Aventuras
de Leninha
Cirilo estava sentado no degrau da porta do quarto que dava
para a cozinha.
Leninha comia um milho verde cozido que sua avó acabava de
cozinhar.
----Porque vocês
estão tão calados. —Perguntou dona Ruth incomodada com o silencio dos netos.
---I... Vovó
aposto que Cirilo ta com minhoca na cabeça. ---Brincou Leninha.
---Que nada,
respondeu Cirilo. ---Eu to e aqui pensando em como vou fazer para vender
ingresso para esse povo vir ver meus filminhos.
-----Ra!Ra!Ra!
---Riu Leninha. ---Não falei que ele tava com minhoca na cabeça.
---Porque você
não pede palitinhos de fósforo. ---Disse dona Ruth.
--- Fósforo vovó, o que vale fósforo. ---Perguntou
Leninha com a boca cheia de milho.
---Você não sabe de nada mesmo em
Leninha, os fósforos da cidade estão desaparecendo, ninguém tem um palito
sequer,ta valendo ouro.
---Então se não tem como alguém vai
vir no seu cinema.
---È mesmo vovó, como vou fazer?
Dona Ruth resmungou alguma coisa sem
resposta.
---Vou dar um jeito de descobrir. ---Disse
Leninha levantando e saindo da cozinha, dando um jeito de lavar as mãos e a
boca toda suja de sal.
___vou fazer um cartaz e colar na
farmácia do Sr Juvenal, anunciando meu filme.
----E ele vai deixar?—Perguntou dona
Ruth.
---Eu dou ingresso de graça pra ele.
Cirilo era um menino muito
esperto, vira e mexe e dava um jeito de ganhar algum dinheiro, se conseguisse
os palitinhos de fósforo venderia e dava pra comprar o pão, ele era o
responsável pela compra de pão da casa. Naquela época tinha pouca verdura na
horta de dona Ruth, o tempo estava muito seco, fazia calor e quase dois meses
não chovia.
Ele pegou papel celofane fez alguns
desenhos da historia de Moises, colocou na frente de uma caixinha de papelão
com uma lâmpada de lanterna dentro e com isso conseguia projetar as imagens
usando um lençol branco de sua mãe na parede do quarto onde ela usava pra dar a
aulas para os adultos à noite.
Mas Zinha era uma menina muito legal, já tava
dando um jeito de enturmar com as amigas de Leniha era muito inteligente e
esperto, também tinha cinco irmão e a mãe esperava mais um, assim sabia lidar
com muita gente.
Foi chegando correndo a casa de
Zinha, a casa dela ficava um pouco acima da casa de Sonia na mesma rua de
Leninha, eles tinham mudado fazia mais ou menos uns quinze dias, Leninha já
conhecia Zinha da escola, mas nunca tinham conversado ate que eles mudaram pra
lá.
Dona Tânia mãe de Zinha já conhecia
Leninha da igreja, afinal numa cidade tão pequena quem não se conhece, ate
porque Leninha era filha de uma das professoras mais conhecidas do lugar.
___oi dona Tânia, Zinha ta ai.
___chegou correndo leninha.
---Ta sim minha filha, ali no
quartinho brincando com as meninas.
Tinha um cômodo que ficava agarrado
na porta da cozinha. Ele era usado como dispensa, e as meninas usavam uma parte
para brincarem de cazinha, tinha ate um fogão de lenha de verdade.
---Hei Leninha, vem brincar com a
gente.
A casinha tava toda arrumadinha.
---Vocês estão brincando de
que?---Perguntou leninha.
---De comadre.---Cuidou logo de
responder Luiz um dos irmãos de Zinha.
---É, e você vai ser a comadre
Leninha.---Disse Zinha.
Leninha riu e concordou.
Eles brincaram tanto que Leninha ate
esqueceu dos palitinhos de fósforo.
Combinaram de fazer um pic-nic no
domingo logo cedo.
---Assim que o dia clarear.---Disse
Leninha.
---E a missa de
domingo?---Perguntou dona Tânia ouvindo a conversa das meninas.
---Não vai ter missa neste domingo,
mamãe, esqueceu que Marcelo avisou, que o Padre só vai poder celebrar no sábado
e que ele vai fazer um casamento longe.
---Ah! É mesmo, mas tem o
catecismo.
---A gente pede pro Marcelo e ele
ensina o catecismo lá na pedreira, ele vai ate gostar, e ele gosta de ir no
pic-nic com a gente.
----Essa menina da um jeito em
tudo, meu Deus do céu.----Ria dona Tânia com a vassoura na mão, varrendo o
terreiro.
Na verdade Leninha só queria
aproveitar o Maximo possível de seus últimos dias de férias, Sonia estava bem
já havia quase dois meses que não tinha nenhuma crise da doença, porisso dona
Neném achou ate bom ela ir ao Pic-Nic, iria fazer bolo para a meninada levar.
Cirino concordou, mas Leninha prometeu
ajudar na venda dos ingressos, passaria o filme às 18hs daquele domingo.
O cartaz foi pregado.
1--
___O homem da vara
Tinha um homem na cidade que todo mundo,
principalmente as crianças, morriam de medo dele, era só o Sr varão atravessar
a rua que todo mundo corria para um lugar seguro, o apelido dele era varão,
ninguém sabia seu nome de verdade, ele tava sempre com uma vara parecendo uma
bengala na mão, gostava de correr atrás dos outros com aquilo na mão, mas ele
sabia com quem mexia, sabia quem tinha medo dele.
Por isso ele mexia mais com crianças, era
só ele aparecer que elas saiam correndo, e ele ria, nunca chegou a machucar
ninguém, mas ninguém se arriscava. Ele era muito sujo os dentes podres, quando
ria aquele riso maldoso, dava pra ver os dentes pretos e cariados.
Seu Juvenal o dono da farmácia sempre
explicava.
---Quando vocês virem o varão
aproximando andem devagar e deixe-no passar ele vai ver que ninguém tem medo e
não vai ter coragem de mexer com ninguém.
Leninha fez isso uma vez ele foi
andando pro seu lado. ---Ela pensou. ---Não vou correr, se ele fizer alguma
coisa eu corro, ele não consegue me alcançar. Ele vendo que ela não tinha medo
dele só disse.
---Menininha bonitinha. ---E nunca
mais ela correu dele.
Mas mesmo assim a historia daquele
homem era um mistério na cidade. Ninguém sabia de onde ele vinha e porque tinha
vindo parar ali, ele tinha dinheiro, apesar de não andar limpo, nunca pedia
esmola sempre comprava as coisas pra comer e alugou um cômodo perto do grupo
escolar que ficava na parte de baixo da cidade logo na entrada.
Marcelo e dona Elza, mãe de Leninha
fizeram uma visita cristâ a ele, só que ele não falava coisa com coisa, eles
decidiram deixar ele pra lá, era doido, mas não tava prejudicando ninguém, se
isso acontecesse, eles pediriam auxilio a policia e o tirariam da cidade.
---Dona Neném, a sra tem
fósforo?---Perguntou Leninha quando foi chamar Sonia para irem ao pic-nic.
----Não Leninha. Seu Pedro ate fez uma
encomenda grande de caixas de fósforo, mas disse que não chegou.
---Estranho, nunca vi falar que fósforo
acabava assim, como a sra ta ascendendo o fogo. ---Perguntou Sonia.
---Com isqueiro, igual todo mundo da
cidade ta fazendo, isqueiro ta chegando, mas fósforo não. ----Respondeu dona
neném.
---Esquisito!---Comentou Sonia.
Leninha tava com a pulga atraz da
orelha, nunca tinha ouvido falar naquilo. Será que Cirilo teria descoberto
alguma coisa, como ele venderia os ingressos?
Sr. Juvenal não era muito de preocupar com
a vida dos outros, mas já era a terceira vez naquele dia que via o homem da
vara descer da rua da pedreira, estava com a curiosidade à flor da pele, mas
não quis comentar com ninguém, se preocupava, pois sabia que os meninos
gostavam de ir naquela direção, mas coitado do homem não tava mexendo com
ninguém, deixa pra lá—Pensou—E continuou a manipular seus medicamentos.
2---Dona Ruth conta historia
Os meninos estavam inquietos,
não conseguiam pegar no sono.
Dona Elza estava no cômodo
dando aulas, era férias escolares e ela aproveitava para tirar o atraso dos
alunos que estavam interessados em adiantar a matéria, era bom que ele ganhava
um extra, afinal precisava.
----O que você tem Leninha?
----Não sei vovó, acho que mais é esse calor.
---É esse ano ta diferente,
calor em pleno inverno.
---Pois é eu sei que em julho
costuma fazer é frio.
---Acho que o mundo esta mudando.
---Disse dona Ruth. ---Esta na época dos caboclinhos dàgua saírem.
Cirilo não resistiu à conversa das duas e
correu para deitar no quarto da mãe onde dona Ruth conversava com Leninha. Dona
Ruth gostava de fazer companhia pros netos ate dona Elza vir deitar.
----Chi!!! Lá vem o curioso. ---Disse
Leninha.
---Eu gosto de ouvir dos caboclinhos
d`gua.
---Conta vovó. Eu já vi um deles. ---Disse
Leninha.
---Você já viu de tudo, ate papai-noel. ---Riu
Cirilo.
----Se não acredita como quer saber. ---Disse
dona Ruth.
---Eu acho legal, da uma historia.
----Pois bem eles vivem perto de
cachoeira, lá tem um atalho que chegam mais rápido onde eles moram.
----Mas, vovó, ali onde eles ficam não
tem cachoeira nenhuma. ---Disse Leninha com um pouco de sono.
---É que às vezes eles sentem muito
calor e vem procurar algum lugar mais fresco.
---Quer um lugar mais fresco que perto
de uma cachoeira? –Perguntou Cirilo.
---Eu não sei não, cada um conta uma
historia, uns dizem que eles moram é nos rios e gostam de fumar e de cachaça. ---Disse
Leninha.
----O que eu sei e muito mais antigo,
do que esses livros. ----Disse dona Ruth.---Meus avós eram donos de escravos e
eles contavam que os cabloquinhos dágua viam brincar com seus filhos perto das
cachoeiras em noites muito quentes.
---Que bonitinho, o Cirilo pode não
acreditar, mas eu já vi um no buraco daquele córrego que passa no meio da rua.
Eu tava passando na ponte e ouvi um barulhinho parecendo dois menininhos
conversando, parei e olhei pra baixo, vi um, ele me olhou e correu.
---Já ouvi você contar essa historia um
monte de vez só não acredito. Afinal vovó eles são bons ou ruins. ---Perguntou
Cirilo abrindo a boca de sono.
Leninha já tinha fechado os olhos
acreditava realmente ter visto um caboclinho e não sentia medo algum, achou ele
ate bonitinho.
---Acho Cirilo que eles não fazem mal a
ninguém, nunca ouvi nesta minha vida toda contar malvadeza deles.
---No meu próximo filminho vou colocar
um desenho deles.
---Faz isso meu neto, faz isso, agora
vai deitar, Leninha já ate dormiu.
---Vem comigo ate a porta do meu quarto.
---Medroso.---Leninha disse com a voz
cheia de sono.
---- Vamos Cirilo, vamos.
Leninha sonhou com o caboclinho, ele
tinha o formato de um menininho só que mais peludinho, ele levou ela ate sua
casa, no sonho eles não moravam dentro do rio, moravam por baixo da cachoeira,
não eram muitos, mas pareciam muito felizes.
3 ---a cidade
Era um lugar tão pequeno todos
se conheciam, não deveria nem ter mistério, mas tinha. A pedreira, ta pra
nascer uma pedra tão bonita, ela ocupa a visão de qualquer um que chegue a
cidade. Leninha sentava na porta da igreja e não conseguia tirar os olhos dela.
Olhava, olhava de todos os ângulos e não cansava.
---Acho que essa pedra meche com
sua cabeça, ne Leninha.---Dizia Lili quando via os olhos fascinados de Leninha.
---Ce acha que algum dia alguém
vai pensar em explodir essa pedra, ou vai acontecer algum fenômeno e ela
cair?---Perguntou Leninha a amiga.
----Nossa Leninha, nunca se Deus
quiser e cuidou logo de fazer o em nome do pai.
---Não quero nunca ir embora
daqui.
---Porque você iria?
---Todo mundo não acaba indo,
buscar a civilização, como dizem, para os filhos estudarem?
---Isso é normal aqui não tem
faculdade, muito mal ate o terceiro ano.
---É, mas a gente podia mudar
isso.
---Como assim Leninha?---A
cabeça de Lili não conseguia acompanhar os sonhos de Leninha.
---Ah! Deixa isso pra lá.
Ate que não era muito difícil
fazer isso não, o pessoal interessado em progredir a cidade estava crescendo,
os valores também, não existia em lugar nenhum do mundo um lugar mais perfeito
do que aquele, a água era a melhor da região. Na casa de Leninha e de Sonia
tinha uma mina que brotava uma água limpinha e cristalina, de dentro da
pedreira também tinha uma nascente, fresquinha.
Só que como Lili entendia,
infelizmente não tinha como progredir muito.Já tinha duas mercearias, duas
farmácias, um correio, dois grupos escolares que já iam ate o ensino médio,
tinha uma igreja católica e uma batista, tinha uma biblioteca publica que
ficava em cima da prefeitura e do cartório, tinha um posto medico. Não tinha
medico direto, mas tudo que precisava de urgência, os dois farmacêuticos davam conta,
o que eles não conseguiam a ambulância da prefeitura estava por perto pra
correr pra cidade vizinha que tinha um hospital. Então pensava Leninha:- --Não
tem como ter mais coisas aqui, só se vier morar mais gente e a cidade crescer
mais. Mas isso também ninguém queria tava tão bom assim.
Faltava também uma antena de
televisão.Contavam tantas coisas a respeito de novelas que ela ate tinha
curiosidade de conhecer uma, ouvia muitas no radio, deveria ser legal ver na
televisão.
No sábado Leninha cuidou logo de
falar com Marcelo a respeito do catecismo na pedreira, e do pic-nic.
Ela foi a casa paroquial .
----Oi de casa.---Foi entrando
pela casa adentro avisando que ia.
---Tem sim Leninha, estou aqui na
cozinha.---Respondeu Marcelo reconhecendo a voz de Leninha.—Entre aqui to
almoçando.
---Nossa! Desculpe Marcelo.Volto
depois.
---Que desculpa nada, senta aqui
come um pouco comigo.
----Já almocei faz tempo.
---É já é um pouco tarde, mas
tinha tanta coisa pra colocar em ordem que acabei perdendo a hora do almoço.
----Só vim ver se você quer ir
comigo, quero dizer com a turma toda amanhã cedo na pedreira, ai aproveita e
ensina o catecismo pra gente não atrasar.
---É Cirilo já tinha comentado
comigo hoje na hora que jogamos futebol, pra min ta bom, sem problemas, não
vamos ter missa pela manha mesmo.
Cirilo e alguns meninos jogavam
um futebolzinho na praça da igreja toda manhã de sábado e quando dava no
finalzinho da tarde.
----Então ta. É só isso.
----Não, agora espera pra tomar
um sorvete comigo.
Ela não pensou duas vezes,
Marcelo sabia fazer um creme que ele chamava de sorvete, Leninha e toda a
cidade já tinha provado.
----Muito bom esse seu sorvete. ---Disse
Leninha lambendo os beiços.
---Pega mais um pouco.
---Não, não eu to satisfeita,
quando mamãe comprar uma geladeira quero que você me ensine a fazer.
---Claro, quando você quiser.
Marcelo adorava ver o jeitinho
de Leninha, achava ela uma meiguice
de menina.
----Marcelo, você ta sabendo
do sumiço dos palitinhos da cidade?
---É já ouvi comentários, os
daqui ainda não sumiram, temos umas boas caixas de fósforo.
---Nossa! Não espalha. Também
ninguém tem coragem de roubar a casa paroquial.
---Você acha que é
roubo?---Perguntou Marcelo com uma interrogação, como se Leninha soubesse de
tudo.
---Sei, não, Seu Pedro da venda
disse que a encomenda de caixas de fósforo não ta chegando faz meses, engraçado
que isqueiro vem todos.
---Ele não entrou em contato
com o fornecedor/
---Não sei, isso eu não
perguntei. Então ta.---Disse Leninha levando sua vasilha ate a pia.---Vou
arrumar as coisas pra amanhã.
---Já sei, amanha bem cedo.
----É temos que tomar cuidado
com sol, ele fica muito quente mais tarde.
---To com mais medo quando
começar a chover. –Disse Marcelo
---Não sendo amanhã. Obrigado
pelo sorvete. Tchau.---Despediu Leninha saindo correndo da mesma forma que chegou.
Marcelo sorriu, e a
acompanhou com o olhar ate sumir pela porta.
4-- O pic-nic
O dia amanheceu bonito, algumas
nuvens no céu e um ventinho diferente estavam no ar, mas aqueles dias todos
estavam assim, depois o sol ia a pino e era um calorão danado.
----Vocês tomem cuidados, pra começar
a chover de repente não muda nada---Recomendou dona Elza Amarrando o chapéu no
pescoço de Leninha.
Ela sempre que ia andar colocava aquele
chapeuzinho na cabeça, era vermelho com bolinhas brancas.
---E você Cirilo tome conta de sua
irmã e coloque um chapéu também, o sol vai esquentar. ---Disse dona Ruth
acabando de colocar o lanche dos meninos em uma cestinha.
---Eu acho que vai é chover.
---Vire essa boca pra lá. ---Irritou
Leninha.
A turminha toda tava lá.
Leninha só não gostou quando viu Silvia
indo junto, não gostava dela, sabia que ela dava em cima de Tarzan e disso com
certeza ela não gostava. Até pediu a Deus para Cirilo não ter convidado o
primo, mas não teve jeito ele estava segurando a porteira e de olho vendo
leninha se aproximar.
Ah! Azar. Pensava ela, ele é meu mesmo e
disso é a coisa que eu mais tenho certeza desse mundo.
Elisa ia de mãos dadas com Daniel. Formavam
um belo casal. Wanda cuidou logo de ir perto de Leninha.
---Eu juro que não queria que ela viesse.
—Disse Wanda se referindo a irmã.---Mas mamãe disse que era bom que ele tomava
conta de min.
---Sei ---Resmungou Leninha sem se
importar muito.
Tarzan foi chegando perto dela.
---Hei princesa cada dia mais
linda!---Dizia ele ajudando ela a carregar a cesta de pic-nic.
Leninha o recebeu com um largo sorriso
adorava ver ele a elogiando.
Cirilo e Marcelo cuidaram logo de
ficarem perto de Tarzan e Leninha.
Sonia ia num papo animado com Leonardo
que de vez em quando virava para ver leninha.
---Tomara que não chova. Eu trouxe um
tanto de coisas que mamãe preparou, já ate forrei a entrada da gruta e fiz uma
sombra com uma lona de caminhão caso o sol esquente ou chova.—Disse Tarzan.
---Nossa! Você madrugou? –Perguntou
Leninha toda charmosa.
---Nada cheguei agorinha e que já estou
acostumado a amarrar a lona nos galhos das arvores.
---Não é a toa que você é o Tarzan. ---Riu
Cirilo e Marcelo.
Ele estufou o peito e simulou um grito.
Leninha adorava aquilo.
Silvia tentava dar um jeito de ser notada,
Leninha fingia nem vê-la.
Estava realmente muito limpo o local que
Tarzan esticou a lona, a primeira coisa que a turma fez ao chegar no topo da
pedreira foi correr e tomar água da bica.
Sonia pegou na mão de leninha para serem
as primeiras, Zinha também foi atraz.
Entraram no primeiro salão da pedreira,
cansadas, limpando o suor do rosto. Leninha teve a sensação de ter ouvido um
barulhinho tipo um zunindo.
---Psiu! –Pediu ela as meninas.
Sonia e Zinha também pareciam ter ouvido
alguma coisa.
Sentiram um pouco de medo, Leninha
acostumou com a pouca luz de dentro da pedreira, olhou em direção aonde jorrava
a água e viu tipo um menininho correndo a se esconder.
Sonia medrosa que só ela, saiu correndo
pra fora, todo mundo quis logo saber o que era.
Ela contou do barulho, Tarzan cuidou
logo de ir ver e socorrer leninha.
Zinha e Leninha colocaram o dedo em
direção a boca pedindo silencio.
Tarzan pisou devagar.
---O que é?---Perguntou bem de pertinho
pra leninha.
---É um caboclinho d’água.---Disse ela
baixinho.
Ele segurou com força a mão dela e
levou as duas para fora do primeiro salão da pedreira.
O pessoal curioso tava todo em volta com
medo.
---Vimos um caboclinho d’água.---Disse
Zinha na maior simplicidade.
Silvia deu a maior gargalhada de sua
vida.
---Não posso acreditar que vocês
acreditam nisso. ---Continuou ela a rir.
---Ninguém tem que acreditar em nada tem
é que ver. ---Disse Leninha com firmeza.
---Alguém mais alem das meninas viram?
Você viu Tarzan?
---Claro que ele não viu, quando o
bichinho viu muito barulho, tratou de correr. ---Disse Zinha.
----Nossa! Que medo!.
Leninha sentiu vontade de esganar
Silvia, mas deixou pra lá.
----Tem certeza que era o caboclinho?
–Perguntou Marcelo olhando firme pras meninas.
Leninha olhou firme para ele.
---Tenho.
---A vovó, ontem tava contando as
historias desses bichinhos pra nos. ---disse Cirilo.
---Então ta explicado. A Leninha ta
impressionada e acha que ta vendo coisas.
---Eu também vi. ---Afirmou Zinha.
---E você Sonia viu?
---Não eu só ouvi o barulho, fazia
assim: Sschum.Sschum, sem parar. –Respondeu Sonia.
---Credo. ---Disse Wanda.—Vamos embora.
---Não, vamos montar o pic-nic. Quem
quiser come alguma coisa, tomem água e vamos rezar o catecismo, esses bichinhos
não fazem mal a ninguém.—Disse Marcelo com firmeza, afinal ele era o responsável
pela organização do grupo.
Eliza mantia-se calada. Davi não tinha
certeza se acreditava ou não por via das duvidas não queria se arriscar.
---Como vamos fazer pra tomar água. ---perguntou
alto.
---Vamos lá dentro e pegamos ué.
–Respondeu Cirilo.
Leonardo também se prontificou a ir.
---Eu também vou, não tenho medo.
---disse Leninha.
--- Nem eu---falou Zinha.
---Eu por via das duvidas prefiro ficar
aqui com Eliza. ---Disse Sonia.
---Eu também. ---Disse Eliza apertando a
mão de Davi.
---Eu vou com eles.
---De jeito nenhum você fica aqui pra me
proteger. ---pediu Eliza.
5- A água
Nada de anormal aconteceu, Eliza ficou
um pouco com nojo de beber da água, mas a sede bateu mais forte, e suco doce
como sua mãe tinha feito não matava a sede. Marcelo explicou que os caboclinhos
da água jamais iriam sujar o que era de mais precioso para eles que era a água,
só estava estranhando de algum deles estarem ali, sendo que eles só ficavam
mais perto de rios, que era onde eles moravam.
Depois do catecismo os meninos sentaram
na sombra, o sol já estava bem quente. Passava um pouco das 9hs.
---Você tem certeza que era um
caboclinho?---perguntou Tarzan bem baixinho pra leninha.
Eles estavam deitados um ao lado do outro
um pouco mais afastado da turminha.
----Tenho, já é a segunda vez que vejo
um.
---Gostaria de ver algum.
---Nunca viu né?
---Não já ouvi as historias de minha mãe
também. Lá na fazenda, mamãe disse que eles apareciam muito por causa da
cachoeira, ela disse que não podia colocar queijo pra secar na janela que eles
vinham e roubavam.
Leninha sorriu,
Espontaneamente Tarzan lhe deu um beijo
na covinha que formava no rosto dela quando ela sorria.
Ela gostava quando ele a beijava, era um
beijo de carinho, mas ela sabia que era de amor.
Zinha veio se aproximado, sentou perto
deles comendo uma maça.
---Querem? –Ofereceu.
Leninha aceitou um pedaço.
---É esse ano ta diferente,
calor em pleno inverno.
---Pois é eu sei que em julho
costuma fazer é frio.
---Acho que o mundo esta mudando.
---Disse dona Ruth. ---Esta na época dos caboclinhos dàgua saírem.
Cirilo não resistiu à conversa das duas e
correu para deitar no quarto da mãe onde dona Ruth conversava com Leninha. Dona
Ruth gostava de fazer companhia pros netos ate dona Elza vir deitar.
----Chi!!! Lá vem o curioso. ---Disse
Leninha.
---Eu gosto de ouvir dos caboclinhos
d`gua.
---Conta vovó. Eu já vi um deles. ---Disse
Leninha.
---Você já viu de tudo, ate papai-noel. ---Riu
Cirilo.
----Se não acredita como quer saber. ---Disse
dona Ruth.
---Eu acho legal, da uma historia.
----Pois bem eles vivem perto de
cachoeira, lá tem um atalho que chegam mais rápido onde eles moram.
----Mas, vovó, ali onde eles ficam não
tem cachoeira nenhuma. ---Disse Leninha com um pouco de sono.
---É que às vezes eles sentem muito
calor e vem procurar algum lugar mais fresco.
---Quer um lugar mais fresco que perto
de uma cachoeira? –Perguntou Cirilo.
---Eu não sei não, cada um conta uma
historia, uns dizem que eles moram é nos rios e gostam de fumar e de cachaça. ---Disse
Leninha.
----O que eu sei e muito mais antigo,
do que esses livros. ----Disse dona Ruth.---Meus avós eram donos de escravos e
eles contavam que os cabloquinhos dágua viam brincar com seus filhos perto das
cachoeiras em noites muito quentes.
---Que bonitinho, o Cirilo pode não
acreditar, mas eu já vi um no buraco daquele córrego que passa no meio da rua.
Eu tava passando na ponte e ouvi um barulhinho parecendo dois menininhos
conversando, parei e olhei pra baixo, vi um, ele me olhou e correu.
---Já ouvi você contar essa historia um
monte de vez só não acredito. Afinal vovó eles são bons ou ruins. ---Perguntou
Cirilo abrindo a boca de sono.
Leninha já tinha fechado os olhos
acreditava realmente ter visto um caboclinho e não sentia medo algum, achou ele
ate bonitinho.
---Acho Cirilo que eles não fazem mal a
ninguém, nunca ouvi nesta minha vida toda contar malvadeza deles.
---No meu próximo filminho vou colocar
um desenho deles.
---Faz isso meu neto, faz isso, agora
vai deitar, Leninha já ate dormiu.
---Vem comigo ate a porta do meu quarto.
---Medroso.---Leninha disse com a voz
cheia de sono.
---- Vamos Cirilo, vamos.
Leninha sonhou com o caboclinho, ele
tinha o formato de um menininho só que mais peludinho, ele levou ela ate sua
casa, no sonho eles não moravam dentro do rio, moravam por baixo da cachoeira,
não eram muitos, mas pareciam muito felizes.
3 ---a cidade
Era um lugar tão pequeno todos
se conheciam, não deveria nem ter mistério, mas tinha. A pedreira, ta pra
nascer uma pedra tão bonita, ela ocupa a visão de qualquer um que chegue a
cidade. Leninha sentava na porta da igreja e não conseguia tirar os olhos dela.
Olhava, olhava de todos os ângulos e não cansava.
---Acho que essa pedra meche com
sua cabeça, ne Leninha.---Dizia Lili quando via os olhos fascinados de Leninha.
---Ce acha que algum dia alguém
vai pensar em explodir essa pedra, ou vai acontecer algum fenômeno e ela
cair?---Perguntou Leninha a amiga.
----Nossa Leninha, nunca se Deus
quiser e cuidou logo de fazer o em nome do pai.
---Não quero nunca ir embora
daqui.
---Porque você iria?
---Todo mundo não acaba indo,
buscar a civilização, como dizem, para os filhos estudarem?
---Isso é normal aqui não tem
faculdade, muito mal ate o terceiro ano.
---É, mas a gente podia mudar
isso.
---Como assim Leninha?---A
cabeça de Lili não conseguia acompanhar os sonhos de Leninha.
---Ah! Deixa isso pra lá.
Ate que não era muito difícil
fazer isso não, o pessoal interessado em progredir a cidade estava crescendo,
os valores também, não existia em lugar nenhum do mundo um lugar mais perfeito
do que aquele, a água era a melhor da região. Na casa de Leninha e de Sonia
tinha uma mina que brotava uma água limpinha e cristalina, de dentro da
pedreira também tinha uma nascente, fresquinha.
Só que como Lili entendia,
infelizmente não tinha como progredir muito.Já tinha duas mercearias, duas
farmácias, um correio, dois grupos escolares que já iam ate o ensino médio,
tinha uma igreja católica e uma batista, tinha uma biblioteca publica que
ficava em cima da prefeitura e do cartório, tinha um posto medico. Não tinha
medico direto, mas tudo que precisava de urgência, os dois farmacêuticos davam conta,
o que eles não conseguiam a ambulância da prefeitura estava por perto pra
correr pra cidade vizinha que tinha um hospital. Então pensava Leninha:- --Não
tem como ter mais coisas aqui, só se vier morar mais gente e a cidade crescer
mais. Mas isso também ninguém queria tava tão bom assim.
Faltava também uma antena de
televisão.Contavam tantas coisas a respeito de novelas que ela ate tinha
curiosidade de conhecer uma, ouvia muitas no radio, deveria ser legal ver na
televisão.
No sábado Leninha cuidou logo de
falar com Marcelo a respeito do catecismo na pedreira, e do pic-nic.
Ela foi a casa paroquial .
----Oi de casa.---Foi entrando
pela casa adentro avisando que ia.
---Tem sim Leninha, estou aqui na
cozinha.---Respondeu Marcelo reconhecendo a voz de Leninha.—Entre aqui to
almoçando.
---Nossa! Desculpe Marcelo.Volto
depois.
---Que desculpa nada, senta aqui
come um pouco comigo.
----Já almocei faz tempo.
---É já é um pouco tarde, mas
tinha tanta coisa pra colocar em ordem que acabei perdendo a hora do almoço.
----Só vim ver se você quer ir
comigo, quero dizer com a turma toda amanhã cedo na pedreira, ai aproveita e
ensina o catecismo pra gente não atrasar.
---É Cirilo já tinha comentado
comigo hoje na hora que jogamos futebol, pra min ta bom, sem problemas, não
vamos ter missa pela manha mesmo.
Cirilo e alguns meninos jogavam
um futebolzinho na praça da igreja toda manhã de sábado e quando dava no
finalzinho da tarde.
----Então ta. É só isso.
----Não, agora espera pra tomar
um sorvete comigo.
Ela não pensou duas vezes,
Marcelo sabia fazer um creme que ele chamava de sorvete, Leninha e toda a
cidade já tinha provado.
----Muito bom esse seu sorvete. ---Disse
Leninha lambendo os beiços.
---Pega mais um pouco.
---Não, não eu to satisfeita,
quando mamãe comprar uma geladeira quero que você me ensine a fazer.
---Claro, quando você quiser.
Marcelo adorava ver o jeitinho
de Leninha, achava ela uma meiguice
de menina.
----Marcelo, você ta sabendo
do sumiço dos palitinhos da cidade?
---É já ouvi comentários, os
daqui ainda não sumiram, temos umas boas caixas de fósforo.
---Nossa! Não espalha. Também
ninguém tem coragem de roubar a casa paroquial.
---Você acha que é
roubo?---Perguntou Marcelo com uma interrogação, como se Leninha soubesse de
tudo.
---Sei, não, Seu Pedro da venda
disse que a encomenda de caixas de fósforo não ta chegando faz meses, engraçado
que isqueiro vem todos.
---Ele não entrou em contato
com o fornecedor/
---Não sei, isso eu não
perguntei. Então ta.---Disse Leninha levando sua vasilha ate a pia.---Vou
arrumar as coisas pra amanhã.
---Já sei, amanha bem cedo.
----É temos que tomar cuidado
com sol, ele fica muito quente mais tarde.
---To com mais medo quando
começar a chover. –Disse Marcelo
---Não sendo amanhã. Obrigado
pelo sorvete. Tchau.---Despediu Leninha saindo correndo da mesma forma que chegou.
Marcelo sorriu, e a
acompanhou com o olhar ate sumir pela porta.
4-- O pic-nic
O dia amanheceu bonito, algumas
nuvens no céu e um ventinho diferente estavam no ar, mas aqueles dias todos
estavam assim, depois o sol ia a pino e era um calorão danado.
----Vocês tomem cuidados, pra começar
a chover de repente não muda nada---Recomendou dona Elza Amarrando o chapéu no
pescoço de Leninha.
Ela sempre que ia andar colocava aquele
chapeuzinho na cabeça, era vermelho com bolinhas brancas.
---E você Cirilo tome conta de sua
irmã e coloque um chapéu também, o sol vai esquentar. ---Disse dona Ruth
acabando de colocar o lanche dos meninos em uma cestinha.
---Eu acho que vai é chover.
---Vire essa boca pra lá. ---Irritou
Leninha.
A turminha toda tava lá.
Leninha só não gostou quando viu Silvia
indo junto, não gostava dela, sabia que ela dava em cima de Tarzan e disso com
certeza ela não gostava. Até pediu a Deus para Cirilo não ter convidado o
primo, mas não teve jeito ele estava segurando a porteira e de olho vendo
leninha se aproximar.
Ah! Azar. Pensava ela, ele é meu mesmo e
disso é a coisa que eu mais tenho certeza desse mundo.
Elisa ia de mãos dadas com Daniel. Formavam
um belo casal. Wanda cuidou logo de ir perto de Leninha.
---Eu juro que não queria que ela viesse.
—Disse Wanda se referindo a irmã.---Mas mamãe disse que era bom que ele tomava
conta de min.
---Sei ---Resmungou Leninha sem se
importar muito.
Tarzan foi chegando perto dela.
---Hei princesa cada dia mais
linda!---Dizia ele ajudando ela a carregar a cesta de pic-nic.
Leninha o recebeu com um largo sorriso
adorava ver ele a elogiando.
Cirilo e Marcelo cuidaram logo de
ficarem perto de Tarzan e Leninha.
Sonia ia num papo animado com Leonardo
que de vez em quando virava para ver leninha.
---Tomara que não chova. Eu trouxe um
tanto de coisas que mamãe preparou, já ate forrei a entrada da gruta e fiz uma
sombra com uma lona de caminhão caso o sol esquente ou chova.—Disse Tarzan.
---Nossa! Você madrugou? –Perguntou
Leninha toda charmosa.
---Nada cheguei agorinha e que já estou
acostumado a amarrar a lona nos galhos das arvores.
---Não é a toa que você é o Tarzan. ---Riu
Cirilo e Marcelo.
Ele estufou o peito e simulou um grito.
Leninha adorava aquilo.
Silvia tentava dar um jeito de ser notada,
Leninha fingia nem vê-la.
Estava realmente muito limpo o local que
Tarzan esticou a lona, a primeira coisa que a turma fez ao chegar no topo da
pedreira foi correr e tomar água da bica.
Sonia pegou na mão de leninha para serem
as primeiras, Zinha também foi atraz.
Entraram no primeiro salão da pedreira,
cansadas, limpando o suor do rosto. Leninha teve a sensação de ter ouvido um
barulhinho tipo um zunindo.
---Psiu! –Pediu ela as meninas.
Sonia e Zinha também pareciam ter ouvido
alguma coisa.
Sentiram um pouco de medo, Leninha
acostumou com a pouca luz de dentro da pedreira, olhou em direção aonde jorrava
a água e viu tipo um menininho correndo a se esconder.
Sonia medrosa que só ela, saiu correndo
pra fora, todo mundo quis logo saber o que era.
Ela contou do barulho, Tarzan cuidou
logo de ir ver e socorrer leninha.
Zinha e Leninha colocaram o dedo em
direção a boca pedindo silencio.
Tarzan pisou devagar.
---O que é?---Perguntou bem de pertinho
pra leninha.
---É um caboclinho d’água.---Disse ela
baixinho.
Ele segurou com força a mão dela e
levou as duas para fora do primeiro salão da pedreira.
O pessoal curioso tava todo em volta com
medo.
---Vimos um caboclinho d’água.---Disse
Zinha na maior simplicidade.
Silvia deu a maior gargalhada de sua
vida.
---Não posso acreditar que vocês
acreditam nisso. ---Continuou ela a rir.
---Ninguém tem que acreditar em nada tem
é que ver. ---Disse Leninha com firmeza.
---Alguém mais alem das meninas viram?
Você viu Tarzan?
---Claro que ele não viu, quando o
bichinho viu muito barulho, tratou de correr. ---Disse Zinha.
----Nossa! Que medo!.
Leninha sentiu vontade de esganar
Silvia, mas deixou pra lá.
----Tem certeza que era o caboclinho?
–Perguntou Marcelo olhando firme pras meninas.
Leninha olhou firme para ele.
---Tenho.
---A vovó, ontem tava contando as
historias desses bichinhos pra nos. ---disse Cirilo.
---Então ta explicado. A Leninha ta
impressionada e acha que ta vendo coisas.
---Eu também vi. ---Afirmou Zinha.
---E você Sonia viu?
---Não eu só ouvi o barulho, fazia
assim: Sschum.Sschum, sem parar. –Respondeu Sonia.
---Credo. ---Disse Wanda.—Vamos embora.
---Não, vamos montar o pic-nic. Quem
quiser come alguma coisa, tomem água e vamos rezar o catecismo, esses bichinhos
não fazem mal a ninguém.—Disse Marcelo com firmeza, afinal ele era o responsável
pela organização do grupo.
Eliza mantia-se calada. Davi não tinha
certeza se acreditava ou não por via das duvidas não queria se arriscar.
---Como vamos fazer pra tomar água. ---perguntou
alto.
---Vamos lá dentro e pegamos ué.
–Respondeu Cirilo.
Leonardo também se prontificou a ir.
---Eu também vou, não tenho medo.
---disse Leninha.
--- Nem eu---falou Zinha.
---Eu por via das duvidas prefiro ficar
aqui com Eliza. ---Disse Sonia.
---Eu também. ---Disse Eliza apertando a
mão de Davi.
---Eu vou com eles.
---De jeito nenhum você fica aqui pra me
proteger. ---pediu Eliza.
5- A água
Nada de anormal aconteceu, Eliza ficou
um pouco com nojo de beber da água, mas a sede bateu mais forte, e suco doce
como sua mãe tinha feito não matava a sede. Marcelo explicou que os caboclinhos
da água jamais iriam sujar o que era de mais precioso para eles que era a água,
só estava estranhando de algum deles estarem ali, sendo que eles só ficavam
mais perto de rios, que era onde eles moravam.
Depois do catecismo os meninos sentaram
na sombra, o sol já estava bem quente. Passava um pouco das 9hs.
---Você tem certeza que era um
caboclinho?---perguntou Tarzan bem baixinho pra leninha.
Eles estavam deitados um ao lado do outro
um pouco mais afastado da turminha.
----Tenho, já é a segunda vez que vejo
um.
---Gostaria de ver algum.
---Nunca viu né?
---Não já ouvi as historias de minha mãe
também. Lá na fazenda, mamãe disse que eles apareciam muito por causa da
cachoeira, ela disse que não podia colocar queijo pra secar na janela que eles
vinham e roubavam.
Leninha sorriu,
Espontaneamente Tarzan lhe deu um beijo
na covinha que formava no rosto dela quando ela sorria.
Ela gostava quando ele a beijava, era um
beijo de carinho, mas ela sabia que era de amor.
Zinha veio se aproximado, sentou perto
deles comendo uma maça.
---Querem? –Ofereceu.
Leninha aceitou um pedaço.
---É esse ano ta diferente,
calor em pleno inverno.
---Pois é eu sei que em julho
costuma fazer é frio.
---Acho que o mundo esta mudando.
---Disse dona Ruth. ---Esta na época dos caboclinhos dàgua saírem.
Cirilo não resistiu à conversa das duas e
correu para deitar no quarto da mãe onde dona Ruth conversava com Leninha. Dona
Ruth gostava de fazer companhia pros netos ate dona Elza vir deitar.
----Chi!!! Lá vem o curioso. ---Disse
Leninha.
---Eu gosto de ouvir dos caboclinhos
d`gua.
---Conta vovó. Eu já vi um deles. ---Disse
Leninha.
---Você já viu de tudo, ate papai-noel. ---Riu
Cirilo.
----Se não acredita como quer saber. ---Disse
dona Ruth.
---Eu acho legal, da uma historia.
----Pois bem eles vivem perto de
cachoeira, lá tem um atalho que chegam mais rápido onde eles moram.
----Mas, vovó, ali onde eles ficam não
tem cachoeira nenhuma. ---Disse Leninha com um pouco de sono.
---É que às vezes eles sentem muito
calor e vem procurar algum lugar mais fresco.
---Quer um lugar mais fresco que perto
de uma cachoeira? –Perguntou Cirilo.
---Eu não sei não, cada um conta uma
historia, uns dizem que eles moram é nos rios e gostam de fumar e de cachaça. ---Disse
Leninha.
----O que eu sei e muito mais antigo,
do que esses livros. ----Disse dona Ruth.---Meus avós eram donos de escravos e
eles contavam que os cabloquinhos dágua viam brincar com seus filhos perto das
cachoeiras em noites muito quentes.
---Que bonitinho, o Cirilo pode não
acreditar, mas eu já vi um no buraco daquele córrego que passa no meio da rua.
Eu tava passando na ponte e ouvi um barulhinho parecendo dois menininhos
conversando, parei e olhei pra baixo, vi um, ele me olhou e correu.
---Já ouvi você contar essa historia um
monte de vez só não acredito. Afinal vovó eles são bons ou ruins. ---Perguntou
Cirilo abrindo a boca de sono.
Leninha já tinha fechado os olhos
acreditava realmente ter visto um caboclinho e não sentia medo algum, achou ele
ate bonitinho.
---Acho Cirilo que eles não fazem mal a
ninguém, nunca ouvi nesta minha vida toda contar malvadeza deles.
---No meu próximo filminho vou colocar
um desenho deles.
---Faz isso meu neto, faz isso, agora
vai deitar, Leninha já ate dormiu.
---Vem comigo ate a porta do meu quarto.
---Medroso.---Leninha disse com a voz
cheia de sono.
---- Vamos Cirilo, vamos.
Leninha sonhou com o caboclinho, ele
tinha o formato de um menininho só que mais peludinho, ele levou ela ate sua
casa, no sonho eles não moravam dentro do rio, moravam por baixo da cachoeira,
não eram muitos, mas pareciam muito felizes.
3 ---a cidade
Era um lugar tão pequeno todos
se conheciam, não deveria nem ter mistério, mas tinha. A pedreira, ta pra
nascer uma pedra tão bonita, ela ocupa a visão de qualquer um que chegue a
cidade. Leninha sentava na porta da igreja e não conseguia tirar os olhos dela.
Olhava, olhava de todos os ângulos e não cansava.
---Acho que essa pedra meche com
sua cabeça, ne Leninha.---Dizia Lili quando via os olhos fascinados de Leninha.
---Ce acha que algum dia alguém
vai pensar em explodir essa pedra, ou vai acontecer algum fenômeno e ela
cair?---Perguntou Leninha a amiga.
----Nossa Leninha, nunca se Deus
quiser e cuidou logo de fazer o em nome do pai.
---Não quero nunca ir embora
daqui.
---Porque você iria?
---Todo mundo não acaba indo,
buscar a civilização, como dizem, para os filhos estudarem?
---Isso é normal aqui não tem
faculdade, muito mal ate o terceiro ano.
---É, mas a gente podia mudar
isso.
---Como assim Leninha?---A
cabeça de Lili não conseguia acompanhar os sonhos de Leninha.
---Ah! Deixa isso pra lá.
Ate que não era muito difícil
fazer isso não, o pessoal interessado em progredir a cidade estava crescendo,
os valores também, não existia em lugar nenhum do mundo um lugar mais perfeito
do que aquele, a água era a melhor da região. Na casa de Leninha e de Sonia
tinha uma mina que brotava uma água limpinha e cristalina, de dentro da
pedreira também tinha uma nascente, fresquinha.
Só que como Lili entendia,
infelizmente não tinha como progredir muito.Já tinha duas mercearias, duas
farmácias, um correio, dois grupos escolares que já iam ate o ensino médio,
tinha uma igreja católica e uma batista, tinha uma biblioteca publica que
ficava em cima da prefeitura e do cartório, tinha um posto medico. Não tinha
medico direto, mas tudo que precisava de urgência, os dois farmacêuticos davam conta,
o que eles não conseguiam a ambulância da prefeitura estava por perto pra
correr pra cidade vizinha que tinha um hospital. Então pensava Leninha:- --Não
tem como ter mais coisas aqui, só se vier morar mais gente e a cidade crescer
mais. Mas isso também ninguém queria tava tão bom assim.
Faltava também uma antena de
televisão.Contavam tantas coisas a respeito de novelas que ela ate tinha
curiosidade de conhecer uma, ouvia muitas no radio, deveria ser legal ver na
televisão.
No sábado Leninha cuidou logo de
falar com Marcelo a respeito do catecismo na pedreira, e do pic-nic.
Ela foi a casa paroquial .
----Oi de casa.---Foi entrando
pela casa adentro avisando que ia.
---Tem sim Leninha, estou aqui na
cozinha.---Respondeu Marcelo reconhecendo a voz de Leninha.—Entre aqui to
almoçando.
---Nossa! Desculpe Marcelo.Volto
depois.
---Que desculpa nada, senta aqui
come um pouco comigo.
----Já almocei faz tempo.
---É já é um pouco tarde, mas
tinha tanta coisa pra colocar em ordem que acabei perdendo a hora do almoço.
----Só vim ver se você quer ir
comigo, quero dizer com a turma toda amanhã cedo na pedreira, ai aproveita e
ensina o catecismo pra gente não atrasar.
---É Cirilo já tinha comentado
comigo hoje na hora que jogamos futebol, pra min ta bom, sem problemas, não
vamos ter missa pela manha mesmo.
Cirilo e alguns meninos jogavam
um futebolzinho na praça da igreja toda manhã de sábado e quando dava no
finalzinho da tarde.
----Então ta. É só isso.
----Não, agora espera pra tomar
um sorvete comigo.
Ela não pensou duas vezes,
Marcelo sabia fazer um creme que ele chamava de sorvete, Leninha e toda a
cidade já tinha provado.
----Muito bom esse seu sorvete. ---Disse
Leninha lambendo os beiços.
---Pega mais um pouco.
---Não, não eu to satisfeita,
quando mamãe comprar uma geladeira quero que você me ensine a fazer.
---Claro, quando você quiser.
Marcelo adorava ver o jeitinho
de Leninha, achava ela uma meiguice
de menina.
----Marcelo, você ta sabendo
do sumiço dos palitinhos da cidade?
---É já ouvi comentários, os
daqui ainda não sumiram, temos umas boas caixas de fósforo.
---Nossa! Não espalha. Também
ninguém tem coragem de roubar a casa paroquial.
---Você acha que é
roubo?---Perguntou Marcelo com uma interrogação, como se Leninha soubesse de
tudo.
---Sei, não, Seu Pedro da venda
disse que a encomenda de caixas de fósforo não ta chegando faz meses, engraçado
que isqueiro vem todos.
---Ele não entrou em contato
com o fornecedor/
---Não sei, isso eu não
perguntei. Então ta.---Disse Leninha levando sua vasilha ate a pia.---Vou
arrumar as coisas pra amanhã.
---Já sei, amanha bem cedo.
----É temos que tomar cuidado
com sol, ele fica muito quente mais tarde.
---To com mais medo quando
começar a chover. –Disse Marcelo
---Não sendo amanhã. Obrigado
pelo sorvete. Tchau.---Despediu Leninha saindo correndo da mesma forma que chegou.
Marcelo sorriu, e a
acompanhou com o olhar ate sumir pela porta.
4-- O pic-nic
O dia amanheceu bonito, algumas
nuvens no céu e um ventinho diferente estavam no ar, mas aqueles dias todos
estavam assim, depois o sol ia a pino e era um calorão danado.
----Vocês tomem cuidados, pra começar
a chover de repente não muda nada---Recomendou dona Elza Amarrando o chapéu no
pescoço de Leninha.
Ela sempre que ia andar colocava aquele
chapeuzinho na cabeça, era vermelho com bolinhas brancas.
---E você Cirilo tome conta de sua
irmã e coloque um chapéu também, o sol vai esquentar. ---Disse dona Ruth
acabando de colocar o lanche dos meninos em uma cestinha.
---Eu acho que vai é chover.
---Vire essa boca pra lá. ---Irritou
Leninha.
A turminha toda tava lá.
Leninha só não gostou quando viu Silvia
indo junto, não gostava dela, sabia que ela dava em cima de Tarzan e disso com
certeza ela não gostava. Até pediu a Deus para Cirilo não ter convidado o
primo, mas não teve jeito ele estava segurando a porteira e de olho vendo
leninha se aproximar.
Ah! Azar. Pensava ela, ele é meu mesmo e
disso é a coisa que eu mais tenho certeza desse mundo.
Elisa ia de mãos dadas com Daniel. Formavam
um belo casal. Wanda cuidou logo de ir perto de Leninha.
---Eu juro que não queria que ela viesse.
—Disse Wanda se referindo a irmã.---Mas mamãe disse que era bom que ele tomava
conta de min.
---Sei ---Resmungou Leninha sem se
importar muito.
Tarzan foi chegando perto dela.
---Hei princesa cada dia mais
linda!---Dizia ele ajudando ela a carregar a cesta de pic-nic.
Leninha o recebeu com um largo sorriso
adorava ver ele a elogiando.
Cirilo e Marcelo cuidaram logo de
ficarem perto de Tarzan e Leninha.
Sonia ia num papo animado com Leonardo
que de vez em quando virava para ver leninha.
---Tomara que não chova. Eu trouxe um
tanto de coisas que mamãe preparou, já ate forrei a entrada da gruta e fiz uma
sombra com uma lona de caminhão caso o sol esquente ou chova.—Disse Tarzan.
---Nossa! Você madrugou? –Perguntou
Leninha toda charmosa.
---Nada cheguei agorinha e que já estou
acostumado a amarrar a lona nos galhos das arvores.
---Não é a toa que você é o Tarzan. ---Riu
Cirilo e Marcelo.
Ele estufou o peito e simulou um grito.
Leninha adorava aquilo.
Silvia tentava dar um jeito de ser notada,
Leninha fingia nem vê-la.
Estava realmente muito limpo o local que
Tarzan esticou a lona, a primeira coisa que a turma fez ao chegar no topo da
pedreira foi correr e tomar água da bica.
Sonia pegou na mão de leninha para serem
as primeiras, Zinha também foi atraz.
Entraram no primeiro salão da pedreira,
cansadas, limpando o suor do rosto. Leninha teve a sensação de ter ouvido um
barulhinho tipo um zunindo.
---Psiu! –Pediu ela as meninas.
Sonia e Zinha também pareciam ter ouvido
alguma coisa.
Sentiram um pouco de medo, Leninha
acostumou com a pouca luz de dentro da pedreira, olhou em direção aonde jorrava
a água e viu tipo um menininho correndo a se esconder.
Sonia medrosa que só ela, saiu correndo
pra fora, todo mundo quis logo saber o que era.
Ela contou do barulho, Tarzan cuidou
logo de ir ver e socorrer leninha.
Zinha e Leninha colocaram o dedo em
direção a boca pedindo silencio.
Tarzan pisou devagar.
---O que é?---Perguntou bem de pertinho
pra leninha.
---É um caboclinho d’água.---Disse ela
baixinho.
Ele segurou com força a mão dela e
levou as duas para fora do primeiro salão da pedreira.
O pessoal curioso tava todo em volta com
medo.
---Vimos um caboclinho d’água.---Disse
Zinha na maior simplicidade.
Silvia deu a maior gargalhada de sua
vida.
---Não posso acreditar que vocês
acreditam nisso. ---Continuou ela a rir.
---Ninguém tem que acreditar em nada tem
é que ver. ---Disse Leninha com firmeza.
---Alguém mais alem das meninas viram?
Você viu Tarzan?
---Claro que ele não viu, quando o
bichinho viu muito barulho, tratou de correr. ---Disse Zinha.
----Nossa! Que medo!.
Leninha sentiu vontade de esganar
Silvia, mas deixou pra lá.
----Tem certeza que era o caboclinho?
–Perguntou Marcelo olhando firme pras meninas.
Leninha olhou firme para ele.
---Tenho.
---A vovó, ontem tava contando as
historias desses bichinhos pra nos. ---disse Cirilo.
---Então ta explicado. A Leninha ta
impressionada e acha que ta vendo coisas.
---Eu também vi. ---Afirmou Zinha.
---E você Sonia viu?
---Não eu só ouvi o barulho, fazia
assim: Sschum.Sschum, sem parar. –Respondeu Sonia.
---Credo. ---Disse Wanda.—Vamos embora.
---Não, vamos montar o pic-nic. Quem
quiser come alguma coisa, tomem água e vamos rezar o catecismo, esses bichinhos
não fazem mal a ninguém.—Disse Marcelo com firmeza, afinal ele era o responsável
pela organização do grupo.
Eliza mantia-se calada. Davi não tinha
certeza se acreditava ou não por via das duvidas não queria se arriscar.
---Como vamos fazer pra tomar água. ---perguntou
alto.
---Vamos lá dentro e pegamos ué.
–Respondeu Cirilo.
Leonardo também se prontificou a ir.
---Eu também vou, não tenho medo.
---disse Leninha.
--- Nem eu---falou Zinha.
---Eu por via das duvidas prefiro ficar
aqui com Eliza. ---Disse Sonia.
---Eu também. ---Disse Eliza apertando a
mão de Davi.
---Eu vou com eles.
---De jeito nenhum você fica aqui pra me
proteger. ---pediu Eliza.
5- A água
Nada de anormal aconteceu, Eliza ficou
um pouco com nojo de beber da água, mas a sede bateu mais forte, e suco doce
como sua mãe tinha feito não matava a sede. Marcelo explicou que os caboclinhos
da água jamais iriam sujar o que era de mais precioso para eles que era a água,
só estava estranhando de algum deles estarem ali, sendo que eles só ficavam
mais perto de rios, que era onde eles moravam.
Depois do catecismo os meninos sentaram
na sombra, o sol já estava bem quente. Passava um pouco das 9hs.
---Você tem certeza que era um
caboclinho?---perguntou Tarzan bem baixinho pra leninha.
Eles estavam deitados um ao lado do outro
um pouco mais afastado da turminha.
----Tenho, já é a segunda vez que vejo
um.
---Gostaria de ver algum.
---Nunca viu né?
---Não já ouvi as historias de minha mãe
também. Lá na fazenda, mamãe disse que eles apareciam muito por causa da
cachoeira, ela disse que não podia colocar queijo pra secar na janela que eles
vinham e roubavam.
Leninha sorriu,
Espontaneamente Tarzan lhe deu um beijo
na covinha que formava no rosto dela quando ela sorria.
Ela gostava quando ele a beijava, era um
beijo de carinho, mas ela sabia que era de amor.
Zinha veio se aproximado, sentou perto
deles comendo uma maça.
---Querem? –Ofereceu.
Leninha aceitou um pedaço.
A tempestade
Tava muito bom pra ser verdade,
todos se divertiam, brincaram de pic esconde, mesmo com um pouco de receio de
irem ate a entrada da gruta. Esqueceram-se do caboclinho d`gua , só Leninha
tinha certeza que eles estavam observando.
Começou a ventar um pouco.
----É gente, acho que finalmente vai
esfriar um pouco. —Disse Davi.
Eliza sentiu um arrepio, Daniel cuidou logo
de abraça-la.
Silvia olhava com cara de desprezo, olhava
em direção a Tarzan que brincava com Leninha de alguma coisa que usava as mãos
para baterem, era escravos de Jô. Wanda as vezes tinha ate pena da irmã achava
que se ela fosse menos metida arranjaria um namorado e seria feliz, mas o
garoto que ela queria era da melhor amiga dela, era difícil posicionar, mas
jamais ela ajudaria a irmã tomar o namorado de Leninha, só se um dia Leninha realmente
não mostrasse mais interesse nele, mas isso parecia impossível, o mundo todo de
Leninha girava em torno de Tarzan.
O pessoal resolveu tirar um cochilo, já
passava das 13hs, tinham que se preparar para descer o morro.
O vento começou a incomodar, foi uma
correria danada, todos querendo se abrigar no primeiro salão da pedreira, o
medo dos caboclinhos dágua logo foi esquecido.
Cirilo e Tarzan foram os primeiros a
entrarem na gruta abrindo caminho para a turma. A chuva começou forte. Relâmpagos
e mais relâmpagos. Parecia um dilúvio, só se ouvia gritinhos aflitos, mas a
gruta era grande, tinha uma saliência que dava para todos se abrigarem.
--Oh! Meu Deus!—Gritou Eliza se agarrando
a Davi.
---Fiquem calmos, aqui não tem PERIGO—Disse
Marcelo tentando acalmar a turma.
Leninha estava agarrada na mão
de Tarzan junto também de Zinha e Sonia.
O que eles podiam fazer era tentar ficar
quietos e esperar a chuva passar, mas não parecia ser tão fácil, o dia virou
noite, engraçado, não parecia que a chuva fosse cair tão rápido.
Escutaram um barulhinho.
--Sschum...sschum...
---Oh! Meu Deus eles estão aqui. ---Disse Eliza assustada.
Silvia também pela primeira vez acreditou
ser possível ter mais alguém junto deles.
Ouviu-se um estrondo, parecia um raio
caindo bem perto. O pânico se alastrou uma enxurrada entrou por baixo do lugar
onde eles estavam abrigados. Leninha escorregou levando junto Zinha E Sonia
agarradas em sua mão.
--Minha irmã. –Ouviu-se Cirino gritando e tentando
agarrar a mão de Leninha.
Parece que se passou uma eternidade, mas
foram poucos minutos. O céu voltou a clarear, as nuvens escuras foram se
afastando dando novo aspecto de terra limpa, o cheiro de terra molhada era bom.
Mas, Cirilo
Também tinha escorregado junto a Leninha e as
amigas. Quando tudo ficou limpo eles não estavam no grupo, o pânico voltou a
tomar conta de todos.
Tarzan e Leonardo gritavam a
força extrema.
---Leninha! Cirilo! Sonia!
Zinha! Por favor, respondam!
Nada nem sinal deles. Do meio
das arvores eles podem ver um vulto. Marcelo reconheceu logo que era o homem da
vara.
Eliza deu um grito.
---Olhem o homem da vara. –Disse
ela.
Ele saiu correndo, quase
escorregando por causa das folhas molhadas.
---O que esse homem ta fazendo aqui,
tava atrás da gente com certeza. —Disse Daniel
--Vou descer e buscar ajuda pra
procurarmos as meninas, todos venham comigo, daqui a pouco escurece, e a
responsabilidade de tomar conta de vocês è minha. —disse Marcelo com voz de
autoridade.
As meninas trataram logo de
recolher o que deu para salvar depois da chuva e foram procurando lugar firme
para pisar.
--Eu vou continuar aqui
procurando por eles. ---Disse Tarzan aflito.
---Eu também. —Comunicou
Leonardo
---Esta bem eu volto com
lanterna e ajuda.
Disse Marcelo indo à frente do grupo.
Elisa e algumas meninas choravam.
-----------O buraco-------
Leninha, Sonia e Zinha tinham
escorregado e caído dentro de um buraco, Cirilo caiu logo atrás. Parecia outro
lugar.
Olhavam para cima, mas não conseguiam
ver a profundidade do lugar. Só que era um lugar bonito.
Ouviram o famoso gritinho.
---Sschum...Sschum...
Cirilo começou a rir de nervoso.
---Eles estão aqui!—Disse Zinha.
Sonia ficou parada agarrada a
mão de Leninha que tentava visionalizar o local, não acreditava no que via,
onde tinha ido parar todo mundo, cadê a chuva?
O lugar era incrível, cheio de plantas e
riozinhos com pequenas cachoeiras.
---Onde estamos?—perguntou Leninha se recompondo do susto.
Todos conseguiram ficar de pé e olhavam ao redor. Ficou um silencio
incrível.
Mas o ---Sschum, sschum se ouvia a todo o momento.
Um bichinho se aproximou deles. Leninha
continuou firme, não tinha medo, Zinha e Cirilo também se comportaram, só Sonia
demonstrava insegurança.
--O que vocês querem com a
gente?—Perguntou Cirilo assumindo a liderança.
Outro caboclinho da água se
aproximou, quando se viram estavam cercados pelo menos por uns 20 bichinhos.
Leninha teve um ataque de felicidade, não conseguia explicar, mas se sentia
feliz por aquilo tudo. Sempre acreditou neles e agora eles estavam ali ao
alcance de suas mãos.
Eram bem bonitinhos não metiam medo só
encantamento, como poderia realmente existir tais criaturinhas, com formato de
ser humano e parecendo pequenos sacis-perêrê.
Um com aparência de ser o líder se aproximou. A roupa deles era feita de
folhas de bananeira e parecia aderir ao corpo com uma espécie de barro que
parecia uma cola, carregava na mão um cabo feito de talo. Não usavam calçado o
pé era pequeno sustentando um par de pernas finas que mais pareciam gravetos
todo peludo, era difícil imaginar como se sustentavam em pé, o corpo era
pequeno e magro. Ele esboçou um sorriso para Leninha, os dentes eram pequenos e
pontiagudos. Leninha prestava muita atenção.
---Venham com nos. ---Ele falou.
Como aquilo era possível, ninguém entendeu
nada, como eles podiam falar a língua de gente? Era melhor não ter medo e irem
em frente, afinal aquilo era um mundo com certeza de faz de conta.
Leninha segurou firme a mão de Sonia que a
este momento já estava totalmente sem cor e disse:
--Vamos.
Caminhara atraz dos bichinhos.
Cirilo e Zinha já estavam entrando no clima, estavam curiosos para ver aonde
aquilo ia dar.
Chegaram a um lugar cercado por muros feitos
de barro com folhagem, e pequenas casinhas parecendo grutas, tinham algumas
parecendo serem femininas, a diferença é que tinham pequenas saliências na
altura do busto, mas a roupa era igual, se pudesse ser mais detalhada elas
tinham o formato da boca e dentes um pouco diferente, poderiam ate serem um
pouco mais femininas. Uma delas carregava no colo um bebezinho, era tão pequeno
que mais parecia um girino.
Leninha se aproximou, parecia um gigante no meio deles.
---Sentem que assim ficamos mais a vontade para conversar com vocês. ---Disse
o líder.
Teriam que sentar no chão mesmo.
O chão era verde cheio de grama e limpo.
Leninha, Sonia, Zinha e Cirilo sentaram.
Um deles se aproximou de Sonia.
---Fique tranqüila não vamos fazer mal
a vocês, pelo contrario, nos é que deveríamos ter medo, olha só a diferença do
nosso tamanho.
Sonia conseguiu sorrir ao tentar comparar eles eram a metade da altura
da perna dela.
---O que vocês querem com a gente?—Perguntou Zinha em alto e bom som.
Todo a olharam era a única que
ainda não tinha se pronunciado de alguma maneira.
Um caboclinho dàgua que parecia ser uma
criança foi e tentou sentar perto de Leninha, ela sentiu um pouco de repulsa
pelo tamanho do bichinho, mas lhe ofereceu a mão e ele se acomodou no colo dela.
Ele tinha um cheiro parecendo de mato, mas era um cheiro bom misturava
hortelã com eucalipto.
Todos os outros foram se aproximando dos meninos e foram sentando perto.
Quatro pequenas criaturinhas chegaram carregando uma espécie de bandeja com
cuias dentro e um cheiro bom de comida.
---Vocês devem estar com fome, comam, depois conversamos.
----O que é isso?—Perguntou
Leninha.
---E comida de gente, não se
preocupe as nossas mulheres sabem cozinhar de um tudo.
Leninha arriscou e provou, era
alguma coisa feita com milho e sabor de peixe, achou saboroso.
---È muito bom, podem comer
meninas, Cirilo.
O estomago de Sonia era muito
sensível, mas ele provou e aprovou depois as mulheres trouxeram um suco feito
de maracujá e eles aceitaram sem resistência.
DE volta à cidade
Marcelo e o resto da turminha, sem Tarzan e Leonardo
conseguiram chegar à cidade. Estranharam, pois não parecia ter chovido lá. Marcelo
cuidou de pedir a todos para voltarem as suas casas caladas, pois estava tudo
muito quieto. Foi ate a farmácia. Seu Juvenal
Acabava de atender um
cliente, se assustou com a aparência de Marcelo, o cabelo estava todo
desalinhado.
---Nossa Marcelo viu assombração.
—Perguntou Sr. Juvenal tranqüilo
---Eu que pergunto ao Sr. Depois dessa tempestade toda como
a cidade ta toda seca e tranqüila?
---Que tempestade meu filho?
Seu Juvenal debruçou
no balcão da farmácia para ouvir Marcelo que tentava arrumar os cabelos, dona
Laura a esposa de Sr. Juvenal viu o desespero do rapaz e correu a lhe trazer um
copo com água e açúcar.
--A tempestade que deu na pedreira, vai me dizer que não
choveu nada por aqui nessas uma hora atraz.
---Não aqui continua esse sol queimando a todo vapor.
Ele tomou um pouco da água oferecida por dona Laura. Assentou
em um banco da farmácia procurando fôlego.
---Pois e seu Juvenal, lá em cima choveu muito, Leninha, Sônia,
Zinha e Cirilo escorregaram em algum lugar, não conseguimos encontra-los,
preciso de ajuda para subir lá de novo antes que escureça to com medo de falar
com os pais deles afinal o responsável pelo pic- nic era eu.
Seu Juvenal cuidou de
sair de traz do balcão e veio ate o rapaz, dona Laura olhava tentando
acalma-lo.
---Vamos lá eu vou
chamar o Ronald e subimos com você, Vou buscar lanterna e corda, por enquanto
não vamos alarmar ninguém, Laura da um tempo e se não voltarmos antes de
escurecer por completo, ela chama mais ajuda.
---Claro, eu fico aqui rezando.
Seu Juvenal chamou seu filho que o ajudava na farmácia e
estava lá dentro arrumando algumas prateleiras o colocou a par da situação,
calçaram botas de borracha, pegaram alguns equipamentos e foram de jipe para
não perderem tempo.
Silvia não queria ficar longe dessa aventura, iria ate o fim
seria mais uma oportunidade de ficar perto de Tarzan já que Leninha tava sumida.
Wanda percebeu que a irmã tava se preparando para sair.
---Aonde você vai?
__vou ajudar nas
buscas, ora, o que você tem com isso?
---Eu também vou com
você, Leninha é minha amiga.
Marcelo pediu para
não espalharmos a noticia até eles resolverem. --- Se você inciste em vir azar
o seu, vê se pelos menos traga lanterna e alguma coisa pra gente comer.—Disse
Silvia a irmã.
Wanda pegou uma
mochila e o que deu para ela colocar dentro ela colocou. Não queria que dona
Elza desconfiasse do que tinha acontecido.
Passaram rápido de
frente da casa de Leninha, graças a Deus não tinha ninguém na rua, seguiram rumo a pedreira, Davi também estava no caminho
não ia abandonar os amigos nessa hora.
Dona Elza e dona
Ruth estavam despreocupadas fazendo as coisas normais de casa nem imaginava a
aventura que seus filhos estavam passando.
Tudo esclarecido (mais ou menos)
Leninha queria algumas explicações.
---Afinal que lugar é esse?---Perguntou ao que parecia
líder.
---Mas, exatamente onde fica se já estivemos muitas vezes na
pedreira e nunca conseguimos ver isso aqui. —Perguntava atraz de respostas.
---Simples, nunca quisemos que ninguém achasse a gente,
força de expressão, não somos gente.
--Afinal quem são vocês?---Perguntou depressa Cirilo.
----Como vocês nos chamam, somos os caboclinhos dàgua.
---Porque caboclinho dágua? Perguntou Sonia.
---Porque estamos aqui para defender a natureza
principalmente as águas, de onde todos nos dependemos para viver.
---Então, porque nos estamos aqui, porque vocês deixaram a
gente entrar nesse mundo diferente. —disse Leninha, limpando a boca de suco.
---Precisamos unir
forças, estamos correndo perigo.
Zinha se assustou.
---Perigo de que?
---Perguntou Zinha.
---De sermos extintos.
Leninha prestava
atenção.
--Vou contar pra
vocês e quero ver se podem nos ajudar, porque a vida de vocês também depende da
nossa.
--Como
assim?—Perguntou atento Cirilo.
----Pois bem, se e de seu interesse, pra começar meu nome é
Silium, estou nessa vida a mais ou menos 300 anos.
---Nossa! ---Assustou Sonia. ---Como consegui viver tanto.
---Por causa de nossos hábitos alimentares e algumas coisas
a mais, mais isso não é o mais importante agora. Tem alguém do mundo de vocês
querendo destruir tudo, não sabemos como ele descobriu a nossa entrada secreta,
mas ele esta indo atrás dos grandes chefes que tem a chave da destruição.
Sonia começou a tremer tendo que ser levada a algum lugar
para deitar um pouco.
---Não preocupe com ela, depois a colocaremos a par do assunto.
---Disse Zinha com curiosidade.
---Nossas mulheres têm o dom de curar tudo, ela vai perder o
medo. ---Disse um dos filhos de Silium.
---Pois bem o caminho precisa ser fechado, mas precisamos
restituir a paz de novo.
---Porque nos trouxe aqui então, acha que conseguiremos
fazer alguma coisa? ---Perguntou Leninha.
----Sim. Você é a única que pode acalmar os ânimos dessa
pessoa.
---Por quê?
---Depois vai descobrir.
___Tenho algum poder e não sei?—Brincou Leninha, achando que
aquilo tudo era apenas um sonho.
---Todos temos a magia dentro de nos. Vamos descansar que
amanha será um dia longo.
---Não podemos ficar aqui, deve todo mundo da cidade estar
atrás da gente.
---Isso será resolvido, se vocês não ficarem talvez nem
exista mais a cidade de vocês.
Zinha sentiu um calafrio.
Tudo iniciado com S.
Era difícil imaginar aqueles caminhos, então o que poderiam
fazer e realmente tentar dormir e esperar o dia amanhecer. Já estava escuro. E
depois daqueles copos de suco de maracujá deu uma lambeira danada.
Seu Juvenal
estava com Marcelo perto do lugar onde tinha começado a enxurrada, encontrou
com Tarzan e Leonardo, que estavam todos molhados e cansados de tanto rodar
pelo mesmo ponto e não conseguindo nenhum contato com os meninos perdidos.
---Meu Deus! O
que aconteceu aqui?---Perguntou Ronald sem entender.
---Foi uma tempestade e tanto. ---Respondeu Tarzan. Só que
não conseguimos mais ver Leninha, zinha, Sonia e Cirilo. ---O desespero tomava
conta de Tarzan.
Marcelo colocou as mãos pra cima fazendo uma prece, pedindo
aos céus pra dar uma luz e eles conseguirem achar a turminha, tinha medo que o
pior tivesse acontecido. O dia começava a escurecer. Chegou meio sem fôlego
Wanda e Silvia.
---Meu Deus o que
vocês fazem aqui?—Perguntou seu Juvenal.
----Vamos procurar também. —Disse Silvia Olhando para
Tarzan.
Esse fingiu nem perceber.
--Daqui a pouco toda a cidade vai estar aqui. ---Disse
Leonardo.
---Lá em baixo o sol ainda ta quente. Levamos ate um susto
quando vimos que a partir de certo ponto ta esse breu danado. Disse Wanda. —Com
a lanterna na mão.
Ouviram um barulho e uma pessoa correndo.
Olharam rápido e puderam identificar o Sr. Varão.
---Psiu!! ---colocou a mão na boca depressa Tarzan. —Esse
homem tem alguma coisa a ver com isso, vou tentar segui-lo.
Foram todos atrás, estava muito escuro, mas dava pra ver o
mato balançando por onde ele andava. De repente ele sumiu. Tinha entrado numa
espécie de buraco.
Tarzan correu tentando alcança-lo. Escorregou, pois o capim
estava molhado. Caiu e começou a ser sugado por uma vala. Todos correram para o
mesmo lugar e aconteceu o mesmo, a pressão era muita era só se aproximar do
lugar e o corpo serem sugado pela vala, eles foram caindo um por um em cima dos
outros. Não entenderam nada, também não dava pra ver nada, a lanterna de Wanda
tinha sido arremessada não se sabe para onde.
Silvia caiu em cima de Tarzan Esse a amparou com os braços.
Ninguém estava machucado, mas o susto foi muito.
Não conseguiam ver nada parecia uma gruta. Tinha cheiro de
hortelã, parecia que tinha água por perto. Foram ficando em pé o lugar era
muito baixo, não dava para o seu Juvenal Ficar totalmente de pé, ele era muito
alto, bateu a cabeça no teto. Tatiou um pouco e sentiu uma espécie de musgo. Sabia
que ali tinha umidade e água.
Silvia cuidou logo de pegar a lanterna que tinha trazido em
sua bolsa. Puderam ver que estavam em uma gruta pequena; mas que tinha ar vindo
na direção de um buraco não muito grande.
Parece que todos tiveram a mesma idéia e saíram rastejando
tentando ganhar a liberdade.
---Como vamos fazer?
Perguntou Marcelo
logo após sair daquele lugar -- não sabemos onde estamos.
---Vamos ter que pensar com calma. Também tenho lanterna. --Pegou
da mochila e Ronald fez o mesmo, Wanda também com a ajuda da irmã conseguiu
achar a sua. ---Não podemos desperdiçar as pilhas.
Conseguiram ver boa parte do caminho, aquele com certeza não
era um lugar que eles conheciam.
Tudo era diferente, mais bonito, parecia que o dia estava
acabando, mas mesmo assim tinha muita claridade, não muito longe eles notaram
que o mato continuava abalançar.
--Deve ser o Sr
varão, vamos atrás - pediu seu Juvenal. Ele tava achando aquilo muito esquisito
estava se sentindo num filme de aventura.
Foram andando
procurando não serem notados. Isso parecia um pouco impossível, pois eram
muitos e as meninas faziam um pouco de barulho, mas mesmo assim continuara.
À medida que escurecia o medo crescia, acharam melhor
escolherem um lugar para passarem a noite, pois sabiam que ficariam perdidos, o instinto de sobrevivência de
Tarzan foi mais forte, ele achou um buraco protegido por folhas olhou lá dentro
pra ver se não tinha bicho, pegou alguns gravetos e folhas e fez uma fogueira.
---Assim o homem do
varão vai achar a gente logo, logo. —Resmungou Silvia.
---É melhor ser achado por ele do que ser pego por algum
bicho. —Disse Tarzan.
Ronald e seu Juvenal adiantaram para ajudar, precisavam de
um plano, para acharem o mistério daquele lugar.
---Precisamos achar as meninas e Cirilo, será que eles estão
por aqui também?
---Eu to com medo. ---disse Wanda.
Ronald cuidou logo de ficar perto dela para protegê-la.
Silvia olhava pra Tarzan,como se pedisse para também ser
protegido, vendo que nada ia acontecer, foi pra perto da irmã.
Leonardo sentou perto de Tarzan e lhe ofereceu um biscoito
recheado.
----Obrigado. ---Disse ele aceitando alguns. —Eu vi uns
coqueiros no caminho, amanhã vou pegar alguns pra nos. Pra não passarmos fome.
---Eu espero que assim que o dia clarear conseguimos ir
embora. —Disse Leonardo.
O Susto
Tarzan quando acordou depois de ter passado a maior parte da
noite preocupado com o lugar onde estavam, levou um susto ao se deparar com um
chimpanzé dormindo quase encostado no seu pé, deu um pinote pra traz assustando
todos ali presentes.
----Meu Deus! O que é isso?---O bichinho também acordou e
começou a dar cambalhotas batendo no peito fazendo um barulho parecendo rir.
----Tarzan dos
macacos! –Disse Leonardo rindo, sem medo,achando aquilo muito interessante.
O bichinho parecia feliz tinha trazido uma penca grande de
bananas, fazia festas e tentava abraçar as meninas.
Por fim Tarzan também
perdeu o medo e começou a interagir com o chimpanzé.
Wanda não estava
gostando muito daquilo, mas o bichinho parecia mesmo manso, não saia de perto
de Tarzan, eles resolveram chamá-lo de Chita para ficar mais original.
----A gente precisa
pensar pra onde vamos, precisamos marcar mais ou menos o lugar de onde saímos
se não vamos acabar nos perdendo. —Disse seu Juvenal.
----É, mas cadê o lugar de onde saímos? ---Perguntou Ronald olhando para os lados e
não conseguindo ver a gruta de onde eles caíram.
----Eu to com medo!—Resmungou Vanda arrependida de ter
seguido a cabeça da irmã.
----Então gente, vamos começar a procurar pela Leninha, e o
Sr. Varão. Em algum lugar aqui eles estão.
O lugar era bonito
muito verde o cheiro forte de hortelã e eucalipto permanecia no ar, mesmo sem
eles verem nenhuma planta com essa referencia. Começaram a andar pegaram mochila,
arriscaram comer das bananas que Chita oferecia feliz para eles, eles
resolveram ir em direção a uma montanha que parecia ser o ponto mais alto de lá,
talvez conseguissem ter uma visão melhor do lugar.
Enquanto isso
Serrion tinha saído, foi dar uma caminhada sentiu alguma coisa diferente no ar,
aquelas criaturinhas tinham um mistério que encantava a todos que tinham
coragem de ficar perto deles.
Leninha acordou espreguiçando, se sentia muito bem, dormiu
tranqüila sem pensar que lugar misterioso era aquele. Não tinha medo, era doida
por novidades, Cirilo entrou no cômodo
onde ela estava com Sônia e Zinha.
----E ai meninas vamos começar a aventura?---Disse como se
realmente estivesse diante de uma grande aventura.
Sônia se assustou, levantou correndo lembrando que não
estava em casa.
Zinha, nem se importou deu um grande sorriso.
---A gente ate que ta bem, mas e o pessoal que não sabe onde
estamos eles precisam ter noticias da gente. ---Disse Zinha com um ar de
preocupação.
Selian entrou toda meiga dizendo a eles que o café da manha
estava pronto.
Leninha agradeceu, lembrou que não tinha escova de dente e
nem escova para pentear os cabelos, mas qual não foi sua surpresa ao entrar no
cômodo que eles disseram poder usar para as necessidades básicas encontrar
escova creme dental, sabonete, pente e todos os itens para uma boa higiene,
tudo etiquetado com o nome deles. Zinha entrou logo atrás dela.
---A gente precisa acordar isso aqui não é real. ---Disse
baixinho para Leninha.
---Precisamos tomar cuidado com Sônia ela é muito frágil.
—Disse Leninha.
---sabe que ela tá até me surpreendendo, ta reagindo bem, ta
tomando café e conversando muito parece ter feito amizade com as filhas de Silium-Comentou
Zinha abrindo uma fresta na cortina para ela ver onde ela tomava café.
Leninha esboçou um sorriso.
---Vou tomar um banho. ---disse depois de examinar que a
água da tina tava quentinha.
---Também vou não suja muito a água. ---Pediu Zinha.
Leninha sorriu.
Serrion caminhou até um alto de uma montanha ali perto, não
avistou nada, mas tinha certeza que o lugar não estava mais sozinho.
Tarzan sem perceber caminhava ao lado de Chita e não deu
conta quando olhou para traz e não viu ninguém por perto.
---Oi Chita, acho que deixamos o pessoal para traz.
Chita dava cambalhotas e se expressava como se tivesse
entendido.
Mas era um pouco perigoso, o lugar parecia todo igual, de um
lado a outro era tudo limpo, amplo, com arvores enfileiradinhas parecendo que
foram medidas ao serem plantadas, e Tarzan teve um pouco de medo.
--Ronald, Marcelo, estão me ouvindo.
Não escutava resposta, o que fazer?
Resolveu voltar, assim talvez encontrasse o pessoal.
---Cadê Tarzan? ---Perguntou Silvia, vendo que não avistava
mais o rapaz.
Seu Juvenal ficou preocupado.
---Ele estava na nossa frente agorinha...
---Pois é Papai, e cadê ele?
Silvia pegou na mão de Wanda e começou a correr para ver se
alcançava o rapaz, mas nada não via nada.
---Por favor, gente, vamos ficar bem juntos. –pedia Marcelo
---Vamos nos separar em grupos e marcar um ponto de
encontro. – Sugeriu Ronald.
---Tá certo, mas nos somos tão poucos. Acho, que devíamos
permanecer juntos. – Insistiu Marcelo.
Vanda estava com medo.
Seu Juvenal achou melhor permanecerem juntos.
Tarzan voltou um pouco, resolveu marcar a trilha por onde
passava, tinha visto isso em filmes e achou que daria certo, tirou a camisa e
rasgou ela em tiras, cada lugar que passava ia amarrando um pedaço do tecido
nos galhos baixos das arvores, assim o pessoal também o acharia.
Quando deu por si estava em um alto, parecia que tinha subido
a montanha e nem tinha percebido, olhou para baixo e se sentiu em paz, um pouco
com medo do desconhecido, mas em paz. Chita não saia do seu lado, a mochila
dele tinha um pouco de mantimentos que daria pelo menos para dois dias,
preocupou com o pessoal.
---E agora Chita, pra onde vamos?
A macaquinha pulava e puxava a mão dele, parecia ensinar
qual caminho tinha que seguir.
Silium cuidou logo de ir ver as meninas, pareciam todos
prontos pra uma grande caminhada.
---Pra onde vamos? --- Perguntou Zinha.
---Vou mostrar o que esta acontecendo pra vocês.
Sentaram em circulo, as mulheres tinham preparado
mantimentos em mochilas para os meninos, e para eles somente cantil com uma
espécie de preparado, que era a alimentação básica deles.
Silium começou a
falar.
---Há muitas décadas o mundo, o grande planeta terra tem
passado por modificações que o homem em sua grande ignorância, não percebe ou
finge não perceber.
Leninha prestava atenção. Zinha não gostou do termo
ignorante, mas ficou calada.
---Tem gente que descobriu que pode controlar tudo e quer
chegar rápido perto do criador para aprender como dominar tudo.
---O que? ---Cirilo perguntou.
---Não entendi. – Disse Leninha.
---É um pouco complicado, -- tentou explicar Silium. –Mas, é
basicamente assim.
Desde a criação do mundo, o mundo todo, quero dizer tudo o
que esta feito, porque a criação não para. É só prestarmos atenção tudo é
modificado a cada segundo a cada respiração nossa, tudo vai indo e indo, nada
tem volta, mesmo se tentamos voltar, nada será igual a um segundo atrás. Tem
pessoas que descobriram ou acham que tem poder para isso e querem chegar perto
de onde tudo é transformado, sem perceberem que se isso acontecer mesmo vamos
ser totalmente extintos, porque esta
meta não pode e nem foi feita para ser descoberta por humanos.
--- Meu Deus! – Suspirou Zinha.
--- Ele mesmo é dele que estamos falando. --- Continuou
Silium.
Ele que criou tudo, muitos não acreditam, mas temos um ou
vários criadores, e um só que comanda tudo, tudo passa pela aprovação dele, às vezes
escapa alguma coisa, mas não por muito tempo, tudo volta a sua forma de
criação, nada move sem o consentimento dele.
--- Desculpe, Silium. – disse Leninha – mas como tem gente
querendo mexer na transformação?
--- Ai que entramos Leninha, essas pessoas querem
transformar o que não pode, então pode destruir alguma coisa e prejudicar
muitos.
Cirilo prestava atenção queria ver aonde aquilo ia dar,
daria uma boa aventura pro seu próximo filminho.
--- Não vou poder detalhar muito o que temos que fazer, só peço
que confiem em mim e me acompanhem, nada de ruim vai acontecer a vocês, se
acontecer, não vai ser só com a gente, vai ser por uma boa parte da humanidade.
Se era pra ser assim, então seria, os meninos gostavam de
uma boa história e não iam perder essa de jeito nenhum, ficaram e m silencio,
se olharam, os olhares diziam tudo, até Sonia a mais medrosa estava em alerta,
vestiram as roupas feitas para eles pegaram suas mochilas e forma para a
aventura.
Silium chamou Leninha e Cirilo para um particular.
Eles caminharam até a entrada de uma caverna, Sonia e Zinha
ficaram esperando lá fora.
Tudo naquele lugar tinha o mesmo cheiro, hortelã e
eucalipto, nessa caverna em particular o cheiro era ainda mais forte.
--- Não precisam ficar com medo, a índole de vocês é muito
boa, nenhum mal conseguira entrar em vocês.
Leninha suspirou fundo.
--- Tenho uma missão pra você Leninha, e preciso da
aprovação de seu irmão.
Cirilo ficou prestando atenção.
Silium caminhou até um lugar que parecia um altar, tinha uma
pequena chave pendurada em seu pescoço, ajoelhou como se pedindo licença a
alguma entidade e rodou a pequena maçaneta. Fez um barulho de alguma coisa que não tinha sido aberta já a muito tempo.
De dentro tirou um pequeno frasco escuro, não dava para ver
o que tinha dentro. Caminhou de volta até onde estavam os meninos.
--- O que é isso? – Leninha perguntou assim que ele lhe
apresentou o pequeno frasco.
--- É a chave do lugar que temos que entrar não posso te
explicar de imediato, vocês tem que confiar em mim.
--- Mas, porque minha irmã tem que levar isso? – Cirilo
queria confiar, mas não queria colocar a vida de sua irmã em perigo.
--- Teria que contar a vocês uma historia muito longa, e
nesse momento cada minuto que perdemos estamos em risco, isso não é nenhum
veneno, mas tem que ser guardado com muito cuidado, pois pode quebrar e se isso
acontecer tudo o que foi mantido em segredo por mais de mil anos vai por água
abaixo.
Silium pegou as mãos de Leninha, essa teve que abaixar até
ele, segurou com força o frasco.
--- Guarde Leninha, como se ai dentro estivesse a sua
própria alma.
Leninha sentiu um pequeno arrepio. Embrulhou o pequeno
frasco com um pedaço de algodão que Silium lhe deu e guardou o frasco no bolso
do seu casaco que tinha sido feito pelos pequenos caboclos d’ água.
Saíram daquele lugar em silencio, uma coisa boa que Leninha
e Cirilo tinham em comum era saber a hora certa das coisas.
Leninha a pesar da pouca idade parecia que tinha muita
experiência de vida, essas coisas que ninguém sabe explicar e ela entendia, não
precisava de muita conversa.
Cirilo estava um pouco mais eufórico, mas esperaria.
A caminha seria longa, isso eles sabiam, juntaram a eles 30
pequenos caboclinhos d água.
Todos com um roupa a mais que folha de bananeira, pareciam
prontos pra guerra.
Zinha estava achando aquilo tudo muito legal, apertou a mão
de Sonia e foram juntas em fila indiana, eles eram minúsculos perto delas, mas
pareciam muito resistentes, logo depois que saíram da pequena aldeia, tiveram
uma surpresa e medo chegaram algumas criaturinhas que eles nunca tinham ouvido
falar, pareciam pequenos pôneis, mas com certeza não eram, eram a montaria
deles, estavam com cestas dos lados, com certeza era previsões e a material
para montar acampamentos. As duas filhas de Silium também estavam com elas eram
as duas únicas fêmea que iam, elas sempre acompanhavam o pai em tudo que ele
fazia, as meninas custaram a identificas as duas, se vestiam igual aos outros,
nem pareciam meninas.
--- Porque vocês também estão vestidas como guerreiros. ---
perguntou Leninha.
--- É mais seguro, e essas roupas bloqueia qualquer tempo,
chuva, sol, ventania, esses casacos que vocês estão usando também foi feito do
mesmo material que nossas roupas, é como se fosse um tecido mágico.
Leninha sorriu, tinha sentido uma coisa diferente assim que
vestiu aquela roupa, era como se a roupa tivesse realmente sido feita sobre
medida estava totalmente aderida ao seu corpo, exatamente como a calça
comprida, e o calçado era como se estivesse descalço, super leve,
Levou a mão ao bolso onde tinha guardado o frasco e sentiu
ele bem acomodado, o bolso tinha um pequeno fecho.
Tarzan
Tarzan olhava para todos os lados, não conseguia achar
nenhum caminho que tinha sido marcado, sentia que caminhava muito longe, sentiu
um pouco de medo, não tinha nenhum ângulo que pudesse identificar a pequena
chimpanzé não saia do seu lado, ficou cansado, resolveu sentar um pouco, Chita
começou a pular em alerta assim que ele se curvou para sentar em uma grama que
achou ser mais limpa, mas qual foi seu susto ao abaixar e parecer ser sugado
por um força maior. --- De novo não! --- gritou tendo a mesma sensação de
quando caiu à primeira vez no mundo de cima, era assim que pensava estar num
outro mundo lá embaixo ou quem sabe dentro da pedreira. Mas ele não foi sugado
dessa vez só tinha escorregado e ficou semi preso, parecia uma espécie de
armadilha.
Retorcia-se e não conseguia sair do lugar, teve
arrependimento de ter rasgado a camisa, aquele capim estava cortando sua pele,
Chita correu de um lugar para outro parecia querer ajudar, veio puxando uma
espécie de cipó. Jogou pra Tarzan e tentava puxar, com muito esforço ele
conseguiu se soltar daquele lugar, abraçou a Chita em agradecimento e ela só
ficava dando pequenos gritinhos.
Preciso ter mais cuidado. Resolveu continuar a caminhada,
dividiu um pouco de água com sua nova amiga.
Silvia e Wanda já demonstravam sinais de cansaço, eles não
tinham conseguido nada, andavam e andavam sem parecer sair do lugar.
Quando ela resolveu encostar em uma arvore para descansar um
pouco, tinha ficado para traz do grupo, viu um pequeno tecido amarrado,
reconheceu na hora a camisa de Tarzan, tirou e colocou no bolso, não falou para
ninguém.
--- Quem vai achar ele sou eu! – Pensou.
Wanda vendo que a irmã tinha ficado para traz foi em direção
a ela que caminhava a passos largos em direção oposta do grupo.
--- Silvia espere por mim, onde você esta indo. Gritou Wanda
tentando alcançar a irmã.
Leonardo que caminhava perto das duas também foi atrás.
--- Me deixem! --- Dizia ela procurando mais pistas da
trilha de Tarzan.
Quando Seu Juvenal se deu conta sentiu falta do trio.
--- Onde estão, Wanda, Silvia e Leonardo?
Ronald olhou em volta assustado.
--- Oh! Meu Deus com certeza ficou pra trás. --- Disse.
--- Vamos sentar e esperar um pouco propôs Marcelo.
David tinha se arrependido de ter deixado Eliza, talvez
fosse melhor ele também ter ficado na cidade, estava começando a ficar com
medo.
--- Que lugar é esse que não chegamos a lugar nenhum.
O suor escorria do rosto de todos, o sol esquentava no céu,
eles não via muita coisa, mas sentia o calor do sol, a mata tinha fechado e não
tinham quase nenhuma visão de nada.
Marcelo resolveu conversar um pouco com Deus, seus
ensinamentos de convento lhe renderam muita determinação, sabia que aquilo tudo
tinha um porque?
--- Estou com fome. – Disse Davi.
--- Vamos comer alguma coisa, precisamos achar um lugar o
mais rápido possível, antes do anoitecer. – Disse seu Juvenal.
--- Será que deveríamos voltar e ir atrás das meninas? ---
perguntou Ronald.
--- Leonardo esta com elas, vamos esperar um pouco se nada
acontecer a gente volta.—Respondeu seu Juvenal.
Silvia parecia desesperada
--- Eu achei, eu achei, é da camisa de Tarzan, eu tenho
certeza.
Mostrava a tira de tecido para Wanda e Leonardo.
--- Porque você começou a andar por outro caminho do nosso
grupo, quem te disse que o lugar que ele andou não é o mesmo que estamos indo?
Ela parou e sentiu medo.
--- Vamos voltar o pessoal deve estar preocupado com a
gente.
Silvia pensou um pouco e decidiu que assim deveria ser
melhor, sozinhos estavam correndo mais perigo.
Ouviram uma espécie de gemido.
Wanda correu e se agarrou a Leonardo, esse a acolheu com
ternura, começaram a correr sem falar nada, não foi difícil encontrar os
outros, pois a mata estava marcada pelos passos deles.
Seu Juvenal ficou feliz de ver os meninos.
---Vocês ouviram o gemido? – perguntou Wanda assim que
pararam de correr.
--- Não o que aconteceu que vocês ficaram pra traz? –
Perguntou Marcelo agradecendo a Deus dos meninos também não terem se perdido.
Silvia explicou do tecido que achou.
--- Ela queria achar Tarzan, sozinha. --- Explicou Wanda.
Silvia beliscou o braço de Wanda.
--- Olha aqui meninas, somos um grupo, para nos dividir tem
que ser uma coisa pensada e planejada por todos, entendeu. – Seu Juvenal estava
bravo.
Silvia sentiu um pouco de vergonha misturada com ódio.
--- Mas, e o gemido? – Perguntou Wanda.
--- Acho que deveríamos olhar o que é, e se for Tarzan
machucado.
Silvia começou a correr para o lugar que tinha vindo.
--- Tarzan, Tarzan!
--- Ela é doida, esta se arriscando. --- Foi Leonardo atrás
dela de novo.
Todos foram juntos.
Com um pouco de medo Wanda segurou firme na mão de Ronald,
esse apoiou a menina como um irmão.
--- Socorro!!!
Ouviram o pedido vindo de um buraco coberto por flores.
--- Deixa eu ver. – foi Marcelo e seu Juvenal na frente.
Seu Juvenal afastou umas plantas da frente e tentou ver
alguma coisa lá em baixo.
---Quem esta ai? ---perguntou com voz grave.
--- Sou eu Roberto.
Silvia levou um susto, pensou no que tinha acontecido com
ele, e tentou não ficar perto, mas ir pra onde? Agora tinha que encarar.
--- Roberto? --- Perguntou Marcelo em voz alta -- que você
esta fazendo ai?
---Acho melhor tentarmos tira ele daí e depois perguntar.
Disse Ronald soltando a mão de Wanda, essa correu para perto da irmã.
Foi uma batalha e tanto para remover Roberto de dentro do
buraco, precisaram usar a corda, Marcelo entrou La e amarrou-o por baixo dos
braços, conseguiram remover ele de La.
--- Ele esta todo ralado. —Disse Leonardo.
--- O que você estava fazendo ali? – Perguntou seu Juvenal.
Roberto conseguiu se recompor depois de algum tempo, tomou
água e estava um pouco melhor. Começou a contar o que tinha acontecido.
--- Eu, eu ouvi cês contanto pro seu Juvenal o que tinha acontecido
com Leninha, eu tinha que vir salvar ela.
Marcelo por um momento lembrou-se do ocorrido com Roberto e
sabia do amor que ele tinha por Leninha ter ajudado naquele sofrimento dele.
Silvia resmungou pra irmã.
Wanda não aprovava os modos de Silvia.
--- você é,é invejosa.
Disse e saiu de perto dela.
---Ta, certo Roberto, mas como você veio atrás da gente e
nos não te vimos?
Perguntou Marcelo.
Roberto explicou:
--- Logo que vi cês vindo corri, mas cês caíram num buraco e
eu fiquei pra trás, ai corri pra ver o tinha acontecido e cai logo atrás.
--- Quanto tempo você tava ali então? – Perguntou Wanda
entrando na conversa.
Roberto deu uma olhada pra ela de cima pra baixo que ele sentiu
o corpo todo estremecer.
--- Desde ontem a noite, o tempo que cês tão aqui. Por isso
to machucado ralei todo, tentei sair sozinho, mas não deu.
--- Ficou com medo? – wanda perguntou.
--- Acha que depois do que passei, posso ter medo de mais
alguma coisa nessa vida?
Ninguém teve coragem de responder.
Deram um lanche pra ele, e decidiram romper em caminhada,
tinham que aproveitar o dia e achar as Cirilo, Leninha, Sonia e Zinha, agora
também Tarzan que estava perdido.
Iam ir pela trilha que Silvia achou o pedaço da camisa de
Tarzan.
Wanda evitava ficar perto de Roberto, vá que ele tivesse
outra crise, “Pensava sozinha.”
Não seria fácil tal caminhada, eles já estavam exaustos, não
teriam comida por muito tempo e não tinha pista de nenhum caminho a seguir.
Tarzan já começava a demonstrar sinais de cansado, até Chita
pulava menos, decidiu parar um pouco.
--- Temos que redobrar nossas energias.
Chita como sempre entendia tudo, parou perto dele e se
esticou numa grama verdinha, Tarzan fez o mesmo e deitou em uma sombra, o
cansaço era tanta que cochilou rapidamente.
Acordou se sentindo olhado. Sentiu um arrepio, precisava
procurar abrigo a noite se aproximava, mas que tinha alguém por perto tinha.
Chita também parecia diferente, estava desconfiada.
Serrion observava de
longe o rapaz e a chimpanzé, sabia que eram da mesma turma que tinha visto logo
atraz.
--- temos que redobrar nossas energias.
Chita como sempre entendia tudo, parou perto dele e se
esticou numa grama verdinha, Tarzan fez o mesmo e deitou em uma sombra, o
cansaço era tanta que cochilou rapidamente.
Serrion estava muito curioso a cerca do cheiro estranho que
sentia durante a noite conversou com seu pai.
---Enquanto o sr. Amanha começa a jornada com os meninos, eu
vou andar a procura, sinto a presença de mais gente aqui em nossas terras.
Sillium não gostava do jeito do filho falar sobre a terra, a
terra é de todos que vivem nela.
Mas, concordou com o filho, se encontrariam mais no final do
dia.
---Serrion não esta com a gente! – comentou Leninha com
Zinha.
--- Deve ter ficado para proteger as mulheres que ficaram.
--- É, pode ser...
--- Estou preocupada, será que Marcelo e Tarzan vieram atrás
da gente?
--- Gostaria que tivessem vindo, mas temo pela segurança
deles. --- Disse Zinha.
---Por quê? –Perguntou Leninha.
---Eles não sabem para onde estamos indo, e nem nos.
---Sillium disse que vai explicando pra gente, vamos andar
mais perto dele.
Leninha andou um pouquinho mais rápido em companhia de Zinha
até o chefe do grupo.
Este estava calado, parecia conversar com a natureza, era um
caboclinho sábio precisava passar seus ensinamentos ao grupo.
Andaram calados por umas três horas, era hora de descansar
os animais.
Escolheram um lugar perto de um riacho e com arvores.
Todos assim que alimentaram seus animais correram para a
agua.
Selian e Setrina foram com Leninha, Sonia e Zinha até o
riacho.
A agua era clara e limpa, conseguiram relaxar um pouco, os
pés doíam.
--- Falta muito? – Perguntou Sonia.
Setrina respondeu.
--- Só papai sabe o lugar exato.
Serrion acha o grupo.
Silvia estava deitada de costas tentando descansar um pouco,
sentiu uma cocega no pé olhou rápido e levantou de uma só vez assustada.
Serrion estava do seu lado, ela deu um grito.
--- Não grite! – Pediu ele.
--- O que você quer? --- Ela perguntou com a voz tremula.
Serrion estava de tocaia já algumas horas, esperou Silvia se
afastar um pouco, achou a moça bonita.
--- Eu que quero saber o que vocês estão procurando em
nossas terras.
--- Suas?
--- Sim, aqui é nosso.
Silvia não sabia como se comportar com aquela criatura
minúscula falando sua língua, achava que estava vivendo um sonho, ou quem sabe
um pesadelo.
--- Estamos procurando nossos amigos, que escorregaram com a
chuva.
Serrion então não quis falar mais nada, desapareceu na
floresta, ficaria em observação.
Silvia ficou como reagir.
--- Não vai, volta!
Ramon escutou os gritos da moça e correu até ela.
--- O que foi?
--- Ela deve ter sonhado!--- Disse seu Juvenal
--- Acham que estou doida, era um bichinho peludo e falou
comigo, disse que essas terras são deles.
--- Não saia de perto da gente. — Pediu Marcelo.
Wanda segurou a mão da irmã, acreditava nela.
Eles estavam sem rumo, era difícil não tinham nenhuma
indicação de lugar a onde ir, só viam muito de longe alguma coisa que parecia a
boca de um vulcão, deveria ser o lugar mais alto para olharem embaixo e tentar
chegar em algum lugar, ainda bem que todos os lados sempre tinha alguma fonte
de agua, era a salvação deles, acharam frutas no caminho, comeram algumas
framboesas de tamanho maior que o normal, tudo parecia muito cuidado e limpo.
Talvez não tão limpo, talvez não tão cuidado...
Leninha estava preocupada com as pessoas que estavam sem
saber noticias dela, pensou na mãe e avo já velhinha.
“Vovó já teve ter pedido ajuda a todos os santos, tomara que
eles nos ajudem”.
Setrina assentada ao seu lado parecia ler seus pensamentos,
Leninha sentiu um arrepio ao cruzar seus olhos com a pequena criatura.
--- Não se preocupe tanto Leninha, no final tudo da certo,
nada é igual todos os dias!
Leninha só correspondeu com um sorriso entre os dentes.
__ O que tem depois da montanha? ---Perguntou Sônia indo
sentar ao lado das meninas.
--- Não sabemos ao certo, só que papai não deixa ninguém ir
pra lá, é como se fosse outras terras, outros donos, igual à de vocês. –
Respondeu Selian.
--- Você já foi lá onde moramos?—Zinha ficou curiosa.
--- Não, mas Setrina e Serrion já, eles acham que ainda
estou muito nova, é a primeira vez que faço uma viagem tão longa...
Leninha achou engraçado o comentário da menina.
--- Vamos lá pessoal em forma temos muito que caminhar antes
do anoitecer. --- Ordenou Sillium.
Assim mais uma vez foram em caminhada, Leninha, Sonia e
Zinha sempre ficava perto de Seliam e Setrina, Cirilo andava mais perto dos
homens.
Tinha feito amizade com um deles.
Lium era um jovem guerreiro, contou a Cirilo suas muitas
andanças pelo pais afora, já tinha ido do outro lado da montanha, conhecia as
criaturas de lá.
Cirilo estava entusiasmado com aquilo tudo.
Do outro lado eram as terras dos bruxos, aqueles que achavam
que tudo era ruim por consequências dos humanos, eles estavam reunindo aliados
para modificar o domínio do planeta, mas seu líder Sillium era muito sábio e
sabia que não precisava exterminar nada, precisa ter um consenso e cada um
saber lidar com o que temos e viver em harmonia.
DO OUTRO LADO
Nada era assim, o cheiro de humanos pelo caminho perturbava
o nariz deles, não estava bem aquele lugar, pisadas diferentes encontravam pelo
caminho.
Seu Juvenal não soube como reagir não tinham armas, só
tinham lanternas, foram cercados pelo grupo.
Pareciam pequenos elefantes, mas não eram, o nariz descia
pela face, a boca pequena com dentes pontiagudos, braços alongados, pernas
musculosas, pelos pelo corpo, orelhas grandes e olhos esbugalhados.
--- Meu Deus! --- Disse alto Marcelo.
O barulho que eles emitiam não parecia ser de Deus.
Eram pequenos grugidos e forte.
Silvia gritava, Wanda tentava acalmar a irmã.
Roberto a segurou firme em uma espécie de abraço, ela não
sabia se sentia medo dele ou das criaturas que os cercavam.
Não podiam fazer nada, a única coisa que entendiam é que
tinham que ficarem juntos enquanto eles conversavam entre si, se aquilo era uma
conversa.
O mais velho do grupo e mais forte aparentemente dava as
ordens, numa espécie de dialeto que ninguém entendia.
Griam era o nome que parecia ser dito mais vezes, Ramon
prestava muita atenção nos movimentos dele, apesar de serem musculosos não
pareciam ter habilidades de serem rápidos.
--- De onde saiu essas criaturas? --- Perguntou Marcelo ao
Sr. Juvenal.
--- De tudo o que já li e aprendi nessa minha vida, não vi
nessa dessa espécie, parecem ter raciocínio, será que Leninha, Sônia, Zinha e
Cirilo caiu nas mãos deles.
--- Temos que acompanha –los seja aonde for, pode ser que
eles estejam com eles sim, vamos tentar conversar.
--- Conversar?- Seu Juvenal sorriu.
--- É eu sei algumas línguas, quem sabe consigo alguma
coisa.
Marcelo era seminarista, quase se ordenando a padre,
conhecia várias cidades e países nesse mundo de Deus, falava bem Italiano, sua
terra natal era a Itália, falava francês e um pouco de alemão, sem contar o
português e casteliano.
Depois do grande susto, ficou de frente do que parecia ser
líder, assustados eles também estavam, sabiam que existia humanos, mas nunca
tinham chegado tão perto de um.
Às vezes ficavam observando de dentro da mata o andar de
algum deles.
--- Algum de vocês falam nossa língua? – Marcelo falou alto.
Eles pararam de resmungar entre sim, depois do susto da
gritaria de Silvia era a primeira vez que ouvia um grugidos dos humanos.
O Mais velho se aproximou de Marcelo, esse continuou firme,
Ramon, e seu pai Seu Juvenal ficaram do lado dele.
Apesar da aparência de mal Wanda não sentiu maldade neles,
porque eles chegaram até eles, e não teve ameaças, somente chegaram e no fundo,
no fundo também não sabiam o que fazer.
Comunicaram-se entre si e um deles saiu correndo pela mata.
Na verdade eles estavam distanciando do grupo de Leninha,
estavam fazendo o caminho contrario estavam quase nas terras perigosas.
As estranhas criaturas os observavam.
Marcelo continuou esperando por uma resposta, não sabia se
eles tinham entendido ou se eles tinham mandado buscar mais alguém.
Seu Juvenal sentiu medo, ficou em alerta, a única arma que
tinha era um pequeno canivete dentro de sua mochila, as criaturas resolveram
sentar em forma de circulo ao redor dos humanos, Marcelo pressentiu que eles
esperavam por alguma coisa.
--- Vamos sentar também, vamos ver onde isso vai chegar.
Todos se assentaram a grama era limpa e fresca algumas
arvores davam sombra.
Não pareciam que seriam atacados.
Serrion continuava percorrendo a mata já estava a caminho
para encontrar seu pai.
Ouviu um pequeno grugido, reconheceu ser de um macaco, não
deu muita importância, viviam bem entre os animais, cada um respeitando o seu
espaço.
--- Espere Chita!
Ouviu a voz de um humano, resolveu ver quem mais estava em
suas terras.
--- “Preciso primeiro ir ver a entrada, tem muito humano por
aqui, alguém ou alguma coisa abriu nosso mundo”.
A preocupação dele foi maior que a curiosidade de ver o
humano.
Se a entrada ficasse aberta, seriam destruídos mais rápidos,
do que o pai dele pensava, tudo seria transformado, o homem com sua ambição de
construir abrir espaço para moradias, comercio, estradas acabaria com o planeta
mais rápido, esses pequenos paraísos que é a sustentação da terra como se fosse
um grande muro de arrimo cairia totalmente.
A tarde caia Chita encontrou uma gruta e gritava pra Tarzan
como se mandasse ele entrar para passar a noite.
Estava totalmente perdido, o único ponto de referencia que
tinha era aquele pico alto na montanha, sabia que tinha que chegar lá, era como
se alguma coisa dissesse que lá era o ponto de encontro.