faculdade, muito mal ate o terceiro ano.

                 ---É, mas a gente podia mudar isso.

                 ---Como assim Leninha?---A cabeça de Lili não conseguia acompanhar os sonhos de Leninha.

                 ---Ah! Deixa isso pra lá.

                Ate que não era muito difícil fazer isso não, o pessoal interessado em progredir a cidade estava crescendo, os valores também, não existia em lugar nenhum do mundo um lugar mais perfeito do que aquele, a água era a melhor da região. Na casa de Leninha e de Sonia tinha uma mina que brotava uma água limpinha e cristalina, de dentro da pedreira também tinha uma nascente, fresquinha.

             Só que como Lili entendia, infelizmente não tinha como progredir muito.Já tinha duas mercearias, duas farmácias, um correio, dois grupos escolares que já iam ate o ensino médio, tinha uma igreja católica e uma batista, tinha uma biblioteca publica que ficava em cima da prefeitura e do cartório, tinha um posto medico. Não tinha medico direto, mas tudo que precisava de urgência, os dois farmacêuticos davam conta, o que eles não conseguiam a ambulância da prefeitura estava por perto pra correr pra cidade vizinha que tinha um hospital. Então pensava Leninha:- --Não tem como ter mais coisas aqui, só se vier morar mais gente e a cidade crescer mais. Mas isso também ninguém queria tava tão bom assim.

        Faltava também uma antena de televisão.Contavam tantas coisas a respeito de novelas que ela ate tinha curiosidade de conhecer uma, ouvia muitas no radio, deveria ser legal ver na televisão.

       

            No sábado Leninha cuidou logo de falar com Marcelo a respeito do catecismo na pedreira, e do pic-nic.

             Ela foi a casa paroquial .

             ----Oi de casa.---Foi entrando pela casa adentro avisando que ia.

             ---Tem sim Leninha, estou aqui na cozinha.---Respondeu Marcelo reconhecendo a voz de Leninha.—Entre aqui to almoçando.

             ---Nossa! Desculpe Marcelo.Volto depois.

             ---Que desculpa nada, senta aqui come um pouco comigo.

            ----Já almocei faz tempo.

             ---É já é um pouco tarde, mas tinha tanta coisa pra colocar em ordem que acabei perdendo a hora do almoço.

              ----Só vim ver se você quer ir comigo, quero dizer com a turma toda amanhã cedo na pedreira, ai aproveita e ensina o catecismo pra gente não atrasar.

              ---É Cirilo já tinha comentado comigo hoje na hora que jogamos futebol, pra min ta bom, sem problemas, não vamos ter missa pela manha mesmo.

               Cirilo e alguns meninos jogavam um futebolzinho na praça da igreja toda manhã de sábado e quando dava no finalzinho da tarde.

              ----Então ta. É só isso.

               ----Não, agora espera pra tomar um sorvete comigo.

               Ela não pensou duas vezes, Marcelo sabia fazer um creme que ele chamava de sorvete, Leninha e toda a cidade já tinha provado.

               ----Muito bom esse seu sorvete. ---Disse Leninha lambendo os beiços.

                ---Pega mais um pouco.

                ---Não, não eu to satisfeita, quando mamãe comprar uma geladeira quero que você me ensine a fazer.

               ---Claro, quando você quiser.

                Marcelo adorava ver o jeitinho de Leninha, achava ela uma meiguice

 de menina.

                 ----Marcelo, você ta sabendo do sumiço dos palitinhos da cidade?

                 ---É já ouvi comentários, os daqui ainda não sumiram, temos umas boas caixas de fósforo.

                ---Nossa! Não espalha. Também ninguém tem coragem de roubar a casa paroquial.

               ---Você acha que é roubo?---Perguntou Marcelo com uma interrogação, como se Leninha soubesse de tudo.

                ---Sei, não, Seu Pedro da venda disse que a encomenda de caixas de fósforo não ta chegando faz meses, engraçado que isqueiro vem todos.

                 ---Ele não entrou em contato com o fornecedor/

                 ---Não sei, isso eu não perguntei. Então ta.---Disse Leninha levando sua vasilha ate a pia.---Vou arrumar as coisas pra amanhã.

                 ---Já sei, amanha bem cedo.

                 ----É temos que tomar cuidado com sol, ele fica muito quente mais tarde.

                  ---To com mais medo quando começar a chover. –Disse Marcelo

                  ---Não sendo amanhã. Obrigado pelo sorvete. Tchau.---Despediu Leninha saindo correndo da mesma forma que chegou.

                  Marcelo sorriu, e a acompanhou com o olhar ate sumir pela porta.

                         

 

 

 

 

 

 

 

          

 

 

 

 

 

 

                   4-- O pic-nic

 

 

O dia amanheceu bonito, algumas nuvens no céu e um ventinho diferente estavam no ar, mas aqueles dias todos estavam assim, depois o sol ia a pino e era um calorão danado.

      

          ----Vocês tomem cuidados, pra começar a chover de repente não muda nada---Recomendou dona Elza Amarrando o chapéu no pescoço de Leninha.

            Ela sempre que ia andar colocava aquele chapeuzinho na cabeça, era vermelho com bolinhas brancas.

          ---E você Cirilo tome conta de sua irmã e coloque um chapéu também, o sol vai esquentar. ---Disse dona Ruth acabando de colocar o lanche dos meninos em uma cestinha.

          ---Eu acho que vai é chover.

          ---Vire essa boca pra lá. ---Irritou Leninha.

      A turminha toda tava lá.

       Leninha só não gostou quando viu Silvia indo junto, não gostava dela, sabia que ela dava em cima de Tarzan e disso com certeza ela não gostava. Até pediu a Deus para Cirilo não ter convidado o primo, mas não teve jeito ele estava segurando a porteira e de olho vendo leninha se aproximar.

      Ah! Azar. Pensava ela, ele é meu mesmo e disso é a coisa que eu mais tenho certeza desse mundo.

      Elisa ia de mãos dadas com Daniel. Formavam um belo casal. Wanda cuidou logo de ir perto de Leninha.

      ---Eu juro que não queria que ela viesse. —Disse Wanda se referindo a irmã.---Mas mamãe disse que era bom que ele tomava conta de min.

     ---Sei ---Resmungou Leninha sem se importar muito.

      Tarzan foi chegando perto dela.

       ---Hei princesa cada dia mais linda!---Dizia ele ajudando ela a carregar a cesta de pic-nic.

       Leninha o recebeu com um largo sorriso adorava ver ele a elogiando.

        Cirilo e Marcelo cuidaram logo de ficarem perto de Tarzan e Leninha.

        Sonia ia num papo animado com Leonardo que de vez em quando virava para ver leninha.

        ---Tomara que não chova. Eu trouxe um tanto de coisas que mamãe preparou, já ate forrei a entrada da gruta e fiz uma sombra com uma lona de caminhão caso o sol esquente ou chova.—Disse Tarzan.

       ---Nossa! Você madrugou? –Perguntou Leninha toda charmosa.

        ---Nada cheguei agorinha e que já estou acostumado a amarrar a lona nos galhos das arvores.

        ---Não é a toa que você é o Tarzan. ---Riu Cirilo e Marcelo.

 

     Ele estufou o peito e simulou um grito.

      Leninha adorava aquilo.

      Silvia tentava dar um jeito de ser notada, Leninha fingia nem vê-la.

      Estava realmente muito limpo o local que Tarzan esticou a lona, a primeira coisa que a turma fez ao chegar no topo da pedreira foi correr e tomar água da bica.

      Sonia pegou na mão de leninha para serem as primeiras, Zinha também foi atraz.

       Entraram no primeiro salão da pedreira, cansadas, limpando o suor do rosto. Leninha teve a sensação de ter ouvido um barulhinho tipo um zunindo.

       ---Psiu! –Pediu ela as meninas.

       Sonia e Zinha também pareciam ter ouvido alguma coisa.

       Sentiram um pouco de medo, Leninha acostumou com a pouca luz de dentro da pedreira, olhou em direção aonde jorrava a água e viu tipo um menininho correndo a se esconder.

       Sonia medrosa que só ela, saiu correndo pra fora, todo mundo quis logo saber o que era.

       Ela contou do barulho, Tarzan cuidou logo de ir ver e socorrer leninha.

       Zinha e Leninha colocaram o dedo em direção a boca pedindo silencio.

       Tarzan pisou devagar.

        ---O que é?---Perguntou bem de pertinho pra leninha.

        ---É um caboclinho d’água.---Disse ela baixinho.

        Ele segurou com força a mão dela e levou as duas para fora do primeiro salão da pedreira.

       O pessoal curioso tava todo em volta com medo.

       ---Vimos um caboclinho d’água.---Disse Zinha na maior simplicidade.

       Silvia deu a maior gargalhada de sua vida.

       ---Não posso acreditar que vocês acreditam nisso. ---Continuou ela a rir.

       ---Ninguém tem que acreditar em nada tem é que ver. ---Disse Leninha com firmeza.

       ---Alguém mais alem das meninas viram? Você viu Tarzan?

       ---Claro que ele não viu, quando o bichinho viu muito barulho, tratou de correr. ---Disse Zinha.

       ----Nossa! Que medo!.

        Leninha sentiu vontade de esganar Silvia, mas deixou pra lá.

        ----Tem certeza que era o caboclinho? –Perguntou Marcelo olhando firme pras meninas.

        Leninha olhou firme para ele.

        ---Tenho.

        ---A vovó, ontem tava contando as historias desses bichinhos pra nos. ---disse Cirilo.

        ---Então ta explicado. A Leninha ta impressionada e acha que ta vendo coisas.

        ---Eu também vi. ---Afirmou Zinha.

        ---E você Sonia viu?

        ---Não eu só ouvi o barulho, fazia assim: Sschum.Sschum, sem parar. –Respondeu Sonia.

        ---Credo. ---Disse Wanda.—Vamos embora.

        ---Não, vamos montar o pic-nic. Quem quiser come alguma coisa, tomem água e vamos rezar o catecismo, esses bichinhos não fazem mal a ninguém.—Disse Marcelo com firmeza, afinal ele era o responsável pela organização do grupo.

       Eliza mantia-se calada. Davi não tinha certeza se acreditava ou não por via das duvidas não queria se arriscar.

       ---Como vamos fazer pra tomar água. ---perguntou alto.

       ---Vamos lá dentro e pegamos ué. –Respondeu Cirilo.

       Leonardo também se prontificou a ir.

       ---Eu também vou, não tenho medo. ---disse Leninha.

       --- Nem eu---falou Zinha.

       ---Eu por via das duvidas prefiro ficar aqui com Eliza. ---Disse Sonia.

       ---Eu também. ---Disse Eliza apertando a mão de Davi.

       ---Eu vou com eles.

       ---De jeito nenhum você fica aqui pra me proteger. ---pediu Eliza.

       

 

 

 

 

 

                  5- A água

 

 

         Nada de anormal aconteceu, Eliza ficou um pouco com nojo de beber da água, mas a sede bateu mais forte, e suco doce como sua mãe tinha feito não matava a sede. Marcelo explicou que os caboclinhos da água jamais iriam sujar o que era de mais precioso para eles que era a água, só estava estranhando de algum deles estarem ali, sendo que eles só ficavam mais perto de rios, que era onde eles moravam.

       Depois do catecismo os meninos sentaram na sombra, o sol já estava bem quente. Passava um pouco das 9hs.

       ---Você tem certeza que era um caboclinho?---perguntou Tarzan bem baixinho pra leninha.

      Eles estavam deitados um ao lado do outro um pouco mais afastado da turminha.

      ----Tenho, já é a segunda vez que vejo um.

      ---Gostaria de ver algum.

      ---Nunca viu né?

 

 

      ---Não já ouvi as historias de minha mãe também. Lá na fazenda, mamãe disse que eles apareciam muito por causa da cachoeira, ela disse que não podia colocar queijo pra secar na janela que eles vinham e roubavam.

      Leninha sorriu,

      Espontaneamente Tarzan lhe deu um beijo na covinha que formava no rosto dela quando ela sorria.

     Ela gostava quando ele a beijava, era um beijo de carinho, mas ela sabia que era de amor.

     Zinha veio se aproximado, sentou perto deles comendo uma maça.

     ---Querem? –Ofereceu.

     Leninha aceitou um pedaço.    ----Não sei vovó, acho que mais é esse calor.

---É esse ano ta diferente, calor em pleno inverno.

---Pois é eu sei que em julho costuma fazer é frio.

---Acho que o mundo esta mudando. ---Disse dona Ruth. ---Esta na época dos caboclinhos dàgua saírem.

      Cirilo não resistiu à conversa das duas e correu para deitar no quarto da mãe onde dona Ruth conversava com Leninha. Dona Ruth gostava de fazer companhia pros netos ate dona Elza vir deitar.

      ----Chi!!! Lá vem o curioso. ---Disse Leninha.

      ---Eu gosto de ouvir dos caboclinhos d`gua.

      ---Conta vovó. Eu já vi um deles. ---Disse Leninha.

      ---Você já viu de tudo, ate papai-noel. ---Riu Cirilo.

      ----Se não acredita como quer saber. ---Disse dona Ruth.

      ---Eu acho legal, da uma historia.

      ----Pois bem eles vivem perto de cachoeira, lá tem um atalho que chegam mais rápido onde eles moram.

       ----Mas, vovó, ali onde eles ficam não tem cachoeira nenhuma. ---Disse Leninha com um pouco de sono.

        ---É que às vezes eles sentem muito calor e vem procurar algum lugar mais fresco.

        ---Quer um lugar mais fresco que perto de uma cachoeira? –Perguntou Cirilo.

        ---Eu não sei não, cada um conta uma historia, uns dizem que eles moram é nos rios e gostam de fumar e de cachaça. ---Disse Leninha.

         ----O que eu sei e muito mais antigo, do que esses livros. ----Disse dona Ruth.---Meus avós eram donos de escravos e eles contavam que os cabloquinhos dágua viam brincar com seus filhos perto das cachoeiras em noites muito quentes.

          ---Que bonitinho, o Cirilo pode não acreditar, mas eu já vi um no buraco daquele córrego que passa no meio da rua. Eu tava passando na ponte e ouvi um barulhinho parecendo dois menininhos conversando, parei e olhei pra baixo, vi um, ele me olhou e correu.

        ---Já ouvi você contar essa historia um monte de vez só não acredito. Afinal vovó eles são bons ou ruins. ---Perguntou Cirilo abrindo a boca de sono.

        Leninha já tinha fechado os olhos acreditava realmente ter visto um caboclinho e não sentia medo algum, achou ele ate bonitinho.

       ---Acho Cirilo que eles não fazem mal a ninguém, nunca ouvi nesta minha vida toda contar malvadeza deles.

       ---No meu próximo filminho vou colocar um desenho deles.

        ---Faz isso meu neto, faz isso, agora vai deitar, Leninha já ate dormiu.

       ---Vem comigo ate a porta do meu quarto.

        ---Medroso.---Leninha disse com a voz cheia de sono.

       ---- Vamos Cirilo, vamos.

        Leninha sonhou com o caboclinho, ele tinha o formato de um menininho só que mais peludinho, ele levou ela ate sua casa, no sonho eles não moravam dentro do rio, moravam por baixo da cachoeira, não eram muitos, mas pareciam muito felizes.

 

 

 

         3 ---a cidade

 

 

 

                Era um lugar tão pequeno todos se conheciam, não deveria nem ter mistério, mas tinha. A pedreira, ta pra nascer uma pedra tão bonita, ela ocupa a visão de qualquer um que chegue a cidade. Leninha sentava na porta da igreja e não conseguia tirar os olhos dela. Olhava, olhava de todos os ângulos e não cansava.

               ---Acho que essa pedra meche com sua cabeça, ne Leninha.---Dizia Lili quando via os olhos fascinados de Leninha.

             ---Ce acha que algum dia alguém vai pensar em explodir essa pedra, ou vai acontecer algum fenômeno e ela cair?---Perguntou Leninha a amiga.

               ----Nossa Leninha, nunca se Deus quiser e cuidou logo de fazer o em nome do pai.

               ---Não quero nunca ir embora daqui.

                ---Porque você iria?

                ---Todo mundo não acaba indo, buscar a civilização, como dizem, para os filhos estudarem?

                ---Isso é normal aqui não tem faculdade, muito mal ate o terceiro ano.

                 ---É, mas a gente podia mudar isso.

                 ---Como assim Leninha?---A cabeça de Lili não conseguia acompanhar os sonhos de Leninha.

                 ---Ah! Deixa isso pra lá.

                Ate que não era muito difícil fazer isso não, o pessoal interessado em progredir a cidade estava crescendo, os valores também, não existia em lugar nenhum do mundo um lugar mais perfeito do que aquele, a água era a melhor da região. Na casa de Leninha e de Sonia tinha uma mina que brotava uma água limpinha e cristalina, de dentro da pedreira também tinha uma nascente, fresquinha.

             Só que como Lili entendia, infelizmente não tinha como progredir muito.Já tinha duas mercearias, duas farmácias, um correio, dois grupos escolares que já iam ate o ensino médio, tinha uma igreja católica e uma batista, tinha uma biblioteca publica que ficava em cima da prefeitura e do cartório, tinha um posto medico. Não tinha medico direto, mas tudo que precisava de urgência, os dois farmacêuticos davam conta, o que eles não conseguiam a ambulância da prefeitura estava por perto pra correr pra cidade vizinha que tinha um hospital. Então pensava Leninha:- --Não tem como ter mais coisas aqui, só se vier morar mais gente e a cidade crescer mais. Mas isso também ninguém queria tava tão bom assim.

        Faltava também uma antena de televisão.Contavam tantas coisas a respeito de novelas que ela ate tinha curiosidade de conhecer uma, ouvia muitas no radio, deveria ser legal ver na televisão.

       

            No sábado Leninha cuidou logo de falar com Marcelo a respeito do catecismo na pedreira, e do pic-nic.

             Ela foi a casa paroquial .

             ----Oi de casa.---Foi entrando pela casa adentro avisando que ia.

             ---Tem sim Leninha, estou aqui na cozinha.---Respondeu Marcelo reconhecendo a voz de Leninha.—Entre aqui to almoçando.

             ---Nossa! Desculpe Marcelo.Volto depois.

             ---Que desculpa nada, senta aqui come um pouco comigo.

            ----Já almocei faz tempo.

             ---É já é um pouco tarde, mas tinha tanta coisa pra colocar em ordem que acabei perdendo a hora do almoço.

              ----Só vim ver se você quer ir comigo, quero dizer com a turma toda amanhã cedo na pedreira, ai aproveita e ensina o catecismo pra gente não atrasar.

              ---É Cirilo já tinha comentado comigo hoje na hora que jogamos futebol, pra min ta bom, sem problemas, não vamos ter missa pela manha mesmo.

               Cirilo e alguns meninos jogavam um futebolzinho na praça da igreja toda manhã de sábado e quando dava no finalzinho da tarde.

              ----Então ta. É só isso.

               ----Não, agora espera pra tomar um sorvete comigo.

               Ela não pensou duas vezes, Marcelo sabia fazer um creme que ele chamava de sorvete, Leninha e toda a cidade já tinha provado.

               ----Muito bom esse seu sorvete. ---Disse Leninha lambendo os beiços.

                ---Pega mais um pouco.

                ---Não, não eu to satisfeita, quando mamãe comprar uma geladeira quero que você me ensine a fazer.

               ---Claro, quando você quiser.

                Marcelo adorava ver o jeitinho de Leninha, achava ela uma meiguice

 de menina.

                 ----Marcelo, você ta sabendo do sumiço dos palitinhos da cidade?

                 ---É já ouvi comentários, os daqui ainda não sumiram, temos umas boas caixas de fósforo.

                ---Nossa! Não espalha. Também ninguém tem coragem de roubar a casa paroquial.

               ---Você acha que é roubo?---Perguntou Marcelo com uma interrogação, como se Leninha soubesse de tudo.

                ---Sei, não, Seu Pedro da venda disse que a encomenda de caixas de fósforo não ta chegando faz meses, engraçado que isqueiro vem todos.

                 ---Ele não entrou em contato com o fornecedor/

                 ---Não sei, isso eu não perguntei. Então ta.---Disse Leninha levando sua vasilha ate a pia.---Vou arrumar as coisas pra amanhã.

                 ---Já sei, amanha bem cedo.

                 ----É temos que tomar cuidado com sol, ele fica muito quente mais tarde.

                  ---To com mais medo quando começar a chover. –Disse Marcelo

                  ---Não sendo amanhã. Obrigado pelo sorvete. Tchau.---Despediu Leninha saindo correndo da mesma forma que chegou.

                  Marcelo sorriu, e a acompanhou com o olhar ate sumir pela porta.

                         

 

 

 

 

 

 

 

          

 

 

 

 

 

 

                   4-- O pic-nic

 

 

O dia amanheceu bonito, algumas nuvens no céu e um ventinho diferente estavam no ar, mas aqueles dias todos estavam assim, depois o sol ia a pino e era um calorão danado.

      

          ----Vocês tomem cuidados, pra começar a chover de repente não muda nada---Recomendou dona Elza Amarrando o chapéu no pescoço de Leninha.

            Ela sempre que ia andar colocava aquele chapeuzinho na cabeça, era vermelho com bolinhas brancas.

          ---E você Cirilo tome conta de sua irmã e coloque um chapéu também, o sol vai esquentar. ---Disse dona Ruth acabando de colocar o lanche dos meninos em uma cestinha.

          ---Eu acho que vai é chover.

          ---Vire essa boca pra lá. ---Irritou Leninha.

      A turminha toda tava lá.

       Leninha só não gostou quando viu Silvia indo junto, não gostava dela, sabia que ela dava em cima de Tarzan e disso com certeza ela não gostava. Até pediu a Deus para Cirilo não ter convidado o primo, mas não teve jeito ele estava segurando a porteira e de olho vendo leninha se aproximar.

      Ah! Azar. Pensava ela, ele é meu mesmo e disso é a coisa que eu mais tenho certeza desse mundo.

      Elisa ia de mãos dadas com Daniel. Formavam um belo casal. Wanda cuidou logo de ir perto de Leninha.

      ---Eu juro que não queria que ela viesse. —Disse Wanda se referindo a irmã.---Mas mamãe disse que era bom que ele tomava conta de min.

     ---Sei ---Resmungou Leninha sem se importar muito.

      Tarzan foi chegando perto dela.

       ---Hei princesa cada dia mais linda!---Dizia ele ajudando ela a carregar a cesta de pic-nic.

       Leninha o recebeu com um largo sorriso adorava ver ele a elogiando.

        Cirilo e Marcelo cuidaram logo de ficarem perto de Tarzan e Leninha.

        Sonia ia num papo animado com Leonardo que de vez em quando virava para ver leninha.

        ---Tomara que não chova. Eu trouxe um tanto de coisas que mamãe preparou, já ate forrei a entrada da gruta e fiz uma sombra com uma lona de caminhão caso o sol esquente ou chova.—Disse Tarzan.

       ---Nossa! Você madrugou? –Perguntou Leninha toda charmosa.

        ---Nada cheguei agorinha e que já estou acostumado a amarrar a lona nos galhos das arvores.

        ---Não é a toa que você é o Tarzan. ---Riu Cirilo e Marcelo.

 

     Ele estufou o peito e simulou um grito.

      Leninha adorava aquilo.

      Silvia tentava dar um jeito de ser notada, Leninha fingia nem vê-la.

      Estava realmente muito limpo o local que Tarzan esticou a lona, a primeira coisa que a turma fez ao chegar no topo da pedreira foi correr e tomar água da bica.

      Sonia pegou na mão de leninha para serem as primeiras, Zinha também foi atraz.

       Entraram no primeiro salão da pedreira, cansadas, limpando o suor do rosto. Leninha teve a sensação de ter ouvido um barulhinho tipo um zunindo.

       ---Psiu! –Pediu ela as meninas.

       Sonia e Zinha também pareciam ter ouvido alguma coisa.

       Sentiram um pouco de medo, Leninha acostumou com a pouca luz de dentro da pedreira, olhou em direção aonde jorrava a água e viu tipo um menininho correndo a se esconder.

       Sonia medrosa que só ela, saiu correndo pra fora, todo mundo quis logo saber o que era.

       Ela contou do barulho, Tarzan cuidou logo de ir ver e socorrer leninha.

       Zinha e Leninha colocaram o dedo em direção a boca pedindo silencio.

       Tarzan pisou devagar.

        ---O que é?---Perguntou bem de pertinho pra leninha.

        ---É um caboclinho d’água.---Disse ela baixinho.

        Ele segurou com força a mão dela e levou as duas para fora do primeiro salão da pedreira.

       O pessoal curioso tava todo em volta com medo.

       ---Vimos um caboclinho d’água.---Disse Zinha na maior simplicidade.

       Silvia deu a maior gargalhada de sua vida.

       ---Não posso acreditar que vocês acreditam nisso. ---Continuou ela a rir.

       ---Ninguém tem que acreditar em nada tem é que ver. ---Disse Leninha com firmeza.

       ---Alguém mais alem das meninas viram? Você viu Tarzan?

       ---Claro que ele não viu, quando o bichinho viu muito barulho, tratou de correr. ---Disse Zinha.

       ----Nossa! Que medo!.

        Leninha sentiu vontade de esganar Silvia, mas deixou pra lá.

        ----Tem certeza que era o caboclinho? –Perguntou Marcelo olhando firme pras meninas.

        Leninha olhou firme para ele.

        ---Tenho.

        ---A vovó, ontem tava contando as historias desses bichinhos pra nos. ---disse Cirilo.

        ---Então ta explicado. A Leninha ta impressionada e acha que ta vendo coisas.

        ---Eu também vi. ---Afirmou Zinha.

        ---E você Sonia viu?

        ---Não eu só ouvi o barulho, fazia assim: Sschum.Sschum, sem parar. –Respondeu Sonia.

        ---Credo. ---Disse Wanda.—Vamos embora.

        ---Não, vamos montar o pic-nic. Quem quiser come alguma coisa, tomem água e vamos rezar o catecismo, esses bichinhos não fazem mal a ninguém.—Disse Marcelo com firmeza, afinal ele era o responsável pela organização do grupo.

       Eliza mantia-se calada. Davi não tinha certeza se acreditava ou não por via das duvidas não queria se arriscar.

       ---Como vamos fazer pra tomar água. ---perguntou alto.

       ---Vamos lá dentro e pegamos ué. –Respondeu Cirilo.

       Leonardo também se prontificou a ir.

       ---Eu também vou, não tenho medo. ---disse Leninha.

       --- Nem eu---falou Zinha.

       ---Eu por via das duvidas prefiro ficar aqui com Eliza. ---Disse Sonia.

       ---Eu também. ---Disse Eliza apertando a mão de Davi.

       ---Eu vou com eles.

       ---De jeito nenhum você fica aqui pra me proteger. ---pediu Eliza.

       

 

 

 

 

 

                  5- A água

 

 

         Nada de anormal aconteceu, Eliza ficou um pouco com nojo de beber da água, mas a sede bateu mais forte, e suco doce como sua mãe tinha feito não matava a sede. Marcelo explicou que os caboclinhos da água jamais iriam sujar o que era de mais precioso para eles que era a água, só estava estranhando de algum deles estarem ali, sendo que eles só ficavam mais perto de rios, que era onde eles moravam.

       Depois do catecismo os meninos sentaram na sombra, o sol já estava bem quente. Passava um pouco das 9hs.

       ---Você tem certeza que era um caboclinho?---perguntou Tarzan bem baixinho pra leninha.

      Eles estavam deitados um ao lado do outro um pouco mais afastado da turminha.

      ----Tenho, já é a segunda vez que vejo um.

      ---Gostaria de ver algum.

      ---Nunca viu né?

 

 

      ---Não já ouvi as historias de minha mãe também. Lá na fazenda, mamãe disse que eles apareciam muito por causa da cachoeira, ela disse que não podia colocar queijo pra secar na janela que eles vinham e roubavam.

      Leninha sorriu,

      Espontaneamente Tarzan lhe deu um beijo na covinha que formava no rosto dela quando ela sorria.

     Ela gostava quando ele a beijava, era um beijo de carinho, mas ela sabia que era de amor.

     Zinha veio se aproximado, sentou perto deles comendo uma maça.

     ---Querem? –Ofereceu.

     Leninha aceitou um pedaço.----Não sei vovó, acho que mais é esse calor.

---É esse ano ta diferente, calor em pleno inverno.

---Pois é eu sei que em julho costuma fazer é frio.

---Acho que o mundo esta mudando. ---Disse dona Ruth. ---Esta na época dos caboclinhos dàgua saírem.

      Cirilo não resistiu à conversa das duas e correu para deitar no quarto da mãe onde dona Ruth conversava com Leninha. Dona Ruth gostava de fazer companhia pros netos ate dona Elza vir deitar.

      ----Chi!!! Lá vem o curioso. ---Disse Leninha.

      ---Eu gosto de ouvir dos caboclinhos d`gua.

      ---Conta vovó. Eu já vi um deles. ---Disse Leninha.

      ---Você já viu de tudo, ate papai-noel. ---Riu Cirilo.

      ----Se não acredita como quer saber. ---Disse dona Ruth.

      ---Eu acho legal, da uma historia.

      ----Pois bem eles vivem perto de cachoeira, lá tem um atalho que chegam mais rápido onde eles moram.

       ----Mas, vovó, ali onde eles ficam não tem cachoeira nenhuma. ---Disse Leninha com um pouco de sono.

        ---É que às vezes eles sentem muito calor e vem procurar algum lugar mais fresco.

        ---Quer um lugar mais fresco que perto de uma cachoeira? –Perguntou Cirilo.

        ---Eu não sei não, cada um conta uma historia, uns dizem que eles moram é nos rios e gostam de fumar e de cachaça. ---Disse Leninha.

         ----O que eu sei e muito mais antigo, do que esses livros. ----Disse dona Ruth.---Meus avós eram donos de escravos e eles contavam que os cabloquinhos dágua viam brincar com seus filhos perto das cachoeiras em noites muito quentes.

          ---Que bonitinho, o Cirilo pode não acreditar, mas eu já vi um no buraco daquele córrego que passa no meio da rua. Eu tava passando na ponte e ouvi um barulhinho parecendo dois menininhos conversando, parei e olhei pra baixo, vi um, ele me olhou e correu.

        ---Já ouvi você contar essa historia um monte de vez só não acredito. Afinal vovó eles são bons ou ruins. ---Perguntou Cirilo abrindo a boca de sono.

        Leninha já tinha fechado os olhos acreditava realmente ter visto um caboclinho e não sentia medo algum, achou ele ate bonitinho.

       ---Acho Cirilo que eles não fazem mal a ninguém, nunca ouvi nesta minha vida toda contar malvadeza deles.

       ---No meu próximo filminho vou colocar um desenho deles.

        ---Faz isso meu neto, faz isso, agora vai deitar, Leninha já ate dormiu.

       ---Vem comigo ate a porta do meu quarto.

        ---Medroso.---Leninha disse com a voz cheia de sono.

       ---- Vamos Cirilo, vamos.

        Leninha sonhou com o caboclinho, ele tinha o formato de um menininho só que mais peludinho, ele levou ela ate sua casa, no sonho eles não moravam dentro do rio, moravam por baixo da cachoeira, não eram muitos, mas pareciam muito felizes.

 

 

 

         3 ---a cidade

 

 

 

                Era um lugar tão pequeno todos se conheciam, não deveria nem ter mistério, mas tinha. A pedreira, ta pra nascer uma pedra tão bonita, ela ocupa a visão de qualquer um que chegue a cidade. Leninha sentava na porta da igreja e não conseguia tirar os olhos dela. Olhava, olhava de todos os ângulos e não cansava.

               ---Acho que essa pedra meche com sua cabeça, ne Leninha.---Dizia Lili quando via os olhos fascinados de Leninha.

             ---Ce acha que algum dia alguém vai pensar em explodir essa pedra, ou vai acontecer algum fenômeno e ela cair?---Perguntou Leninha a amiga.

               ----Nossa Leninha, nunca se Deus quiser e cuidou logo de fazer o em nome do pai.

               ---Não quero nunca ir embora daqui.

                ---Porque você iria?

                ---Todo mundo não acaba indo, buscar a civilização, como dizem, para os filhos estudarem?

                ---Isso é normal aqui não tem faculdade, muito mal ate o terceiro ano.

                 ---É, mas a gente podia mudar isso.

                 ---Como assim Leninha?---A cabeça de Lili não conseguia acompanhar os sonhos de Leninha.

                 ---Ah! Deixa isso pra lá.

                Ate que não era muito difícil fazer isso não, o pessoal interessado em progredir a cidade estava crescendo, os valores também, não existia em lugar nenhum do mundo um lugar mais perfeito do que aquele, a água era a melhor da região. Na casa de Leninha e de Sonia tinha uma mina que brotava uma água limpinha e cristalina, de dentro da pedreira também tinha uma nascente, fresquinha.

             Só que como Lili entendia, infelizmente não tinha como progredir muito.Já tinha duas mercearias, duas farmácias, um correio, dois grupos escolares que já iam ate o ensino médio, tinha uma igreja católica e uma batista, tinha uma biblioteca publica que ficava em cima da prefeitura e do cartório, tinha um posto medico. Não tinha medico direto, mas tudo que precisava de urgência, os dois farmacêuticos davam conta, o que eles não conseguiam a ambulância da prefeitura estava por perto pra correr pra cidade vizinha que tinha um hospital. Então pensava Leninha:- --Não tem como ter mais coisas aqui, só se vier morar mais gente e a cidade crescer mais. Mas isso também ninguém queria tava tão bom assim.

        Faltava também uma antena de televisão.Contavam tantas coisas a respeito de novelas que ela ate tinha curiosidade de conhecer uma, ouvia muitas no radio, deveria ser legal ver na televisão.

       

            No sábado Leninha cuidou logo de falar com Marcelo a respeito do catecismo na pedreira, e do pic-nic.

             Ela foi a casa paroquial .

             ----Oi de casa.---Foi entrando pela casa adentro avisando que ia.

             ---Tem sim Leninha, estou aqui na cozinha.---Respondeu Marcelo reconhecendo a voz de Leninha.—Entre aqui to almoçando.

             ---Nossa! Desculpe Marcelo.Volto depois.

             ---Que desculpa nada, senta aqui come um pouco comigo.

            ----Já almocei faz tempo.

             ---É já é um pouco tarde, mas tinha tanta coisa pra colocar em ordem que acabei perdendo a hora do almoço.

              ----Só vim ver se você quer ir comigo, quero dizer com a turma toda amanhã cedo na pedreira, ai aproveita e ensina o catecismo pra gente não atrasar.

              ---É Cirilo já tinha comentado comigo hoje na hora que jogamos futebol, pra min ta bom, sem problemas, não vamos ter missa pela manha mesmo.

               Cirilo e alguns meninos jogavam um futebolzinho na praça da igreja toda manhã de sábado e quando dava no finalzinho da tarde.

              ----Então ta. É só isso.

               ----Não, agora espera pra tomar um sorvete comigo.

               Ela não pensou duas vezes, Marcelo sabia fazer um creme que ele chamava de sorvete, Leninha e toda a cidade já tinha provado.

               ----Muito bom esse seu sorvete. ---Disse Leninha lambendo os beiços.

                ---Pega mais um pouco.

                ---Não, não eu to satisfeita, quando mamãe comprar uma geladeira quero que você me ensine a fazer.

               ---Claro, quando você quiser.

                Marcelo adorava ver o jeitinho de Leninha, achava ela uma meiguice

 de menina.

                 ----Marcelo, você ta sabendo do sumiço dos palitinhos da cidade?

                 ---É já ouvi comentários, os daqui ainda não sumiram, temos umas boas caixas de fósforo.

                ---Nossa! Não espalha. Também ninguém tem coragem de roubar a casa paroquial.

               ---Você acha que é roubo?---Perguntou Marcelo com uma interrogação, como se Leninha soubesse de tudo.

                ---Sei, não, Seu Pedro da venda disse que a encomenda de caixas de fósforo não ta chegando faz meses, engraçado que isqueiro vem todos.

                 ---Ele não entrou em contato com o fornecedor/

                 ---Não sei, isso eu não perguntei. Então ta.---Disse Leninha levando sua vasilha ate a pia.---Vou arrumar as coisas pra amanhã.

                 ---Já sei, amanha bem cedo.

                 ----É temos que tomar cuidado com sol, ele fica muito quente mais tarde.

                  ---To com mais medo quando começar a chover. –Disse Marcelo

                  ---Não sendo amanhã. Obrigado pelo sorvete. Tchau.---Despediu Leninha saindo correndo da mesma forma que chegou.

                  Marcelo sorriu, e a acompanhou com o olhar ate sumir pela porta.

                         

 

 

 

 

 

 

 

          

 

 

 

 

 

 

                   4-- O pic-nic

 

 

O dia amanheceu bonito, algumas nuvens no céu e um ventinho diferente estavam no ar, mas aqueles dias todos estavam assim, depois o sol ia a pino e era um calorão danado.

      

          ----Vocês tomem cuidados, pra começar a chover de repente não muda nada---Recomendou dona Elza Amarrando o chapéu no pescoço de Leninha.

            Ela sempre que ia andar colocava aquele chapeuzinho na cabeça, era vermelho com bolinhas brancas.

          ---E você Cirilo tome conta de sua irmã e coloque um chapéu também, o sol vai esquentar. ---Disse dona Ruth acabando de colocar o lanche dos meninos em uma cestinha.

          ---Eu acho que vai é chover.

          ---Vire essa boca pra lá. ---Irritou Leninha.

      A turminha toda tava lá.

       Leninha só não gostou quando viu Silvia indo junto, não gostava dela, sabia que ela dava em cima de Tarzan e disso com certeza ela não gostava. Até pediu a Deus para Cirilo não ter convidado o primo, mas não teve jeito ele estava segurando a porteira e de olho vendo leninha se aproximar.

      Ah! Azar. Pensava ela, ele é meu mesmo e disso é a coisa que eu mais tenho certeza desse mundo.

      Elisa ia de mãos dadas com Daniel. Formavam um belo casal. Wanda cuidou logo de ir perto de Leninha.

      ---Eu juro que não queria que ela viesse. —Disse Wanda se referindo a irmã.---Mas mamãe disse que era bom que ele tomava conta de min.

     ---Sei ---Resmungou Leninha sem se importar muito.

      Tarzan foi chegando perto dela.

       ---Hei princesa cada dia mais linda!---Dizia ele ajudando ela a carregar a cesta de pic-nic.

       Leninha o recebeu com um largo sorriso adorava ver ele a elogiando.

        Cirilo e Marcelo cuidaram logo de ficarem perto de Tarzan e Leninha.

        Sonia ia num papo animado com Leonardo que de vez em quando virava para ver leninha.

        ---Tomara que não chova. Eu trouxe um tanto de coisas que mamãe preparou, já ate forrei a entrada da gruta e fiz uma sombra com uma lona de caminhão caso o sol esquente ou chova.—Disse Tarzan.

       ---Nossa! Você madrugou? –Perguntou Leninha toda charmosa.

        ---Nada cheguei agorinha e que já estou acostumado a amarrar a lona nos galhos das arvores.

        ---Não é a toa que você é o Tarzan. ---Riu Cirilo e Marcelo.

 

     Ele estufou o peito e simulou um grito.

      Leninha adorava aquilo.

      Silvia tentava dar um jeito de ser notada, Leninha fingia nem vê-la.

      Estava realmente muito limpo o local que Tarzan esticou a lona, a primeira coisa que a turma fez ao chegar no topo da pedreira foi correr e tomar água da bica.

      Sonia pegou na mão de leninha para serem as primeiras, Zinha também foi atraz.

       Entraram no primeiro salão da pedreira, cansadas, limpando o suor do rosto. Leninha teve a sensação de ter ouvido um barulhinho tipo um zunindo.

       ---Psiu! –Pediu ela as meninas.

       Sonia e Zinha também pareciam ter ouvido alguma coisa.

       Sentiram um pouco de medo, Leninha acostumou com a pouca luz de dentro da pedreira, olhou em direção aonde jorrava a água e viu tipo um menininho correndo a se esconder.

       Sonia medrosa que só ela, saiu correndo pra fora, todo mundo quis logo saber o que era.

       Ela contou do barulho, Tarzan cuidou logo de ir ver e socorrer leninha.

       Zinha e Leninha colocaram o dedo em direção a boca pedindo silencio.

       Tarzan pisou devagar.

        ---O que é?---Perguntou bem de pertinho pra leninha.

        ---É um caboclinho d’água.---Disse ela baixinho.

        Ele segurou com força a mão dela e levou as duas para fora do primeiro salão da pedreira.

       O pessoal curioso tava todo em volta com medo.

       ---Vimos um caboclinho d’água.---Disse Zinha na maior simplicidade.

       Silvia deu a maior gargalhada de sua vida.

       ---Não posso acreditar que vocês acreditam nisso. ---Continuou ela a rir.

       ---Ninguém tem que acreditar em nada tem é que ver. ---Disse Leninha com firmeza.

       ---Alguém mais alem das meninas viram? Você viu Tarzan?

       ---Claro que ele não viu, quando o bichinho viu muito barulho, tratou de correr. ---Disse Zinha.

       ----Nossa! Que medo!.

        Leninha sentiu vontade de esganar Silvia, mas deixou pra lá.

        ----Tem certeza que era o caboclinho? –Perguntou Marcelo olhando firme pras meninas.

        Leninha olhou firme para ele.

        ---Tenho.

        ---A vovó, ontem tava contando as historias desses bichinhos pra nos. ---disse Cirilo.

        ---Então ta explicado. A Leninha ta impressionada e acha que ta vendo coisas.

        ---Eu também vi. ---Afirmou Zinha.

        ---E você Sonia viu?

        ---Não eu só ouvi o barulho, fazia assim: Sschum.Sschum, sem parar. –Respondeu Sonia.

        ---Credo. ---Disse Wanda.—Vamos embora.

        ---Não, vamos montar o pic-nic. Quem quiser come alguma coisa, tomem água e vamos rezar o catecismo, esses bichinhos não fazem mal a ninguém.—Disse Marcelo com firmeza, afinal ele era o responsável pela organização do grupo.

       Eliza mantia-se calada. Davi não tinha certeza se acreditava ou não por via das duvidas não queria se arriscar.

       ---Como vamos fazer pra tomar água. ---perguntou alto.

       ---Vamos lá dentro e pegamos ué. –Respondeu Cirilo.

       Leonardo também se prontificou a ir.

       ---Eu também vou, não tenho medo. ---disse Leninha.

       --- Nem eu---falou Zinha.

       ---Eu por via das duvidas prefiro ficar aqui com Eliza. ---Disse Sonia.

       ---Eu também. ---Disse Eliza apertando a mão de Davi.

       ---Eu vou com eles.

       ---De jeito nenhum você fica aqui pra me proteger. ---pediu Eliza.

       

 

 

 

 

 

                  5- A água

 

 

         Nada de anormal aconteceu, Eliza ficou um pouco com nojo de beber da água, mas a sede bateu mais forte, e suco doce como sua mãe tinha feito não matava a sede. Marcelo explicou que os caboclinhos da água jamais iriam sujar o que era de mais precioso para eles que era a água, só estava estranhando de algum deles estarem ali, sendo que eles só ficavam mais perto de rios, que era onde eles moravam.

       Depois do catecismo os meninos sentaram na sombra, o sol já estava bem quente. Passava um pouco das 9hs.

       ---Você tem certeza que era um caboclinho?---perguntou Tarzan bem baixinho pra leninha.

      Eles estavam deitados um ao lado do outro um pouco mais afastado da turminha.

      ----Tenho, já é a segunda vez que vejo um.

      ---Gostaria de ver algum.

      ---Nunca viu né?

 

 

      ---Não já ouvi as historias de minha mãe também. Lá na fazenda, mamãe disse que eles apareciam muito por causa da cachoeira, ela disse que não podia colocar queijo pra secar na janela que eles vinham e roubavam.

      Leninha sorriu,

      Espontaneamente Tarzan lhe deu um beijo na covinha que formava no rosto dela quando ela sorria.

     Ela gostava quando ele a beijava, era um beijo de carinho, mas ela sabia que era de amor.

     Zinha veio se aproximado, sentou perto deles comendo uma maça.

     ---Querem? –Ofereceu.

     Leninha aceitou um pedaço.---Vou buscar pra nos. ---Disse Tarzan levantando e indo buscar, ele mesmo tinha trazido as maças, sabia que leninha gostava.

      

      

 

      

     A tempestade

Tava muito bom pra ser verdade, todos se divertiam, brincaram de pic esconde, mesmo com um pouco de receio de irem ate a entrada da gruta. Esqueceram-se do caboclinho d`gua , só Leninha tinha certeza que eles estavam observando.

   Começou a ventar um pouco.

    ----É gente, acho que finalmente vai esfriar um pouco. —Disse Davi.

    Eliza sentiu um arrepio, Daniel cuidou logo de abraça-la.

     Silvia olhava com cara de desprezo, olhava em direção a Tarzan que brincava com Leninha de alguma coisa que usava as mãos para baterem, era escravos de Jô. Wanda as vezes tinha ate pena da irmã achava que se ela fosse menos metida arranjaria um namorado e seria feliz, mas o garoto que ela queria era da melhor amiga dela, era difícil posicionar, mas jamais ela ajudaria a irmã tomar o namorado de Leninha, só se um dia Leninha realmente não mostrasse mais interesse nele, mas isso parecia impossível, o mundo todo de Leninha girava em torno de Tarzan. 

      O pessoal resolveu tirar um cochilo, já passava das 13hs, tinham que se preparar para descer o morro.

    O vento começou a incomodar, foi uma correria danada, todos querendo se abrigar no primeiro salão da pedreira, o medo dos caboclinhos dágua logo foi esquecido.

     Cirilo e Tarzan foram os primeiros a entrarem na gruta abrindo caminho para a turma. A chuva começou forte. Relâmpagos e mais relâmpagos. Parecia um dilúvio, só se ouvia gritinhos aflitos, mas a gruta era grande, tinha uma saliência que dava para todos se abrigarem.

      --Oh! Meu Deus!—Gritou Eliza se agarrando a Davi.

      ---Fiquem calmos, aqui não tem PERIGO—Disse Marcelo tentando acalmar a turma.

Leninha estava agarrada na mão de Tarzan junto também de Zinha e Sonia.

 O que eles podiam fazer era tentar ficar quietos e esperar a chuva passar, mas não parecia ser tão fácil, o dia virou noite, engraçado, não parecia que a chuva fosse cair tão rápido.

    Escutaram um barulhinho.

    --Sschum...sschum...

    ---Oh! Meu Deus eles estão aqui. ---Disse Eliza assustada.

    Silvia também pela primeira vez acreditou ser possível ter mais alguém junto deles.

    Ouviu-se um estrondo, parecia um raio caindo bem perto. O pânico se alastrou uma enxurrada entrou por baixo do lugar onde eles estavam abrigados. Leninha escorregou levando junto Zinha E Sonia agarradas em sua mão.

   --Minha irmã. –Ouviu-se Cirino gritando e tentando agarrar a mão de Leninha.

   Parece que se passou uma eternidade, mas foram poucos minutos. O céu voltou a clarear, as nuvens escuras foram se afastando dando novo aspecto de terra limpa, o cheiro de terra molhada era bom.

    Mas, Cirilo

 Também tinha escorregado junto a Leninha e as amigas. Quando tudo ficou limpo eles não estavam no grupo, o pânico voltou a tomar conta de todos.

Tarzan e Leonardo gritavam a força extrema.

---Leninha! Cirilo! Sonia! Zinha! Por favor, respondam!

Nada nem sinal deles. Do meio das arvores eles podem ver um vulto. Marcelo reconheceu logo que era o homem da vara.

Eliza deu um grito.

---Olhem o homem da vara. –Disse ela.

Ele saiu correndo, quase escorregando por causa das folhas molhadas.

---O que esse homem ta fazendo aqui, tava atrás da gente com certeza. —Disse Daniel

--Vou descer e buscar ajuda pra procurarmos as meninas, todos venham comigo, daqui a pouco escurece, e a responsabilidade de tomar conta de vocês è minha. —disse Marcelo com voz de autoridade.

As meninas trataram logo de recolher o que deu para salvar depois da chuva e foram procurando lugar firme para pisar.

--Eu vou continuar aqui procurando por eles. ---Disse Tarzan aflito.

---Eu também. —Comunicou Leonardo

---Esta bem eu volto com lanterna e ajuda.

Disse Marcelo indo à frente do grupo. Elisa e algumas meninas choravam.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  -----------O buraco-------

 

 

 

Leninha, Sonia e Zinha tinham escorregado e caído dentro de um buraco, Cirilo caiu logo atrás. Parecia outro lugar.

Olhavam para cima, mas não conseguiam ver a profundidade do lugar. Só que era um lugar bonito.

Ouviram o famoso gritinho.

---Sschum...Sschum...

Cirilo começou a rir de nervoso.

---Eles estão aqui!—Disse Zinha.

Sonia ficou parada agarrada a mão de Leninha que tentava visionalizar o local, não acreditava no que via, onde tinha ido parar todo mundo, cadê a chuva?

   O lugar era incrível, cheio de plantas e riozinhos com pequenas cachoeiras.

  ---Onde estamos?—perguntou Leninha se recompondo do susto.

  Todos conseguiram ficar de pé e olhavam ao redor. Ficou um silencio incrível.

  Mas o ---Sschum, sschum se ouvia a todo o momento.

   Um bichinho se aproximou deles. Leninha continuou firme, não tinha medo, Zinha e Cirilo também se comportaram, só Sonia demonstrava insegurança.

--O que vocês querem com a gente?—Perguntou Cirilo assumindo a liderança.

Outro caboclinho da água se aproximou, quando se viram estavam cercados pelo menos por uns 20 bichinhos. Leninha teve um ataque de felicidade, não conseguia explicar, mas se sentia feliz por aquilo tudo. Sempre acreditou neles e agora eles estavam ali ao alcance de suas mãos.

 Eram bem bonitinhos não metiam medo só encantamento, como poderia realmente existir tais criaturinhas, com formato de ser humano e parecendo pequenos sacis-perêrê.

  Um com aparência de ser o líder se aproximou. A roupa deles era feita de folhas de bananeira e parecia aderir ao corpo com uma espécie de barro que parecia uma cola, carregava na mão um cabo feito de talo. Não usavam calçado o pé era pequeno sustentando um par de pernas finas que mais pareciam gravetos todo peludo, era difícil imaginar como se sustentavam em pé, o corpo era pequeno e magro. Ele esboçou um sorriso para Leninha, os dentes eram pequenos e pontiagudos. Leninha prestava muita atenção.

   ---Venham com nos. ---Ele falou.

   Como aquilo era possível, ninguém entendeu nada, como eles podiam falar a língua de gente? Era melhor não ter medo e irem em frente, afinal aquilo era um mundo com certeza de faz de conta.

   Leninha segurou firme a mão de Sonia que a este momento já estava totalmente sem cor e disse:

   --Vamos.

Caminhara atraz dos bichinhos. Cirilo e Zinha já estavam entrando no clima, estavam curiosos para ver aonde aquilo ia dar.

   Chegaram a um lugar cercado por muros feitos de barro com folhagem, e pequenas casinhas parecendo grutas, tinham algumas parecendo serem femininas, a diferença é que tinham pequenas saliências na altura do busto, mas a roupa era igual, se pudesse ser mais detalhada elas tinham o formato da boca e dentes um pouco diferente, poderiam ate serem um pouco mais femininas. Uma delas carregava no colo um bebezinho, era tão pequeno que mais parecia um girino.

  Leninha se aproximou, parecia um gigante no meio deles.

  ---Sentem que assim ficamos mais a vontade para conversar com vocês. ---Disse o líder.

   Teriam que sentar no chão mesmo.

    O chão era verde cheio de grama e limpo. Leninha, Sonia, Zinha e Cirilo sentaram.

     Um deles se aproximou de Sonia.

        ---Fique tranqüila não vamos fazer mal a vocês, pelo contrario, nos é que deveríamos ter medo, olha só a diferença do nosso tamanho.

  Sonia conseguiu sorrir ao tentar comparar eles eram a metade da altura da perna dela.

  ---O que vocês querem com a gente?—Perguntou Zinha em alto e bom som.

  Todo  a olharam era a única que ainda não tinha se pronunciado de alguma maneira.

   Um caboclinho dàgua que parecia ser uma criança foi e tentou sentar perto de Leninha, ela sentiu um pouco de repulsa pelo tamanho do bichinho, mas lhe ofereceu a mão e ele se acomodou no colo dela.

  Ele tinha um cheiro parecendo de mato, mas era um cheiro bom misturava hortelã com eucalipto.

  Todos os outros foram se aproximando dos meninos e foram sentando perto. Quatro pequenas criaturinhas chegaram carregando uma espécie de bandeja com cuias dentro e um cheiro bom de comida.

  ---Vocês devem estar com fome, comam, depois conversamos.

----O que é isso?—Perguntou Leninha.

---E comida de gente, não se preocupe as nossas mulheres sabem cozinhar de um tudo.

Leninha arriscou e provou, era alguma coisa feita com milho e sabor de peixe, achou saboroso.

---È muito bom, podem comer meninas, Cirilo.

O estomago de Sonia era muito sensível, mas ele provou e aprovou depois as mulheres trouxeram um suco feito de maracujá e eles aceitaram sem resistência.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  DE volta à cidade

 

 

 

Marcelo e o resto da turminha, sem Tarzan e Leonardo conseguiram chegar à cidade. Estranharam, pois não parecia ter chovido lá. Marcelo cuidou de pedir a todos para voltarem as suas casas caladas, pois estava tudo muito quieto. Foi ate a farmácia. Seu Juvenal

 Acabava de atender um cliente, se assustou com a aparência de Marcelo, o cabelo estava todo desalinhado.

 ---Nossa Marcelo viu assombração. —Perguntou Sr. Juvenal tranqüilo

---Eu que pergunto ao Sr. Depois dessa tempestade toda como a cidade ta toda seca e tranqüila?

---Que tempestade meu filho?

 Seu Juvenal debruçou no balcão da farmácia para ouvir Marcelo que tentava arrumar os cabelos, dona Laura a esposa de Sr. Juvenal viu o desespero do rapaz e correu a lhe trazer um copo com água e açúcar.

--A tempestade que deu na pedreira, vai me dizer que não choveu nada por aqui nessas uma hora atraz.

---Não aqui continua esse sol queimando a todo vapor.

Ele tomou um pouco da água oferecida por dona Laura. Assentou em um banco da farmácia procurando fôlego.

---Pois e seu Juvenal, lá em cima choveu muito, Leninha, Sônia, Zinha e Cirilo escorregaram em algum lugar, não conseguimos encontra-los, preciso de ajuda para subir lá de novo antes que escureça to com medo de falar com os pais deles afinal o responsável pelo pic- nic era eu.

 Seu Juvenal cuidou de sair de traz do balcão e veio ate o rapaz, dona Laura olhava tentando acalma-lo.

 ---Vamos lá eu vou chamar o Ronald e subimos com você, Vou buscar lanterna e corda, por enquanto não vamos alarmar ninguém, Laura da um tempo e se não voltarmos antes de escurecer por completo, ela chama mais ajuda.

---Claro, eu fico aqui rezando.

Seu Juvenal chamou seu filho que o ajudava na farmácia e estava lá dentro arrumando algumas prateleiras o colocou a par da situação, calçaram botas de borracha, pegaram alguns equipamentos e foram de jipe para não perderem tempo.

Silvia não queria ficar longe dessa aventura, iria ate o fim seria mais uma oportunidade de ficar perto de Tarzan já que Leninha tava sumida. Wanda percebeu que a irmã tava se preparando para sair.

  ---Aonde você vai?

  __vou ajudar nas buscas, ora, o que você tem com isso?

  ---Eu também vou com você, Leninha é minha amiga.

  Marcelo pediu para não espalharmos a noticia até eles resolverem. --- Se você inciste em vir azar o seu, vê se pelos menos traga lanterna e alguma coisa pra gente comer.—Disse Silvia a irmã.

  Wanda pegou uma mochila e o que deu para ela colocar dentro ela colocou. Não queria que dona Elza desconfiasse do que tinha acontecido.

  Passaram rápido de frente da casa de Leninha, graças a Deus não tinha ninguém na rua, seguiram  rumo a pedreira, Davi também estava no caminho não ia abandonar os amigos nessa hora.

  Dona Elza e dona Ruth estavam despreocupadas fazendo as coisas normais de casa nem imaginava a aventura que seus filhos estavam passando.

 

 

Tudo esclarecido (mais ou menos)

 

 

 

Leninha queria algumas explicações.

---Afinal que lugar é esse?---Perguntou ao que parecia líder.----É o nosso lar. ---Respondeu prontamente.

---Mas, exatamente onde fica se já estivemos muitas vezes na pedreira e nunca conseguimos ver isso aqui. —Perguntava atraz de respostas.

---Simples, nunca quisemos que ninguém achasse a gente, força de expressão, não somos gente.

--Afinal quem são vocês?---Perguntou depressa Cirilo.

----Como vocês nos chamam, somos os caboclinhos dàgua.

---Porque caboclinho dágua? Perguntou Sonia.

---Porque estamos aqui para defender a natureza principalmente as águas, de onde todos nos dependemos para viver.

---Então, porque nos estamos aqui, porque vocês deixaram a gente entrar nesse mundo diferente. —disse Leninha, limpando a boca de suco.

 ---Precisamos unir forças, estamos correndo perigo.

 Zinha se assustou.

 ---Perigo de que? ---Perguntou Zinha.

 ---De sermos extintos.

 Leninha prestava atenção.

 --Vou contar pra vocês e quero ver se podem nos ajudar, porque a vida de vocês também depende da nossa.

 --Como assim?—Perguntou atento Cirilo.

 

----Pois bem, se e de seu interesse, pra começar meu nome é Silium, estou nessa vida a mais ou menos 300 anos.

---Nossa! ---Assustou Sonia. ---Como consegui viver tanto.

---Por causa de nossos hábitos alimentares e algumas coisas a mais, mais isso não é o mais importante agora. Tem alguém do mundo de vocês querendo destruir tudo, não sabemos como ele descobriu a nossa entrada secreta, mas ele esta indo atrás dos grandes chefes que tem a chave da destruição.

Sonia começou a tremer tendo que ser levada a algum lugar para deitar um pouco.

---Não preocupe com ela, depois a colocaremos a par do assunto. ---Disse Zinha com curiosidade.

---Nossas mulheres têm o dom de curar tudo, ela vai perder o medo. ---Disse um dos filhos de Silium.

---Pois bem o caminho precisa ser fechado, mas precisamos restituir a paz de novo.

---Porque nos trouxe aqui então, acha que conseguiremos fazer alguma coisa? ---Perguntou Leninha.

----Sim. Você é a única que pode acalmar os ânimos dessa pessoa.

---Por quê?

---Depois vai descobrir.

___Tenho algum poder e não sei?—Brincou Leninha, achando que aquilo tudo era apenas um sonho.

---Todos temos a magia dentro de nos. Vamos descansar que amanha será um dia longo.

---Não podemos ficar aqui, deve todo mundo da cidade estar atrás da gente.

---Isso será resolvido, se vocês não ficarem talvez nem exista mais a cidade de vocês.

Zinha sentiu um calafrio.Silium levou os meninos ate onde Sonia estava, era tudo muito arrumado, ela estava dormindo, parecia estar tranquila. Leninha resmungava com Cirino e Zinha a respeito de tudo. Ficou sabendo que o nome do filho de Silium era Serrion e as filhas Selian e setrina.

Tudo iniciado com S.

Era difícil imaginar aqueles caminhos, então o que poderiam fazer e realmente tentar dormir e esperar o dia amanhecer. Já estava escuro. E depois daqueles copos de suco de maracujá deu uma lambeira danada.

 

 

       Seu Juvenal estava com Marcelo perto do lugar onde tinha começado a enxurrada, encontrou com Tarzan e Leonardo, que estavam todos molhados e cansados de tanto rodar pelo mesmo ponto e não conseguindo nenhum contato com os meninos perdidos.

     ---Meu Deus! O que aconteceu aqui?---Perguntou Ronald sem entender.

---Foi uma tempestade e tanto. ---Respondeu Tarzan. Só que não conseguimos mais ver Leninha, zinha, Sonia e Cirilo. ---O desespero tomava conta de Tarzan.

Marcelo colocou as mãos pra cima fazendo uma prece, pedindo aos céus pra dar uma luz e eles conseguirem achar a turminha, tinha medo que o pior tivesse acontecido. O dia começava a escurecer. Chegou meio sem fôlego Wanda e Silvia.

 ---Meu Deus o que vocês fazem aqui?—Perguntou seu Juvenal.

----Vamos procurar também. —Disse Silvia Olhando para Tarzan.

Esse fingiu nem perceber.

--Daqui a pouco toda a cidade vai estar aqui. ---Disse Leonardo.

---Lá em baixo o sol ainda ta quente. Levamos ate um susto quando vimos que a partir de certo ponto ta esse breu danado. Disse Wanda. —Com a lanterna na mão.

Ouviram um barulho e uma pessoa correndo.

Olharam rápido e puderam identificar o Sr. Varão.

---Psiu!! ---colocou a mão na boca depressa Tarzan. —Esse homem tem alguma coisa a ver com isso, vou tentar segui-lo.

Foram todos atrás, estava muito escuro, mas dava pra ver o mato balançando por onde ele andava. De repente ele sumiu. Tinha entrado numa espécie de buraco.

Tarzan correu tentando alcança-lo. Escorregou, pois o capim estava molhado. Caiu e começou a ser sugado por uma vala. Todos correram para o mesmo lugar e aconteceu o mesmo, a pressão era muita era só se aproximar do lugar e o corpo serem sugado pela vala, eles foram caindo um por um em cima dos outros. Não entenderam nada, também não dava pra ver nada, a lanterna de Wanda tinha sido arremessada não se sabe para onde.

 

Silvia caiu em cima de Tarzan Esse a amparou com os braços. Ninguém estava machucado, mas o susto foi muito.

Não conseguiam ver nada parecia uma gruta. Tinha cheiro de hortelã, parecia que tinha água por perto. Foram ficando em pé o lugar era muito baixo, não dava para o seu Juvenal Ficar totalmente de pé, ele era muito alto, bateu a cabeça no teto. Tatiou um pouco e sentiu uma espécie de musgo. Sabia que ali tinha umidade e água.---Precisamos sair daqui. —Disse.

Silvia cuidou logo de pegar a lanterna que tinha trazido em sua bolsa. Puderam ver que estavam em uma gruta pequena; mas que tinha ar vindo na direção de um buraco não muito grande.

Parece que todos tiveram a mesma idéia e saíram rastejando tentando ganhar a liberdade.

---Como vamos fazer?

 

 Perguntou Marcelo logo após sair daquele lugar -- não sabemos onde estamos.

---Vamos ter que pensar com calma. Também tenho lanterna. --Pegou da mochila e Ronald fez o mesmo, Wanda também com a ajuda da irmã conseguiu achar a sua. ---Não podemos desperdiçar as pilhas.

Conseguiram ver boa parte do caminho, aquele com certeza não era um lugar que eles conheciam.

Tudo era diferente, mais bonito, parecia que o dia estava acabando, mas mesmo assim tinha muita claridade, não muito longe eles notaram que o mato continuava abalançar.

  --Deve ser o Sr varão, vamos atrás - pediu seu Juvenal. Ele tava achando aquilo muito esquisito estava se sentindo num filme de aventura.

  Foram andando procurando não serem notados. Isso parecia um pouco impossível, pois eram muitos e as meninas faziam um pouco de barulho, mas mesmo assim continuara.

À medida que escurecia o medo crescia, acharam melhor escolherem um lugar para passarem a noite, pois sabiam que ficariam  perdidos, o instinto de sobrevivência de Tarzan foi mais forte, ele achou um buraco protegido por folhas olhou lá dentro pra ver se não tinha bicho, pegou alguns gravetos e folhas e fez uma fogueira.

  ---Assim o homem do varão vai achar a gente logo, logo. —Resmungou Silvia.

---É melhor ser achado por ele do que ser pego por algum bicho. —Disse Tarzan.

Ronald e seu Juvenal adiantaram para ajudar, precisavam de um plano, para acharem o mistério daquele lugar.

---Precisamos achar as meninas e Cirilo, será que eles estão por aqui também?

---Eu to com medo. ---disse Wanda.

Ronald cuidou logo de ficar perto dela para protegê-la.

Silvia olhava pra Tarzan,como se pedisse para também ser protegido, vendo que nada ia acontecer, foi pra perto da irmã.

Leonardo sentou perto de Tarzan e lhe ofereceu um biscoito recheado.

----Obrigado. ---Disse ele aceitando alguns. —Eu vi uns coqueiros no caminho, amanhã vou pegar alguns pra nos. Pra não passarmos fome.

---Eu espero que assim que o dia clarear conseguimos ir embora. —Disse Leonardo.

 

 

O Susto

 

Tarzan quando acordou depois de ter passado a maior parte da noite preocupado com o lugar onde estavam, levou um susto ao se deparar com um chimpanzé dormindo quase encostado no seu pé, deu um pinote pra traz assustando todos ali presentes.

----Meu Deus! O que é isso?---O bichinho também acordou e começou a dar cambalhotas batendo no peito fazendo um barulho parecendo rir.

 ----Tarzan dos macacos! –Disse Leonardo rindo, sem medo,achando aquilo muito interessante.

O bichinho parecia feliz tinha trazido uma penca grande de bananas, fazia festas e tentava abraçar as meninas.

 Por fim Tarzan também perdeu o medo e começou a interagir com o chimpanzé.

 Wanda não estava gostando muito daquilo, mas o bichinho parecia mesmo manso, não saia de perto de Tarzan, eles resolveram chamá-lo de Chita para ficar mais original.

  ----A gente precisa pensar pra onde vamos, precisamos marcar mais ou menos o lugar de onde saímos se não vamos acabar nos perdendo. —Disse seu Juvenal.

----É, mas cadê o lugar de onde saímos?  ---Perguntou Ronald olhando para os lados e não conseguindo ver a gruta de onde eles caíram.

----Eu to com medo!—Resmungou Vanda arrependida de ter seguido a cabeça da irmã.

----Então gente, vamos começar a procurar pela Leninha, e o Sr. Varão. Em algum lugar aqui eles estão.

    O lugar era bonito muito verde o cheiro forte de hortelã e eucalipto permanecia no ar, mesmo sem eles verem nenhuma planta com essa referencia. Começaram a andar pegaram mochila, arriscaram comer das bananas que Chita oferecia feliz para eles, eles resolveram ir em direção a uma montanha que parecia ser o ponto mais alto de lá, talvez conseguissem ter uma visão melhor do lugar.

   Enquanto isso Serrion tinha saído, foi dar uma caminhada sentiu alguma coisa diferente no ar, aquelas criaturinhas tinham um mistério que encantava a todos que tinham coragem de ficar perto deles.

Leninha acordou espreguiçando, se sentia muito bem, dormiu tranqüila sem pensar que lugar misterioso era aquele. Não tinha medo, era doida  por novidades, Cirilo entrou no cômodo onde ela estava com Sônia e Zinha.

----E ai meninas vamos começar a aventura?---Disse como se realmente estivesse diante de uma grande aventura.

Sônia se assustou, levantou correndo lembrando que não estava em casa.

Zinha, nem se importou deu um grande sorriso.

---A gente ate que ta bem, mas e o pessoal que não sabe onde estamos eles precisam ter noticias da gente. ---Disse Zinha com um ar de preocupação.

Selian entrou toda meiga dizendo a eles que o café da manha estava pronto.

Leninha agradeceu, lembrou que não tinha escova de dente e nem escova para pentear os cabelos, mas qual não foi sua surpresa ao entrar no cômodo que eles disseram poder usar para as necessidades básicas encontrar escova creme dental, sabonete, pente e todos os itens para uma boa higiene, tudo etiquetado com o nome deles. Zinha entrou logo atrás dela.

---A gente precisa acordar isso aqui não é real. ---Disse baixinho para Leninha.

---Precisamos tomar cuidado com Sônia ela é muito frágil. —Disse Leninha.

---sabe que ela tá até me surpreendendo, ta reagindo bem, ta tomando café e conversando muito parece ter feito amizade com as filhas de Silium-Comentou Zinha abrindo uma fresta na cortina para ela ver onde ela tomava café.

Leninha esboçou um sorriso.

---Vou tomar um banho. ---disse depois de examinar que a água da tina tava quentinha.

---Também vou não suja muito a água. ---Pediu Zinha.

Leninha sorriu.

 

Serrion caminhou até um alto de uma montanha ali perto, não avistou nada, mas tinha certeza que o lugar não estava mais sozinho.

Tarzan sem perceber caminhava ao lado de Chita e não deu conta quando olhou para traz e não viu ninguém por perto.

---Oi Chita, acho que deixamos o pessoal para traz.

Chita dava cambalhotas e se expressava como se tivesse entendido.

Mas era um pouco perigoso, o lugar parecia todo igual, de um lado a outro era tudo limpo, amplo, com arvores enfileiradinhas parecendo que foram medidas ao serem plantadas, e Tarzan teve um pouco de medo.

--Ronald, Marcelo, estão me ouvindo.

Não escutava resposta, o que fazer?

Resolveu voltar, assim talvez encontrasse o pessoal.

---Cadê Tarzan? ---Perguntou Silvia, vendo que não avistava mais o rapaz.

Seu Juvenal ficou preocupado.

---Ele estava na nossa frente agorinha...

---Pois é Papai, e cadê ele?

Silvia pegou na mão de Wanda e começou a correr para ver se alcançava o rapaz, mas nada não via nada.

---Por favor, gente, vamos ficar bem juntos. –pedia Marcelo

---Vamos nos separar em grupos e marcar um ponto de encontro. – Sugeriu Ronald.

 

---Tá certo, mas nos somos tão poucos. Acho, que devíamos permanecer juntos. – Insistiu  Marcelo.

Vanda estava com medo.

Seu Juvenal achou melhor permanecerem juntos.

Tarzan voltou um pouco, resolveu marcar a trilha por onde passava, tinha visto isso em filmes e achou que daria certo, tirou a camisa e rasgou ela em tiras, cada lugar que passava ia amarrando um pedaço do tecido nos galhos baixos das arvores, assim o pessoal também o acharia.

Quando deu por si estava em um alto, parecia que tinha subido a montanha e nem tinha percebido, olhou para baixo e se sentiu em paz, um pouco com medo do desconhecido, mas em paz. Chita não saia do seu lado, a mochila dele tinha um pouco de mantimentos que daria pelo menos para dois dias, preocupou com o pessoal.

---E agora Chita, pra onde vamos?

A macaquinha pulava e puxava a mão dele, parecia ensinar qual caminho tinha que seguir.

 

Silium cuidou logo de ir ver as meninas, pareciam todos prontos pra uma grande caminhada.

---Pra onde vamos? --- Perguntou Zinha.

---Vou mostrar o que esta acontecendo pra vocês.

Sentaram em circulo, as mulheres tinham preparado mantimentos em mochilas para os meninos, e para eles somente cantil com uma espécie de preparado, que era a alimentação básica deles.

 Silium começou a falar.

---Há muitas décadas o mundo, o grande planeta terra tem passado por modificações que o homem em sua grande ignorância, não percebe ou finge não perceber.

Leninha prestava atenção. Zinha não gostou do termo ignorante, mas ficou calada.

---Tem gente que descobriu que pode controlar tudo e quer chegar rápido perto do criador para aprender como dominar tudo.

---O que? ---Cirilo perguntou.

---Não entendi. – Disse Leninha.

---É um pouco complicado, -- tentou explicar Silium. –Mas, é basicamente assim.

Desde a criação do mundo, o mundo todo, quero dizer tudo o que esta feito, porque a criação não para. É só prestarmos atenção tudo é modificado a cada segundo a cada respiração nossa, tudo vai indo e indo, nada tem volta, mesmo se tentamos voltar, nada será igual a um segundo atrás. Tem pessoas que descobriram ou acham que tem poder para isso e querem chegar perto de onde tudo é transformado, sem perceberem que se isso acontecer mesmo vamos ser totalmente extintos, porque  esta meta não pode e nem foi feita para ser descoberta por humanos.

--- Meu Deus! – Suspirou Zinha.

--- Ele mesmo é dele que estamos falando. --- Continuou Silium.

Ele que criou tudo, muitos não acreditam, mas temos um ou vários criadores, e um só que comanda tudo, tudo passa pela aprovação dele, às vezes escapa alguma coisa, mas não por muito tempo, tudo volta a sua forma de criação, nada move sem o consentimento dele.

--- Desculpe, Silium. – disse Leninha – mas como tem gente querendo mexer na transformação?

--- Ai que entramos Leninha, essas pessoas querem transformar o que não pode, então pode destruir alguma coisa e prejudicar muitos.

Cirilo prestava atenção queria ver aonde aquilo ia dar, daria uma boa aventura pro seu próximo filminho.

--- Não vou poder detalhar muito o que temos que fazer, só peço que confiem em mim e me acompanhem, nada de ruim vai acontecer a vocês, se acontecer, não vai ser só com a gente, vai ser por uma boa parte da humanidade.

Se era pra ser assim, então seria, os meninos gostavam de uma boa história e não iam perder essa de jeito nenhum, ficaram e m silencio, se olharam, os olhares diziam tudo, até Sonia a mais medrosa estava em alerta, vestiram as roupas feitas para eles pegaram suas mochilas e forma para a aventura.

Silium chamou Leninha e Cirilo para um particular.

Eles caminharam até a entrada de uma caverna, Sonia e Zinha ficaram esperando lá fora.

Tudo naquele lugar tinha o mesmo cheiro, hortelã e eucalipto, nessa caverna em particular o cheiro era ainda mais forte.

--- Não precisam ficar com medo, a índole de vocês é muito boa, nenhum mal conseguira entrar em vocês.

Leninha suspirou fundo.

--- Tenho uma missão pra você Leninha, e preciso da aprovação de seu irmão.

Cirilo ficou prestando atenção.

Silium caminhou até um lugar que parecia um altar, tinha uma pequena chave pendurada em seu pescoço, ajoelhou como se pedindo licença a alguma entidade e rodou a pequena maçaneta. Fez um barulho de alguma coisa que  não tinha sido aberta já a muito tempo.

De dentro tirou um pequeno frasco escuro, não dava para ver o que tinha dentro. Caminhou de volta até onde estavam os meninos.

--- O que é isso? – Leninha perguntou assim que ele lhe apresentou o pequeno frasco.

--- É a chave do lugar que temos que entrar não posso te explicar de imediato, vocês tem que confiar em mim.

--- Mas, porque minha irmã tem que levar isso? – Cirilo queria confiar, mas não queria colocar a vida de sua irmã em perigo.

--- Teria que contar a vocês uma historia muito longa, e nesse momento cada minuto que perdemos estamos em risco, isso não é nenhum veneno, mas tem que ser guardado com muito cuidado, pois pode quebrar e se isso acontecer tudo o que foi mantido em segredo por mais de mil anos vai por água abaixo.

Silium pegou as mãos de Leninha, essa teve que abaixar até ele, segurou com força o frasco.

--- Guarde Leninha, como se ai dentro estivesse a sua própria alma.

Leninha sentiu um pequeno arrepio. Embrulhou o pequeno frasco com um pedaço de algodão que Silium lhe deu e guardou o frasco no bolso do seu casaco que tinha sido feito pelos pequenos caboclos d’ água.

Saíram daquele lugar em silencio, uma coisa boa que Leninha e Cirilo tinham em comum era saber a hora certa das coisas.

Leninha a pesar da pouca idade parecia que tinha muita experiência de vida, essas coisas que ninguém sabe explicar e ela entendia, não precisava de muita conversa.

Cirilo estava um pouco mais eufórico, mas esperaria.

A caminha seria longa, isso eles sabiam, juntaram a eles 30 pequenos caboclinhos d água.

Todos com um roupa a mais que folha de bananeira, pareciam prontos pra guerra.

Zinha estava achando aquilo tudo muito legal, apertou a mão de Sonia e foram juntas em fila indiana, eles eram minúsculos perto delas, mas pareciam muito resistentes, logo depois que saíram da pequena aldeia, tiveram uma surpresa e medo chegaram algumas criaturinhas que eles nunca tinham ouvido falar, pareciam pequenos pôneis, mas com certeza não eram, eram a montaria deles, estavam com cestas dos lados, com certeza era previsões e a material para montar acampamentos. As duas filhas de Silium também estavam com elas eram as duas únicas fêmea que iam, elas sempre acompanhavam o pai em tudo que ele fazia, as meninas custaram a identificas as duas, se vestiam igual aos outros, nem pareciam meninas.

--- Porque vocês também estão vestidas como guerreiros. --- perguntou Leninha.

--- É mais seguro, e essas roupas bloqueia qualquer tempo, chuva, sol, ventania, esses casacos que vocês estão usando também foi feito do mesmo material que nossas roupas, é como se fosse um tecido mágico.

Leninha sorriu, tinha sentido uma coisa diferente assim que vestiu aquela roupa, era como se a roupa tivesse realmente sido feita sobre medida estava totalmente aderida ao seu corpo, exatamente como a calça comprida, e o calçado era como se estivesse descalço, super leve,

Levou a mão ao bolso onde tinha guardado o frasco e sentiu ele bem acomodado, o bolso tinha um pequeno fecho.

 

 

 

Tarzan

 

Tarzan olhava para todos os lados, não conseguia achar nenhum caminho que tinha sido marcado, sentia que caminhava muito longe, sentiu um pouco de medo, não tinha nenhum ângulo que pudesse identificar a pequena chimpanzé não saia do seu lado, ficou cansado, resolveu sentar um pouco, Chita começou a pular em alerta assim que ele se curvou para sentar em uma grama que achou ser mais limpa, mas qual foi seu susto ao abaixar e parecer ser sugado por um força maior. --- De novo não! --- gritou tendo a mesma sensação de quando caiu à primeira vez no mundo de cima, era assim que pensava estar num outro mundo lá embaixo ou quem sabe dentro da pedreira. Mas ele não foi sugado dessa vez só tinha escorregado e ficou semi preso, parecia uma espécie de armadilha.

Retorcia-se e não conseguia sair do lugar, teve arrependimento de ter rasgado a camisa, aquele capim estava cortando sua pele, Chita correu de um lugar para outro parecia querer ajudar, veio puxando uma espécie de cipó. Jogou pra Tarzan e tentava puxar, com muito esforço ele conseguiu se soltar daquele lugar, abraçou a Chita em agradecimento e ela só ficava dando pequenos gritinhos.

Preciso ter mais cuidado. Resolveu continuar a caminhada, dividiu um pouco de água com sua nova amiga.

Silvia e Wanda já demonstravam sinais de cansaço, eles não tinham conseguido nada, andavam e andavam sem parecer sair do lugar.

Quando ela resolveu encostar em uma arvore para descansar um pouco, tinha ficado para traz do grupo, viu um pequeno tecido amarrado, reconheceu na hora a camisa de Tarzan, tirou e colocou no bolso, não falou para ninguém.

--- Quem vai achar ele sou eu! – Pensou.

Wanda vendo que a irmã tinha ficado para traz foi em direção a ela que caminhava a passos largos em direção oposta do grupo.

--- Silvia espere por mim, onde você esta indo. Gritou Wanda tentando alcançar a irmã.

Leonardo que caminhava perto das duas também foi atrás.

--- Me deixem! --- Dizia ela procurando mais pistas da trilha de Tarzan.

Quando Seu Juvenal se deu conta sentiu falta do trio.

--- Onde estão, Wanda, Silvia e Leonardo?

Ronald olhou em volta assustado.

--- Oh! Meu Deus com certeza ficou pra trás. --- Disse.

--- Vamos sentar e esperar um pouco propôs Marcelo.

David tinha se arrependido de ter deixado Eliza, talvez fosse melhor ele também ter ficado na cidade, estava começando a ficar com medo.

--- Que lugar é esse que não chegamos a lugar nenhum.

O suor escorria do rosto de todos, o sol esquentava no céu, eles não via muita coisa, mas sentia o calor do sol, a mata tinha fechado e não tinham quase nenhuma visão de nada.

Marcelo resolveu conversar um pouco com Deus, seus ensinamentos de convento lhe renderam muita determinação, sabia que aquilo tudo tinha um porque?

--- Estou com fome. – Disse Davi.

--- Vamos comer alguma coisa, precisamos achar um lugar o mais rápido possível, antes do anoitecer. – Disse seu Juvenal.

--- Será que deveríamos voltar e ir atrás das meninas? --- perguntou Ronald.

--- Leonardo esta com elas, vamos esperar um pouco se nada acontecer a gente volta.—Respondeu seu Juvenal.

Silvia parecia desesperada

--- Eu achei, eu achei, é da camisa de Tarzan, eu tenho certeza.

Mostrava a tira de tecido para Wanda e Leonardo.

--- Porque você começou a andar por outro caminho do nosso grupo, quem te disse que o lugar que ele andou não é o mesmo que estamos indo?

Ela parou e sentiu medo.

--- Vamos voltar o pessoal deve estar preocupado com a gente.

Silvia pensou um pouco e decidiu que assim deveria ser melhor, sozinhos estavam correndo mais perigo.

Ouviram uma espécie de gemido.

Wanda correu e se agarrou a Leonardo, esse a acolheu com ternura, começaram a correr sem falar nada, não foi difícil encontrar os outros, pois a mata estava marcada pelos passos deles.

Seu Juvenal ficou feliz de ver os meninos.

---Vocês ouviram o gemido? – perguntou Wanda assim que pararam de correr.

--- Não o que aconteceu que vocês ficaram pra traz? – Perguntou Marcelo agradecendo a Deus dos meninos também não terem se perdido.

Silvia explicou do tecido que achou.

--- Ela queria achar Tarzan, sozinha. --- Explicou Wanda.

Silvia beliscou o braço de Wanda.

--- Olha aqui meninas, somos um grupo, para nos dividir tem que ser uma coisa pensada e planejada por todos, entendeu. – Seu Juvenal estava bravo.

Silvia sentiu um pouco de vergonha misturada com ódio.

--- Mas, e o gemido? – Perguntou Wanda.

--- Acho que deveríamos olhar o que é, e se for Tarzan machucado.

Silvia começou a correr para o lugar que tinha vindo.

--- Tarzan, Tarzan!

--- Ela é doida, esta se arriscando. --- Foi Leonardo atrás dela de novo.

Todos foram juntos.

Com um pouco de medo Wanda segurou firme na mão de Ronald, esse apoiou a menina como um irmão.

--- Socorro!!!

Ouviram o pedido vindo de um buraco coberto por flores.

--- Deixa eu ver. – foi Marcelo e seu Juvenal na frente.

Seu Juvenal afastou umas plantas da frente e tentou ver alguma coisa lá em baixo.

---Quem esta ai? ---perguntou com voz grave.

--- Sou eu Roberto.

Silvia levou um susto, pensou no que tinha acontecido com ele, e tentou não ficar perto, mas ir pra onde? Agora tinha que encarar.

--- Roberto? --- Perguntou Marcelo em voz alta -- que você esta fazendo ai?

---Acho melhor tentarmos tira ele daí e depois perguntar. Disse Ronald soltando a mão de Wanda, essa correu para perto da irmã.

Foi uma batalha e tanto para remover Roberto de dentro do buraco, precisaram usar a corda, Marcelo entrou La e amarrou-o por baixo dos braços, conseguiram remover ele de La.

--- Ele esta todo ralado. —Disse Leonardo.

--- O que você estava fazendo ali? – Perguntou seu Juvenal.

Roberto conseguiu se recompor depois de algum tempo, tomou água e estava um pouco melhor. Começou a contar o que tinha acontecido.

--- Eu, eu ouvi cês contanto pro seu Juvenal o que tinha acontecido com Leninha, eu tinha que vir salvar ela.

Marcelo por um momento lembrou-se do ocorrido com Roberto e sabia do amor que ele tinha por Leninha ter ajudado naquele sofrimento dele.

Silvia resmungou pra irmã.--- Todo mundo tem que babar na Leninha, a boazinha!! Eca!!—Deu uma cuspida.

Wanda não aprovava os modos de Silvia.

--- você é,é invejosa.

Disse e saiu de perto dela.

---Ta, certo Roberto, mas como você veio atrás da gente e nos não te vimos?

Perguntou Marcelo.

Roberto explicou:

--- Logo que vi cês vindo corri, mas cês caíram num buraco e eu fiquei pra trás, ai corri pra ver o tinha acontecido e cai logo atrás.

--- Quanto tempo você tava ali então? – Perguntou Wanda entrando na conversa.

Roberto deu uma olhada pra ela de cima pra baixo que ele sentiu o corpo todo estremecer.

--- Desde ontem a noite, o tempo que cês tão aqui. Por isso to machucado ralei todo, tentei sair sozinho, mas não deu.

--- Ficou com medo? – wanda perguntou.

--- Acha que depois do que passei, posso ter medo de mais alguma coisa nessa vida?

Ninguém teve coragem de responder.

Deram um lanche pra ele, e decidiram romper em caminhada, tinham que aproveitar o dia e achar as Cirilo, Leninha, Sonia e Zinha, agora também Tarzan que estava perdido.

Iam ir pela trilha que Silvia achou o pedaço da camisa de Tarzan.

Wanda evitava ficar perto de Roberto, vá que ele tivesse outra crise, “Pensava sozinha.”

Não seria fácil tal caminhada, eles já estavam exaustos, não teriam comida por muito tempo e não tinha pista de nenhum caminho a seguir.

Tarzan já começava a demonstrar sinais de cansado, até Chita pulava menos, decidiu parar um pouco.

--- Temos que redobrar nossas energias.

Chita como sempre entendia tudo, parou perto dele e se esticou numa grama verdinha, Tarzan fez o mesmo e deitou em uma sombra, o cansaço era tanta que cochilou rapidamente.

Acordou se sentindo olhado. Sentiu um arrepio, precisava procurar abrigo a noite se aproximava, mas que tinha alguém por perto tinha.

Chita também parecia diferente, estava desconfiada.

 Serrion observava de longe o rapaz e a chimpanzé, sabia que eram da mesma turma que tinha visto logo atraz.Tarzan já começava a demonstrar sinais de cansado, até Chita pulava menos, decidiu parar um pouco.

--- temos que redobrar nossas energias.

Chita como sempre entendia tudo, parou perto dele e se esticou numa grama verdinha, Tarzan fez o mesmo e deitou em uma sombra, o cansaço era tanta que cochilou rapidamente.

Serrion estava muito curioso a cerca do cheiro estranho que sentia durante a noite conversou com seu pai.

---Enquanto o sr. Amanha começa a jornada com os meninos, eu vou andar a procura, sinto a presença de mais gente aqui em nossas terras.

Sillium não gostava do jeito do filho falar sobre a terra, a terra é de todos que vivem nela.

Mas, concordou com o filho, se encontrariam mais no final do dia.

---Serrion não esta com a gente! – comentou Leninha com Zinha.

--- Deve ter ficado para proteger as mulheres que ficaram.

--- É, pode ser...

--- Estou preocupada, será que Marcelo e Tarzan vieram atrás da gente?

--- Gostaria que tivessem vindo, mas temo pela segurança deles. --- Disse Zinha.

---Por quê? –Perguntou Leninha.

---Eles não sabem para onde estamos indo, e nem nos.

---Sillium disse que vai explicando pra gente, vamos andar mais perto dele.

Leninha andou um pouquinho mais rápido em companhia de Zinha até o chefe do grupo.

Este estava calado, parecia conversar com a natureza, era um caboclinho sábio precisava passar seus ensinamentos ao grupo.

Andaram calados por umas três horas, era hora de descansar os animais.

Escolheram um lugar perto de um riacho e com arvores.

Todos assim que alimentaram seus animais correram para a agua.

Selian e Setrina foram com Leninha, Sonia e Zinha até o riacho.

A agua era clara e limpa, conseguiram relaxar um pouco, os pés doíam.

--- Falta muito? – Perguntou Sonia.

Setrina respondeu.

--- Só papai sabe o lugar exato.

Serrion acha o grupo.

 

 

Silvia estava deitada de costas tentando descansar um pouco, sentiu uma cocega no pé olhou rápido e levantou de uma só vez assustada.

Serrion estava do seu lado, ela deu um grito.

--- Não grite! – Pediu ele.

--- O que você quer? --- Ela perguntou com a voz tremula.

Serrion estava de tocaia já algumas horas, esperou Silvia se afastar um pouco, achou a moça bonita.

--- Eu que quero saber o que vocês estão procurando em nossas terras.

--- Suas?

--- Sim, aqui é nosso.

Silvia não sabia como se comportar com aquela criatura minúscula falando sua língua, achava que estava vivendo um sonho, ou quem sabe um pesadelo.

--- Estamos procurando nossos amigos, que escorregaram com a chuva.

Serrion então não quis falar mais nada, desapareceu na floresta, ficaria em observação.

Silvia ficou como reagir.

--- Não vai, volta!

Ramon escutou os gritos da moça e correu até ela.

--- O que foi?Ela explicou o ocorrido.

--- Ela deve ter sonhado!--- Disse seu Juvenal

--- Acham que estou doida, era um bichinho peludo e falou comigo, disse que essas terras são deles.

--- Não saia de perto da gente. — Pediu Marcelo.

Wanda segurou a mão da irmã, acreditava nela.

Eles estavam sem rumo, era difícil não tinham nenhuma indicação de lugar a onde ir, só viam muito de longe alguma coisa que parecia a boca de um vulcão, deveria ser o lugar mais alto para olharem embaixo e tentar chegar em algum lugar, ainda bem que todos os lados sempre tinha alguma fonte de agua, era a salvação deles, acharam frutas no caminho, comeram algumas framboesas de tamanho maior que o normal, tudo parecia muito cuidado e limpo.

Talvez não tão limpo, talvez não tão cuidado...

 

 

Leninha estava preocupada com as pessoas que estavam sem saber noticias dela, pensou na mãe e avo já velhinha.

“Vovó já teve ter pedido ajuda a todos os santos, tomara que eles nos ajudem”.

Setrina assentada ao seu lado parecia ler seus pensamentos, Leninha sentiu um arrepio ao cruzar seus olhos com a pequena criatura.

--- Não se preocupe tanto Leninha, no final tudo da certo, nada é igual todos os dias!

Leninha só correspondeu com um sorriso entre os dentes.

__ O que tem depois da montanha? ---Perguntou Sônia indo sentar ao lado das meninas.

--- Não sabemos ao certo, só que papai não deixa ninguém ir pra lá, é como se fosse outras terras, outros donos, igual à de vocês. – Respondeu Selian.

--- Você já foi lá onde moramos?—Zinha ficou curiosa.

--- Não, mas Setrina e Serrion já, eles acham que ainda estou muito nova, é a primeira vez que faço uma viagem tão longa...

Leninha achou engraçado o comentário da menina.

--- Vamos lá pessoal em forma temos muito que caminhar antes do anoitecer. --- Ordenou Sillium.

Assim mais uma vez foram em caminhada, Leninha, Sonia e Zinha sempre ficava perto de Seliam e Setrina, Cirilo andava mais perto dos homens.

Tinha feito amizade com um deles.

Lium era um jovem guerreiro, contou a Cirilo suas muitas andanças pelo pais afora, já tinha ido do outro lado da montanha, conhecia as criaturas de lá.

Cirilo estava entusiasmado com aquilo tudo.

Do outro lado eram as terras dos bruxos, aqueles que achavam que tudo era ruim por consequências dos humanos, eles estavam reunindo aliados para modificar o domínio do planeta, mas seu líder Sillium era muito sábio e sabia que não precisava exterminar nada, precisa ter um consenso e cada um saber lidar com o que temos e viver em harmonia.

 

 

 

 

 

 

 

DO OUTRO LADO

 

Nada era assim, o cheiro de humanos pelo caminho perturbava o nariz deles, não estava bem aquele lugar, pisadas diferentes encontravam pelo caminho.

Seu Juvenal não soube como reagir não tinham armas, só tinham lanternas, foram cercados pelo grupo.

Pareciam pequenos elefantes, mas não eram, o nariz descia pela face, a boca pequena com dentes pontiagudos, braços alongados, pernas musculosas, pelos pelo corpo, orelhas grandes e olhos esbugalhados.

--- Meu Deus! --- Disse alto Marcelo.

O barulho que eles emitiam não parecia ser de Deus.

Eram pequenos grugidos e forte.

Silvia gritava, Wanda tentava acalmar a irmã.

Roberto a segurou firme em uma espécie de abraço, ela não sabia se sentia medo dele ou das criaturas que os cercavam.

Não podiam fazer nada, a única coisa que entendiam é que tinham que ficarem juntos enquanto eles conversavam entre si, se aquilo era uma conversa.

O mais velho do grupo e mais forte aparentemente dava as ordens, numa espécie de dialeto que ninguém entendia.

Griam era o nome que parecia ser dito mais vezes, Ramon prestava muita atenção nos movimentos dele, apesar de serem musculosos não pareciam ter habilidades de serem rápidos.

--- De onde saiu essas criaturas? --- Perguntou Marcelo ao Sr. Juvenal.

--- De tudo o que já li e aprendi nessa minha vida, não vi nessa dessa espécie, parecem ter raciocínio, será que Leninha, Sônia, Zinha e Cirilo caiu nas mãos deles.

--- Temos que acompanha –los seja aonde for, pode ser que eles estejam com eles sim, vamos tentar conversar.

--- Conversar?- Seu Juvenal sorriu.

--- É eu sei algumas línguas, quem sabe consigo alguma coisa.

Marcelo era seminarista, quase se ordenando a padre, conhecia várias cidades e países nesse mundo de Deus, falava bem Italiano, sua terra natal era a Itália, falava francês e um pouco de alemão, sem contar o português e casteliano.

Depois do grande susto, ficou de frente do que parecia ser líder, assustados eles também estavam, sabiam que existia humanos, mas nunca tinham chegado tão perto de um.

Às vezes ficavam observando de dentro da mata o andar de algum deles.

--- Algum de vocês falam nossa língua? – Marcelo falou alto.

Eles pararam de resmungar entre sim, depois do susto da gritaria de Silvia era a primeira vez que ouvia um grugidos dos humanos.

O Mais velho se aproximou de Marcelo, esse continuou firme, Ramon, e seu pai Seu Juvenal ficaram do lado dele.

Apesar da aparência de mal Wanda não sentiu maldade neles, porque eles chegaram até eles, e não teve ameaças, somente chegaram e no fundo, no fundo também não sabiam o que fazer.

Comunicaram-se entre si e um deles saiu correndo pela mata.

Na verdade eles estavam distanciando do grupo de Leninha, estavam fazendo o caminho contrario estavam quase nas terras perigosas.Ramon se aproximou de Wanda numa espécie de proteção as meninas.

As estranhas criaturas os observavam.

Marcelo continuou esperando por uma resposta, não sabia se eles tinham entendido ou se eles tinham mandado buscar mais alguém.

Seu Juvenal sentiu medo, ficou em alerta, a única arma que tinha era um pequeno canivete dentro de sua mochila, as criaturas resolveram sentar em forma de circulo ao redor dos humanos, Marcelo pressentiu que eles esperavam por alguma coisa.

--- Vamos sentar também, vamos ver onde isso vai chegar.

Todos se assentaram a grama era limpa e fresca algumas arvores davam sombra.

Não pareciam que seriam atacados.

 

 

 

Serrion continuava percorrendo a mata já estava a caminho para encontrar seu pai.

Ouviu um pequeno grugido, reconheceu ser de um macaco, não deu muita importância, viviam bem entre os animais, cada um respeitando o seu espaço.

--- Espere Chita!

Ouviu a voz de um humano, resolveu ver quem mais estava em suas terras.

--- “Preciso primeiro ir ver a entrada, tem muito humano por aqui, alguém ou alguma coisa abriu nosso mundo”.

A preocupação dele foi maior que a curiosidade de ver o humano.

Se a entrada ficasse aberta, seriam destruídos mais rápidos, do que o pai dele pensava, tudo seria transformado, o homem com sua ambição de construir abrir espaço para moradias, comercio, estradas acabaria com o planeta mais rápido, esses pequenos paraísos que é a sustentação da terra como se fosse um grande muro de arrimo cairia totalmente.

A tarde caia Chita encontrou uma gruta e gritava pra Tarzan como se mandasse ele entrar para passar a noite.

Estava totalmente perdido, o único ponto de referencia que tinha era aquele pico alto na montanha, sabia que tinha que chegar lá, era como se alguma coisa dissesse que lá era o ponto de encontro.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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